ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Cerimônia de boas-vindas à brigada nórdica no acampamento Julio Antonio Mella. Foto: (cortesía ICAP), Karoly Emerson

«FAZENDO um balanço desde 2017 até hoje, é muito positivo o trabalho desenvolvido pelo movimento de solidariedade com Cuba na Europa», asseverou a diretora para a região europeia, do Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP), Gladys Ayllon Oliva.

Destacou que esses grupos solidários mostram um grande ativismo e solidez no trabalho, bem como seu avanço graças ao seu acionar contestatário e divulgação.

Assinalou que esses amigos da Revolução Cubana desenvolveram seu trabalho em meio da instabilidade econômica, política e social provocada pelo agravamento da crise estrutural capitalista, os conflitos internos, as migrações descontroladas, a ações terroristas e as políticas reacionárias e neoliberais aplicadas nessa região do mundo.

«Nisso também incide o enfraquecimento e fragmentação das forças da esquerda, que continua sem concertar espaços e estratégias para seu fortalecimento, para combater o avanço e afiançamento dos partidos de direita e ultraconservadores», explicou a diretiva.

Ayllon destacou que o movimento solidário europeu com a Ilha maior das Antilhas nasceu na década dos anos 60 do passado século e sempre foi integrado por pessoas que apoiaram desinteressadamente a Revolução Cubana e, inclusive, fizeram contribuições materiais.

«Em 2017 foram realizadas 1.546 atividades nesse continente, entre as que se deve destacar o 14º Encontro Estatal da Solidariedade com Cuba, em Bilbau, Espanha, em junho.

Disse que os principais assuntos debatidos nesse evento se relacionaram com a luta nos diferentes órgãos da mídia, para dar a conhecer a realidade cubana, seu socialismo, e também o apoio à Revolução Bolivariana da Venezuela.

Ayllon, também licenciada em Literatura e Língua Inglesa expressou que este evento foi desenvolvido pelo grupo encarregado do site www.Cubainformación.

Eles, com muita presteza e eficácia, ajudam a contestar as informações da grande imprensa internacional, incluindo a europeia.

Significou que a grande mídia do imperialismo tenta maximizar só as dificuldades cubanas e minimizar o impacto do projeto social desenvolvido na Ilha, apesar da aplicação da genocida política do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos contra o povo cubano e das novas medidas tomadas agora pela administração de Donald Trump para acirrá-lo.

«Ali se acordou criar uma ‘guerrilha comunicacional’ para travar uma batalha efetiva nas redes sociais», asseverou a dirigente. E disse que desse foro participaram, igualmente, cerca de 200 amigos da França, Suíça, Itália e de outras nações da União Europeia.

Lembrou que muitos movimentos de solidariedade pressionaram seus governos para propor moções parlamentares contra o bloqueio estadunidense a Cuba e um papel preponderante foi assumido pela Espanha, pois mais de 50 distritos e prefeituras recusaram a cruel política estadunidense. Assinalou que se realizaram 777 ações deste tipo em 37 países.

Relevante foi, acrescentou, a Campanha «Tiremos o Bloqueio», encorajada a partir de Madri e com repercussão na Grécia, Turquia, Rússia, República Tcheca, Ucrânia e Suécia, que convocaram constantes mobilizações em frente das embaixadas e consulados dos Estados Unidos no território europeu.

Manifestou que os grupos solidários conseguiram convocar personalidades e intelectuais cubanos para Alemanha, Bélgica, Chipre, Suíça e os países nórdicos, entre outros, para que dialogassem acerca das graves afetações humanas e materiais que ocasiona a unilateral medida coercitiva norte-americana que castiga toda Cuba.

Assinalou que especial reconhecimento merecem os amigos na Ucrânia, os quais apesar das condições tão hostis, de guerra, repressão e anticomunismo nesse país, continuam realizando os dias 17 de cada mês manifestações de apoio a Cuba em frente da embaixada dos EUA em Kiev.

Eles fizeram um enorme esforço e, inclusive, os amigos assentes na região ucraniana de Donbas, enviaram uma ajuda simbólica para os danificados cubanos pelo furacão Irma.

