ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Além do setor «A», com dez projetos em desenvolvimento (ligados à biotecnologia e indústrias farmacêuticas, a atividade logística e as manufaturas avançadas), é feito o planejamento do setor «H» (atividades turísticas e agropecuárias) e se iniciam as conversações para a projeção do setor “B” (Indústria).

O que procuram os investidores em Cuba? Quando alguém resolve investir em um país persegue, sobretudo, um lugar viável e com condições conforme seus interesses. Cuba tem muitas características que a acompanham. Seus atributos de dignidade, alta qualidade profissional, segurança e ser um país social e politicamente estável estão entre os padrões a levar em conta. Porém, da mesma maneira, têm que existir vantagens econômicas e isso é o que está mostrando hoje a Zona Especial de Desenvolvimento Mariel (ZEDM).

Unido a suas características de localização regional estratégica, extensão, presença de infraestrutura, proximidade da capital e outros itens que acrescem seu valor, a ZEDM, a partir de sua abertura, no ano 2014, previu um plano de crescimento por etapas.

Dividida em nove setores que completam os 465,4 km² com que conta esta área, trabalha-se no setor «A», dedicado especificamente a pilares como a biotecnologia e indústrias farmacêuticas, a atividade logística e as manufaturas avançadas.

Este setor, situado a leste da baía de Mariel, tem uma área total de 43,7 km² e representa 9% da superfície total. Previsto no Plano de Reorganização Territorial e Urbano, para se desenvolver em três fases, vive sua segunda etapa (de consolidação) e incorpora atividades de maior valor agregado à ZEDM.

Atrair empresas e captar negócios conforme as características desta área em desenvolvimento e aos interesses do país depende, em boa medida, do trabalho do Gabinete da ZEDM, explica sua diretora-geral, Ana Teresa Igarza.

«Nós temos identificados, a partir de um programa de desenvolvimento e de negócios, as indústrias pilares, os principais países emissores de investimento, as empresas presentes no mundo, os diferentes mercados e com essa informação convidamos possíveis investidores.

«Atraímos várias empresas, nisso nos apoiaram muito as embaixadas cubanas no exterior. As sedes diplomáticas se puseram em função do tema econômico do país e colaboraram na atração de negócios. Enquanto mais cresçamos como usuários, conseguiremos maiores resultados na ZEDM é isso é o que queremos», acrescenta.

Incorporar força de trabalho jovem na ZED Mariel foi um dos propósitos desde seus inícios.

O PROCESSO DE INVESTIMENTO

Mas, como se desenvolve todo este processo na Zona Especial de Desenvolvimento Mariel? Segundo explica Ana Teresa Igarza, os resultados dependem de todos os que estão envolvidos no processo e de quão sério seja o cumprimento do respectivo plano de trabalho.

«O primeiro que fazemos, inclusive antes de aprovar o investimento, é conciliar com esse empreendedor o cronograma previsto. Assim, tudo o relacionado com licenças, permissões e autorizações (inscrição no registro mercantil, licença bancária, pedido de licença ambiental e de microlocalização, etc...) deve ser tramitado para iniciar o processo de construção», precisa Igarza.

«Nessa base e sempre que exista a documentação, os termos se cumprem», acrescenta. «Existe coesão de trabalho entre o Gabinete, os membros da Comissão de Avaliação e, ao mesmo tempo, o Conselho de Ministros. Até agora, com os 34 usuários foram cumpridos os termos estabelecidos para sua aprovação».

«Uma vez realizado esse passo começa a construção de obra. Mas iniciá-la envolve também que os projetos técnicos executivos estejam terminados, que o pedido da licença seja aprovado e que se negocie com as construtoras que trabalharão ao pé de obra». Segundo explica a diretora da Zona Especial iniciar a obra continua sendo o processo mais dilatado.

«Essas são questões pendentes nas quais é preciso trabalhar e o Escritório teve que encorajar o trabalho das empresas. Há empresas construtoras estrangeiras que, inclusive, tendo todas as condições para começar o trabalho, não o fizeram por problemas organizativos internos e de preparação do empreendimento», expressa Igarza.

«Percebemos, acrescenta a funcionária, que o problema de preparação do empreendimento não é apenas de Cuba. Nossa experiência nos demonstrou que as empresas estrangeiras também têm deficiências neste sentido. E por isso o Gabinete teve que envolver-se mais no processo. Hoje, os membros do Conselho de Direção da entidade atendem, ao menos, dois empreendimentos na ZEDM e checam o avanço do processo construtivo». A diretora-geral assegura que o ano 2018 é decisivo, porque devem aumentar as operações e terminar o ano com ao menos 15 em desenvolvimento. Por isso, criaram um sistema de atenção em que se dá acompanhamento à obra semanalmente. O Gabinete checa que sejam tramitadas todas as licenças e certificações necessárias, durante o processo construtivo, o que obriga também o usuário a manter seus papéis em dia. Às vezes, tiveram que pôr multas aos usuários, um tema que assegura não é a relação que se deseja ter.

