
(Tradução da versão estenográfica – Conselho de Estado)
Ex.mo senhor Miguel Díaz-Canel, presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros da República de Cuba, ao qual quero parabenizar por sua recente nomeação e agradecer, bem como ao governo e ao povo de Cuba, suas cálidas boas-vindas e hospitalidade, muito obrigado;
Ex.mo senhor Francisco Guzmán Ortiz, chefe do Gabinete da Presidência dos Estados Unidos Mexicanos; quero parabenizar o México por seus dois anos de liderança na presidência da Cepal;
Prezada colega Alicia Bárcena, secretária executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe; muito quero agradecer sua energia, sua dedicação e liderança, que de forma muito clara se demonstra no seu discurso há alguns minutos;
Senhoras e senhores membros do Conselho de Ministros de Cuba; dos Estados membros da Cepal;
Distintos convidados;
Prezados colegas e amigos:
Se me permitem vou falar ‘portunhol’; o portunhol não é uma língua, não tem nem população nem território, mas, sobretudo, não tem gramática, espero então que me compreendam e desculpem.
É uma honra para mim participar com vocês deste 37º período de sessões da Cepal, ocasião na qual também é comemorado o 70º aniversário da Comissão.
Década após década, a Cepal constitui um paradigma progressista e voz autorizada da justiça social na economia mundial. A Comissão desempenhou um papel precursor na integração das dimensões econômicas, sociais e ambientais do desenvolvimento. A Cepal promoveu, com constância e valentia, uma visão do desenvolvimento que considera a igualdade como motor que impulsiona o crescimento. Vocês na Cepal se focam em um significado mais profundo da igualdade, colocaram o olhar além das receitas, como medida do bem-estar e como prova decisiva da cooperação para o desenvolvimento, e mantiveram sempre o olhar na igualdade de direitos no mais amplo sentido, a igualdade econômica, social e política.
A Cepal faz tudo sobre a base de pesquisas sólidas, rigorosas e a entrega para partilhar experiências que vinculam as prioridades nacionais com as deliberações mundiais.
Depois de setenta anos da sua criação, a Cepal continua presente onde sempre esteve, na primeira linha dos esforços para impulsionar uma globalização equitativa, apresentando políticas de base empírica, análises técnicas e conhecimentos focados, para forjar uma transformação econômica, estrutural, progressista.
Prezados amigos:
Esta decisão e esta visão são hoje mais necessárias do que nunca antes. Conhecemos os desafios que enfrenta nosso mundo. É verdade que a globalização registra inúmeros benefícios: nunca antes saíram mais pessoas da pobreza extrema, a classe média mundial é maior do que nunca, mais pessoas têm uma vida mais longa e mais saudável, mas existem muitas pessoas que ficaram para trás. As mulheres continuam tendo menos possibilidades de participar do mercado de trabalho e a desigualdade salarial por razões de género continua sendo uma preocupação mundial.
O desemprego entre os jovens atinge níveis alarmantes, com trágica repercussão no bem-estar dos jovens, nas possibilidades de desenvolvimento dos países e, inclusive, em algumas partes do mundo, com um impacto negativo em termos de segurança.
As desigualdades fundamentais dificultam muito que as pessoas gozem de melhor saúde, educação e acesso à justiça. Estas desigualdades dificultam muito às pessoas ganhar um salário decente e viver com dignidade. Há mais de uma geração as receitas de 1% mais rico do mundo cresceram duas vezes mais do que as de 50% da fatia mais pobre.
Gostemos ou não, o aumento da desigualdade se tornou o rosto da globalização, gerando descontentamento, intolerância e instabilidade social, sobretudo, entre nossos jovens.
As pessoas perguntam, com razão: O que mundo é este no qual um punhado de homens — porque os mais ricos do mundo são homens, na extrema riqueza a desigualdade de gênero também existe — acumula a mesma quantia de riqueza que metade mais pobre da humanidade?
Ao mesmo tempo, a forma de viver e trabalhar se está transformando pelo efeito das tecnologias, desde a bioengenharia até a inteligência artificial e muito mais. Porém, devemos aproveitar o potencial da quarta revolução industrial e proteger-nos, ao mesmo tempo, dos riscos que mostra. Este é, provavelmente, o desafio mais difícil que teremos nas duas próximas décadas, fazer da quarta revolução industrial uma tecnologia de bem-estar e de progresso e não um risco que possa ter consequências muito negativas para a vida de nossas sociedades e nossas economias.
Em um mundo cada vez mais complexo e multipolar devemos redefinir o conceito de desenvolvimento, sobretudo, nas regiões em transição e nos países de receitas médias, como os da América Latina e o Caribe.
Parabenizo a Cepal por se associar à Comissão Europeia e ao Centro de Desenvolvimento da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico, para destinar um fundo de 10 milhões de euros para os países em desenvolvimento. Necessitamos uma economia mundial que beneficie todos e crie oportunidades para todos. Necessitamos uma globalização equitativa.
