O valor da solidariedade com Cuba na América do Norte › Cuba › Granma - Organo ufficiale del PCC
ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

«APESAR das políticas hostis do governo dos Estados Unidos existe uma história muito unida de solidariedade do povo desse país com Cuba», asseverou na entrevista exclusiva ao semanário Granma Internacional a diretora para a América do Norte, do Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP), Sandra Ramírez Rodríguez.

Ramírez Rodríguez explicou que tanto nos Estados Unidos quanto no Canadá, funciona uma plataforma que, em nível nacional, une a maioria das associações de amizade, embora haja muitos amigos e simpatizantes com a Revolução cubana que não integrem essas organizações, mas demonstram com diversos gestos solidários seus sentimentos pela Ilha maior das Antilhas.

No caso dos Estados Unidos existem 112 organizações solidárias, umas mais ativas que outras, e dentro da rede nacional se agrupam 46. As cidades mais ativas são Chicago, San Francisco, Oakland, Richmond, Berkeley, Los Ángeles, Boston, Massachusetts e a Flórida.

No entanto Nova York é qualificada como a cidade da solidariedade, pelo número de associações e grupos de amizade que trabalham a favor de Cuba. «Todas elas fizeram múltiplas ações em 2017 e se propõem um variado programa para 2018», destacou Sandra.

Destacou a valentia dos cubanos assentes na Flórida, os quais pertencem à Coalizão Aliança Martiana. Estes grupos trabalham ativamente em cidades como Miami, onde moram famosos terroristas com um longo histórico de atos de sabotagens e crimes contra o povo cubano.

«No mês de março de 2017, em Nova York foi realizada uma conferência nacional de solidariedade com Cuba, com o propósito de exigir a total normalização das relações entre ambos os governos. Neste evento se reuniram mais de 300 afiliados a aproximadamente 70 grupos, que desenvolveram diferentes workshops acerca da história da Revolução, o trabalho cultural e os projetos de cooperação internacional para países do Terceiro Mundo», assinalou Ramírez Rodríguez.

As relações diplomáticas entre ambos os países foram restabelecidas em 2015, mas nunca se desenvolveram normalmente devido à hostilidade das administrações da Casa Branca, que se empenha em manter o bloqueio econômico, comercial e financeiro que pretende destruir a Revolução.

Nesse mesmo ano foi realizada em Washington, no mês de setembro, a segunda jornada de ações contra o bloqueio, que organiza o Comitê Internacional Paz, Justiça e Dignidade dos Povos para, mediante documentos, materiais bibliográficos e audiovisuais, sensibilizar senadores e congressistas acerca das afetações causadas pela agressiva política contra o povo cubano. O tema escolhido para o debate se focou na saúde pública cubana, por isso foi convidado um oncologista-pediatra de Havana.

«Refletiu-se acerca de vários medicamentos cubanos com provada eficácia, que não podem ser vendidos nos Estados Unidos. Tampouco se podem estabelecer relações de troca entre os cientistas; além disso, nossos especialistas tiveram seus vistos negados e não puderam assistir a eventos acadêmicos nem visitar instituições médicas», assinalou a diretiva do ICAP.

A experiência se repetirá em setembro deste ano, com o propósito de visitar os escritórios do Congresso estadunidense, a fim de explicar as verdadeiras afetações dessa política injusta e irracional. Vários estados do país assinaram resoluções contra o bloqueio e recebem evidências de eleitores e congressistas, também de instituições, colégios, organizações sociais, etc.

Igualmente, na cidade de Seattle teve lugar a reunião anual da Rede Nacional de Solidariedade com Cuba. Nesse encontro trocam opiniões todas as organizações membros ou convidados da plataforma nacional. Os acordos adotados têm como ponto comum as ações a realizar no imediato e no mediato. O espaço é aproveitado para a atualização acerca da realidade cubana pelo que sempre é escolhida uma cidade diferente para ter a reunião.

Ramírez Rodríguez esclareceu que anteriormente esse tipo de reunião só era realizada em Washington ou Nova York, porque os funcionários oficiais cubanos participantes não podiam viajar a mais de 25 milhas do lugar onde moravam. Durante três anos foram realizadas em diferentes cidades, mas agora não existe certeza de que possam continuar sendo realizadas desta forma, devido ao recuo nas relações bilaterais, atiçado pela administração de Donald Trump.

Nestas trocas se promove também a solidariedade com o povo venezuelano atacado de todas as formas possíveis, para dar cabo da Revolução Bolivariana.   Também se promove a liberdade de viagem para aqueles que desejem visitar nosso país, principalmente grupos de profissionais como médicos, enfermeiras, advogados, arquitetos, prefeitos, professores e autoridades educativas, que estejam interessados na troca com seus homólogos cubanos.

O TEMA MIGRATÓRIO COMO ARMA POLÍTICA CONTRA CUBA

A partir do triunfo da Revolução, em 1º de janeiro de 1959, houve uma campanha de descrédito contra Cuba e a melhor forma de perceber a verdade é visitando o país. Hoje, ao mesmo tempo, àqueles que pretendem viajar, o Departamento do Tesouro envia uma alerta de viagem, advertindo que vão viajar para um lugar perigoso, tendo como base os supostos ataques acústicos aos seus diplomatas. «Por isso é necessário que os movimentos de solidariedade organizem mais grupos e ajam para que mais pessoas nos visitem», assinalou Ramírez Rodríguez.