«Nossa intenção é realizar o trabalho em harmonia. Há investimentos que funcionaram muito bem, o que demonstra que é possível. A Womy Equipment Rental B.V., desde janeiro começou o movimento de terra e em outubro já estava trabalhando. A Logística Hotelera del Caribe S.A. avança corretamente. Por seu lado BDC TEC S.A e BDC LOG S.A, (pertencentes à Business Development Cooperation International S.A., da Bélgica) apresentaram dificuldades, mas conseguiram estar em dia. Contudo, há outros que foram lentos e isto tem a ver, também, com problemas na importação dos fornecimentos necessários para o empreendimento», declara Igarza.

Ainda que o cronograma de determinados empreendimentos na ZEDM possa apresentar contratempos, percebe-se um avanço no entorno construtivo. Além do setor “A”, com projetos em desenvolvimento, é feito o planejamento do setor “H” (atividades turísticas e agropecuárias) e se iniciam as conversações para a projeção do setor “B” (Indústria).

COMO É ATRAÍDA A FORÇA DE TRABALHO?

Na Zona Especial de Desenvolvimento Mariel a força de trabalho é captada de forma livre, mas não direta. Este é um procedimento muito comum nas zonas especiais e é feito através de uma empresa de empregos. Por quê? Porque se a pessoa é estrangeira e chega a investir em um país que não conhece vai precisar de muitos trabalhadores.

A entidade empregadora, que é formada por aqueles que conseguem recursos humanos em entidades como Almacenes Universales S.A., BioCubaFarma, Cubatabaco, Tecnosime, Petroempleo e a construção, recebe do Gabinete um grupo de informação e interage com ele para conhecer as necessidades dos usuários. Hoje, por exemplo, existe uma bolsa com uma demanda direta do que se precisa.

«A entidade empregadora é a catalisadora da ZEDM e precisa da economia para injetar força de trabalho. É um trabalho em que intervêm a entidade empregadora, o Ministério do Trabalho e Previdência Social, o Gabinete, universidades e ramos do ensino médio. Procuramos que seja um ciclo fechado, eficaz e independente, que o empreendedor sinta que a quantidade de trabalhadores que demanda esteja e possa escolher quais são os que necessitam e, inclusive, quando os quiser devolver, igual vai lá para repor», ressalta Ana Teresa Igarza.

Atualmente, 56% da força de trabalho contratada na ZEDM (mais de 2 mil trabalhadores) foram propostos pela entidade empregadora. Os outros 44% foram contratados pelo empreendedor. Os diretivos, por exemplo, são indicados pelo empreendedor e podem ser cubanos ou estrangeiros. A experiência, segundo Igarza, foi muito proveitosa. Hoje existem diretivos cubanos em uma parte importante da direção de empreendimentos, o que demonstra também os resultados positivos da empregadora.

«Antes, a entidade empregadora não de-sempenhava o mesmo papel. Há quatro anos constituía uma fonte de renda para o país e não se via como um fornecedor de serviços. Hoje, a visão é diferente e há muitas ideias para melhorar esse trabalho. Atualmente, já se podem estabelecer escalas salariais a partir dos cargos básicos da ZEDM (antes eram 12, hoje são cinco) e estão especializadas por setores da logística, atividade da construção e industrial, entre outras.

«Outra das funções da empregadora é pactuar o salário de seus trabalhadores com a empresa que o contrata. Esse trabalho de captação tem um custo que pode ser de até 20% do valor do salário do empregador e nisso se está trabalhando. Devemos ir minimizando esse custo para que se veja como um serviço mais profissional e ágil», acrescenta a diretora-geral da ZEDM.

OS JOVENS NO MARIEL

A marca da mulher jovem em postos chaves da economia cubana e em cargos de direção é cotidiana na Ilha caribenha. Exemplo disso é a engenheira Nathaly Suárez Palmero, diretora de Administração de Obras, na Empresa de Construção e Montagem da ZEDM.

Surpreende nela o domínio de cada uma das extensas áreas geográficas destinadas à construção de um megaprojeto, pensado para fomentar a produção e comercialização de um amplo leque de artigos e serviços como produtos cubanos de exportação.