Para isto, prezados amigos, a Agenda 2030 é nossa contribuição fundamental. A erradicação da pobreza é e continua sendo nossa máxima prioridade. A Agenda 2030 é nosso mapa de desenvolvimento e seus objetivos e metas são os instrumentos para atingir esse propósito de banir a pobreza extrema.
Os objetivos de Desenvolvimento Sustentável esclarecem nossa ambição e nosso compromisso: empoderar as mulheres, conseguir a inclusão produtiva dos jovens, diminuir o risco climático, criar formas de trabalho decentes, mobilizar investimentos não poluentes para favorecer o crescimento inclusivo e oferecer dignidade e maiores oportunidades para todos, em um planeta saudável.
Neste aspecto o financiamento é fundamental. Na Agenda de Ação de Addis Abeba se destaca a importância de cumprir os compromissos relacionados à assistência oficial para o desenvolvimento; mas necessitaremos dessa assistência e muito mais. Por essa razão, a Agenda de Addis Abeba também exige que se intensifiquem as iniciativas e a inovação para mobilizar recursos e financiamentos adicionais para o desenvolvimento.
Igualmente, devemos apoiar os esforços que realizam os países para mobilizar seus recursos internos; mas esses esforços devem ser acompanhados de um compromisso mais firme pelo lado da comunidade internacional, para combater a evasão de impostos, a lavagem de dinheiro e os fluxos financeiros ilícitos.
Prezados amigos:
A coragem da Agenda 2020-2030 exige mudanças igualmente corajosas no trabalho e as atividades das Nações Unidas. Nossos esforços para recolocar o Sistema das Nações Unidas para o Desenvolvimento se baseiam na criação de uma nova geração de equipes dos países que apoiem os países, que reforcem a liderança nacional e promovam a vontade nacional para favorecer o desenvolvimento sustentável.
É nosso empenho criar um sistema que responda à demanda, focado em conseguir elevados resultados e informar acerca do apoio oferecido, para tornar realidade a Agenda 2020-2030. O apoio da Cepal é fundamental para ajudar os países da região a implementar a Agenda e o desenvolvimento sustentável.
E quero parabenizar a região pela apresentação de 19 relatórios nacionais voluntários que foram partilhados nos dois foros regionais acerca do desenvolvimento sustentável.
Devido a que o indicador por excelência do nosso sucesso são os resultados que atingimos para as pessoas que apoiamos, trabalhamos para que nosso apoio à integração regional e os esforços para aproveitar as oportunidades e enfrentar os desafios transnacionais se ajuste mais à realidade atual e às necessidades dos países.
Trabalhamos também com os dirigentes das comissões econômicas regionais para melhorar suas capacidades e mecanismos de cooperação, e neste âmbito, como muitos outros, a Cepal mais uma vez limpa o caminho.
Na reforma que promovemos nas comissões regionais, a Cepal é o modelo que queremos ver replicado em todas as outras comissões, em nível mundial.
Prezados amigos:
Percebendo estes desafios desejaria falar da ameaça sistemática à humanidade, as mudanças climáticas. Desafortunadamente, nesta região não se precisa falar das realidades das mudanças climáticas. Em 2017 os furacões foram os piores e destruíram décadas de desenvolvimento, em pouco tempo.
Visitei Dominica e Antígua e Barbuda, o nível de devastação foi o nunca visto na minha vida.
Acho que na região norte de Cuba também houve uma devastação trágica que jamais vi, mas a percebi rapidamente, e que afetou Cuba também.
Surpreendi-me pelas ideias da Cepal para transformar os pagamentos em investimentos nas moradias, particularmente para os pequenos estados insulares do Caribe.
Prezados amigos:
Os efeitos da mudança climática continuam se espalhando pelo mundo todo. Em 2017 o custo econômico total dos desastres relacionados ao clima bateu o recorde, com a quantia de US$ 320 bilhões.
A temperatura e o nível de acidez dos oceanos ultrapassam as de qualquer período de história escrita, e o vínculo entre as mudanças climáticas e a devastação causada pelo clima é evidente. Necessitamos adotar medidas coletivas para afastar-nos desse caminho que nos leva ao suicídio.
Em setembro de 2019, convocarei em Nova York uma Cúpula acerca do clima, na qual se reunirão líderes de todos os ramos, para cumprir os Compromissos de Paris, mas também para elaborar planos para o desenvolvimento sustentável mais ambiciosos, porque os Compromissos de Paris não são suficientes; planos que se baseiam no investimento em um desenvolvimento resiliente e baixo em carbono.
Prezados amigos:
Enfrentamo-nos a inúmeros desafios. Não obstante, um aniversário constitui uma oportunidade para fazer um balanço desses desafios e para festejar os sucessos, de forma que nos sirvam de inspiração no caminho para frente.
A história da Cepal é a história da luta pela justiça econômica e social dentro e fora da região, é uma história que nos lembra que não devemos render-nos nunca.
Vamos comprometer-nos a continuar criando, a continuar trabalhando e a continuar lutando por uma globalização equitativa, que não deixe ninguém ficar para trás.
Muito obrigado (Aplausos).