Também, assinalou que a maior porcentagem dos cubanos que moram fora da Ilha caribenha está nos Estados Unidos e o governo norte-americano quer tornar esse assunto migratório um problema político. Ficou demonstrado que aqueles que emigram de Cuba é procurando melhoras econômicas. Por isso, esses cubanos lutam para ter permissão para visitar seus familiares e amigos.

Por isso organizam caravanas de carros que passam pelas principais ruas de Miami, desafiando os elementos mais conservadores e retrógrados, levando cartazes alegóricos à liberdade de viagens e contra o bloqueio.

«Em 2017, cubanos que moram na Flórida realizaram um ato muito significativo, em 28 de abril. Eles entregaram o segundo outdoor que conseguiram colocar no topo de um restaurante em Miami, exigindo a liberdade dos Cinco. O primeiro foi destruído imediatamente, mas este segundo e grande outdoor se manteve 32 horas em exibição. Eles o preservaram como um patrimônio e decidiram entregá-lo ao ICAP. Nós o preservamos no Acampamento Internacional Julio Antonio Mella que recebe as brigadas internacionais de trabalho voluntário», destacou Ramírez Rodríguez.

PARA DESAFIAR O BLOQUEIO

A partir dos EUA se promovem projetos de desafio para aqueles estadunidenses que viajam para Cuba sem pedir licenças ao Departamento do Tesouro e se unem em diferentes brigadas. Em 1969, a brigada Venceremos viajou pela primeira vez para fazer trabalho voluntário na agricultura, cortando cana junto ao povo cubano. Nos últimos anos, esta brigada visitou diferentes províncias, inclusive dialogaram com os jovens cubanos que protegem a fronteira da ilegal base naval estadunidense em Guantánamo.

A brigada Antonio Maceo trouxe, há 40 anos, jovens cubanos que foram levados por seus pais para fora do país sendo crianças, no quadro da Operação Peter Pan. Essa brigada se mantém realizando um programa diferente e trabalha apoiando a Revolução cubana. Semelhante trabalho é realizado pela Caravana dos Pastores pela Paz, um projeto insigne da solidariedade.

«Os cubanos conhecem o risco que enfrentam esses membros da caravana para trazer os estoques de medicamentos e computadores, inclusive em uma ocasião fizeram uma greve de fome para que permitissem cruzar a fronteira estadunidense com o México. Esse grupo nos visita todos os anos e neste ano estará nas províncias de Santiago de Cuba e Guantánamo, para prestar honras ao Comandante-em-chefe Fidel Castro», explicou a funcionária.

A caravana faz percursos por diversas cidades, explicando elementos acerca de Cuba e de nosso projeto social, recolhendo materiais e doações. Eles visitaram este ano cerca de 50 cidades dos Estados Unidos e do Canadá, antes de partir para Cuba. O trabalho da Caravana é coordenado pelo grupo Fundação Interreligiosa para a Organização Comunitária, (IFCO por sua sigla em inglês). Eles também escolhem jovens desse país para que estudem medicina gratuitamente em Havana.

Hoje, há maior participação de cidadãos estadunidenses nas brigadas internacionais como a Primeiro de Maio e Pelos Caminhos de Che Guevara. Visitou o acampamento uma centena de pessoas, para participar dos atos do dia 1º de Maio, na Praça da Revolução, da capital cubana. «Estes exemplos mostram um grande ativismo dos movimentos de solidariedade, muitos desejam visitar, conhecer e apoiar de alguma forma nosso processo social», asseverou Ramírez Rodríguez.

Do Canadá nos visita a brigada Ernesto «Che» Guevara, organizada pela rede canadense de solidariedade com Cuba, a qual agrupa amigos desse imenso país onde existe um movimento muito sólido com uma rede nacional que agrupa 25 organizações, incluído os cubanos que moram ali.

Cidades como Halifax, Montreal, Ottawa, Toronto, Winnipeg e Vancouver fazem um trabalho de destaque. Estas agrupações mensalmente organizam protestos contra o bloqueio perante representações diplomáticas dos Estados Unidos, em ocasiões com temperaturas abaixo de 30º Celsius negativos.

«Nossas organizações se acostumaram a desafiar as políticas hostis do imperialismo. Hoje, o trabalho solidário requer de um maior ativismo e mais engenho para chegar aos diferentes espaços. O desafio é enfrentar toda essa grande avalanche de agressividade contra nosso país», concluiu Ramírez Rodríguez. •

Número de organizações

Estados Unidos: 112

Canadá: 58

Principais temas de luta

1. Eliminar o genocida bloqueio econômico, comercial e financeiro dos Estados Unidos contra Cuba

2. Devolver o território ocupado pela ilegal base naval estadunidense em Guantánamo

3. Ter as relações bilaterais normais.

4. Liberdade de viagens a Cuba para os norte-americanos

5. Impedir as campanhas da mídia contra a Revolução cubana

Brigadas solidárias

1. Antonio Maceo

2. Venceremos

3. Pastores pela Paz

4. Ernesto Che Guevara

5. Projetos de desafios