«Sinto-me totalmente realizada, porque aqui vi um grande deslocamento tecnológico e pomos em prática todo o estudado na carreira universitária. Trabalho nas vias, arquitetura e construção de edificações», assinala.

A engenheira Suárez Palmero se encarrega de administrar e controlar a execução do orçamento em cada um dos objetos de obras contratadas à empresa estatal por outras entidades estrangeiras ou nacionais. Nesta etapa é assumida, também, a urbanização do lugar com a construção de pontes, ruas, parques e praças.

«Hoje trabalhamos em 35 obras — explica a garota — refiro-me à construção de imóveis desde a terraplenagem até a decoração de interiores. Assumimos redes ferroviárias, armazéns, escritórios e satisfazemos os gostos do cliente, no design arquitetônico pactuado, jardins e pátios».

Sob seu comando se encontram uns 4 mil trabalhadores, que operam mais de mil equipamentos, como caminhões, ônibus, equipamentos de carga e montagem, mais tecnologias complexas como uma máquina para fabricar calçadas e meios-fios, uma usina para asfaltar e oferecer maior durabilidade às vias. Igualmente processam o betão em duas usinas para estes fins.

«Um ponto fundamental neste processo produtivo é o controle da qualidade, que cuida cada trabalhador em sua atividade. «Se um trabalho não está certificado sob as normas padronizadas requeridas, simplesmente não se paga ao trabalhador e deve realizá-lo de novo, sob uma multa salarial. Exigimos e obrigamos a zelar pela qualidade».

A Empresa de Construção e Montagem de Mariel foi constituída em dezembro de 2014, com o objetivo de satisfazer a crescente demanda de serviços construtivos na Zona Especial de Desenvolvimento, através de uma gestão eficiente da qualidade, os custos, os prazos e os financiamentos para as diferentes fases de seus projetos e obras.

Esta jovem diretiva destaca que a entidade garante a sustentabilidade de seus investimentos e contribui ativamente para o desenvolvimento sustentável do país. Pretende converter-se em uma empresa líder nos serviços construtivos, em nível nacional, que garanta eficácia e eficiência nos projetos encomendados, que consiga superar as mais exigentes expectativas de seus clientes.

Para isso devem atingir o cuidado sustentável do meio ambiente e agir sobre uma melhora contínua do sistema de gestão da qualidade, tudo o qual permita obter resultados competitivos que consolidem sua posição no mercado.

Incorporar força de trabalho jovem na ZEDM foi um dos propósitos desde seus inícios. Mas agora as ambições são maiores e buscam vinculá-los a partir das universidades.

Se bem alguns empreendedores, às vezes, mostram-se um pouco reticentes perante a proposta, puderam verificar a qualidade profissional dos jovens e entenderam a importância de prepará-los além das salas de aulas.

«Estamos trabalhando em intencionar e ver como conseguir uma política que encoraje o trabalho. Queremos que ainda na universidade esse estudante possa fazer suas práticas de trabalho na ZEDM, inclusive acompanhado dos professores, porque estamos em um ambiente onde é preciso manter os bons valores. Queremos que se insiram, façam sua prática de trabalho e que depois o empresário diga: ‘esse é o que eu quero quando se graduar, porque a partir de agora me está demonstrando que pode fazê-lo bem», garante a diretora-geral da ZEDM Mariel, Ana Teresa Igarza.

Atualmente, contam com empresas dispostas a receber os estudantes. Também se pretende abrir salas de aulas dentro das instalações para formar os jovens em atividades ligadas às equipes de manuseamento de cargas, sua reparação e a manutenção dessa maquinaria.

A Zona Especial de Desenvolvimento Mariel é um espaço em total crescimento. Exigência, superação e uma constante crítica construtiva são as chaves dos que aqui trabalham. Contribuir não apenas para a economia, mas também para a preparação de futuros graduados universitários cubanos são iniciativas que agregam valor a este projeto com novos desafios que vão além do aspecto econômico.

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O Plano de Reorganização Territorial e Urbano do setor “A” será desenvolvido em três fases:

• Fase de lançamento. Em curto prazo, consistente em atividades logísticas e industriais ao redor do porto.

• Fase de consolidação. Em médio prazo, com a incorporação de atividades de maior valor agregado.

• Fase de amadurecimento. Em longo prazo, com a consolidação do setor de altas tecnologias.

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As indústrias pilares que serão desenvolvidas no setor “A” da ZED Mariel são:

• Serviços logísticos

• Biotecnologia e indústria farmacêutica.

• Manufaturas avançadas, com prioridade no processamento industrial de alimentos, embalagens, materiais e tecnologias da construção, transformação do aço e produção de bens de consumo com tecnologias altamente eficientes e automatizadas.