«Na Ucrânia existe um grupo chamado Amigos de Tarará, integrado por vítimas e familiares do desastre da usina nuclear de Chernobyl e que receberam atendimento médico em nosso país», sublinhou Ayllon.

Explicou que na Polônia se conseguiu, pela primeira vez em muitos anos, emitir uma declaração pública contra o bloqueio econômico e foi estabelecido o Grupo Parlamentar da Amizade com Cuba.

A funcionária do ICAP significou que o movimento de solidariedade com Cuba na Europa cresce, principalmente na região oriental, nos países que conformaram o outrora bloco socialista.

A esse respeito acrescentou que no Azerbaijão foi criado o Grupo de Amizade Juvenil José Martí, a organização Amizade de Jovens azerbaijanos e latino-americanos e o Museu do Livro em Miniatura.

Destacou que na Itália foi fundada a associação Pátria Socialista, entretanto na Bélgica a Associação de Amizade Iniciativa Cuba Socialista (ICS) adoptou o nome de Associação Amizade Cubana e foi criada a Coordenadora Nacional contra o Bloqueio e a Coordenadora de Solidariedade com América Latina.

«Dizemos que a solidariedade com Cuba é inversamente proporcional às condições de sus próprios países. Quer dizer, ao passo que houver mais hostilidade e maiores conflitos sociais, que repercutam na vida interna desses povos, pois mais será vista Cuba como um exemplo a seguir», acrescentou.

Outro país que desenvolve um excelente trabalho de solidariedade é o caso da Alemanha, onde funciona um grupo de amigos muito forte integrado a uma rede solidária, que trabalha com muita intencionalidade para denunciar o bloqueio e para consolidar projetos de ajuda material, inclusive para reforçar a participação das brigadas de trabalho voluntário que viajam a Cuba.

Gladys Ayllon Oliva destacou o impacto que teve a manifestação de cerca de 100 mil pessoas, organizada pela Associação Iniciativa Cuba Socialista em Bruxelas, durante a visita do presidente norte-americano Donald Trump a esse país.

Fez um reconhecimento aos amigos tchecos que subiram a montanha Milesovska, onde lançaram balões com as cores da bandeira cubana e emitiram uma declaração de apoio à Revolução e de condenação ao bloqueio econômico, que foi divulgada em várias redes sociais e a mídia alternativa.

A entrevistada mencionou, aliás, o projeto Medicuba-Europa, que envia à Ilha fármacos e matéria-prima para a produção de medicamentos, citostáticos e material sanitário descartável.

«Neste 2018, vamos efetuar na Eslovênia, o 27º Encontro Continental de Solidariedade com Cuba, de 23 a 25 de novembro próximo. O anterior foi realizado em Estocolmo, com a participação de representantes de 33 nações. Esperamos que o próximo tenha maior número de países participantes.

Manifestou que a sede do ICAP, em 2017, recebeu, no total, 605 amigos em visitas individuais e delegações oficiais.

«Nestes espaços se conversou sobre diferentes temas da atualidade cubana, explicaram-se as prioridades para o trabalho da solidariedade e a necessidade de reforçá-lo nas atuais circunstâncias», assinalou.

Já foi convocada a brigada europeia de trabalha voluntário José Martí, que anualmente viaja a Cuba no mês julho, e que será dedicada ao 55º aniversário do ataque aos quartéis Moncada e Carlos Manuel de Céspedes e será lembrado o invencível Comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz, pois foram programadas atividades em Santiago de Cuba, especificamente no município Segundo Frente. No mês de dezembro chegará a Nórdica ou brigada de inverno. Nesta ocasião comemorarão os 60 anos do triunfo da Revolução, em 1º de janeiro.

«Destacam-se nestas ações de solidariedade com Cuba, os gestos permanentes com outras causas justas, especialmente com a Venezuela e as atividades de homenagem e lembrança do legado do pensamento do nosso eterno líder e Comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz, de José Martí e do Guerrilheiro Heroico Ernesto «Che» Guevara. Destaca-se a vontade de continuar fortalecendo os espaços de debate político nessa região, permitindo-nos sem hesitar, continuar desenhando estratégias efetivas» concluiu Ayllon.

* Organizações do Movimento de Solidariedade com Cuba