ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

O furacão Irma é, possivelmente, o maior fenômeno climatológico que passou por Cuba. As perdas materiais para nada foram desprezíveis, sobretudo, porque durante sua passagem foram afetadas as zonas de maior desenvolvimento industrial e turístico do país. As afetações incidiram notavelmente na economia nacional; contudo, hoje são vários os exemplos que mostram uma recuperação evidente, principalmente quando falamos do setor turístico.

Por trás desta situação imperativa houve um reconhecido trabalho no item dos seguros em Cuba. Este serviço tem uma experiência de mais de 50 anos na Ilha e é representado pelas empresas Seguros Internacionales de Cuba, S.A (Esicuba) e a Empresa de Seguros Nacionales (Esen).

«Neste caso, Esicuba foi quem assumiu as ações de resposta durante este fato, já que alguns destes setores são seus principais clientes», segundo explica o diretor-geral da empresa, José Carlos Meijides Alfonso, durante uma entrevista concedida à Prensa Latina. Acrescentou, também, que nos 15 dias posteriores à passagem do Irma fizeram pagamentos valorizados em 33 milhões de CUC ao setor do turismo para se recuperar e começar o funcionamento das instalações afetadas.

«No caso da Esicuba é o maior pagamento que teve que fazer a empresa no decurso de seus 55 anos. A quantia taxada ultrapassa os 290 bilhões de CUC, no âmbito do orçamento empresarial. Contudo, é um recurso do qual a empresa dispunha para um momento como este. O setor turístico tinha todas suas apólices vigentes, por isso conseguimos fazer logo os pagamentos importantes», acrescentou a diretora de Desenvolvimento e Marketing, Eliana Domínguez Oropesa, durante a entrevista com o semanário Granma Internacional.

A experiência em anteriores fenômenos naturais permitiu fazer um trabalho rápido e organizado da parte da Esicuba. «Nestes casos», explicou Eliana Domínguez, «os trabalhadores da empresa junto aos inspetores e taxadores da Agência Internacional de Inspeção, Ajustes de falhas e outros Serviços conexos (Intermar S.A) e a Agência de Serviços Alfandegários (Adesa S.A) chegam aos lugares, avaliam as perdas e orientam os segurados acerca de como proceder. Mesmo quando conseguiram indenizar vários de seus clientes depois de Irma, ainda falta muito por fazer.

«É um processo que continua. Hoje, não conseguimos indenizar todos os afetados porque são quantias consideráveis de dinheiro. Igualmente, os pagamentos aos segurados foram feitos em função do que precisam e para ajudá-los no processo de recuperação», garante a diretora de Desenvolvimento e Marketing.

Em finais de 2017 a Seguros Internacionales de Cuba S.A, fez pagamentos à maioria dos seus clientes e para este ano 2018 pretende continuar.

REASSEGURAR O SEGURO

Garantir a segurança a qualquer negócio que se desenvolva em Cuba implica respaldar altas quantias de dinheiro. Falamos de bilhões que a Esicuba sozinha não pode assumir. É por isso que esta empresa cubana tem grandes volumes de valores também protegidos pelo seguro.

«O resseguro não é mais que o seguro da seguradora. Por esta via se partilha o risco e é um exercício que fazem todas as seguradoras no mundo. São relações que se estabelecem entre as resseguradoras e seus resseguradores. Assim, tem lugar uma participação conjunta entre todos os que fazem parte do negócio e se partilha o risco, para não ficarem sozinhos na eventualidade.

«A atividade do seguro está globalizada. Hoje, Esicuba tem resseguradores do mercado de Londres e da Europa Continental. Neste mecanismo, o único cuidado é relacionado ao bloqueio econômico, comercial e financeiro dos Estados Unidos contra Cuba. Nestes negócios não pode existir nenhuma participação do capital norte-americano. Geralmente, não acontece porque todos conhecem as implicações. Igualmente, o cuidado existe sempre pela parte de Cuba», explicou a diretora de Desenvolvimento e Marketing, Eliana Domínguez Oropesa.

OS SEGUROS EM CUBA

O seguro não tem nada a ver com uma atividade específica, mas com a existência de riscos e a possibilidade de uma perda. Em nível empresarial garantir a continuidade de um projeto, sua operação, autonomia e eficiência depende, em boa parte, do seguro. É ele o que garante que não se tenha que derivar capital de crescimento para recuperar, reparar ou solucionar determinado problema.  

«O seguro fornece esse capital adicional. Alguém compra uma apólice e é protegido perante uma situação de perda, para não ter que utilizar o dinheiro destinado para sua atividade produtiva. Esse seguro permite a continuidade de recuperação, de uma forma mais rápida e a entrada de uma quantia extra a essa atividade empresarial», asseverou Eliana Domínguez.

Em Cuba, na atividade do seguro acontece a mesma forma que no resto do mundo. A única diferença é que a Esicuba conhece, identifica e também está pronta para a economia cubana. Seu trabalho concorda com os padrões internacionais e suas relações com o setor do mercado de seguros e resseguros têm alcance internacional.

«Após triunfar a Revolução, teve lugar uma mudança radical no mercado e na organização do seguro em Cuba. As transformações econômicas e o desenvolvimento dos programas sociais encontraram forte oposição no setor assegurador. Uma grande quantidade de proprietários e executivos das mais de 170 empresas de seguros existentes abandonou o país; cerca de 50 foram nacionalizadas, outras fecharam suas operações ou se mantiveram inativas e muitas cancelaram seu acesso ao mercado cubano», explicou o diretor-geral da Esicuba. José Carlos Meijides Alfonso,

«Neste contexto», acrescentou Meijides, «a ideia era proteger os interesses dos assegurados e do país. Esicuba tornou-se a primeira empresa estatal socialista dedicada aos seguros, necessários para o desenvolvimento do comércio exterior, membro de organizações internacionais e executora das reclamações e resseguros necessários.

Durante seus primeiros anos, a Esicuba protegeu mediante os seguros os bens e valores do Estado cubano ligados à atividade econômica internacional do país; a aeronáutica civil, o comércio exterior, os navios mercantes e pesqueiros, as propriedades cubanas no estrangeiro. Trabalhou para recuperar a confiança do Mercado Internacional de Resseguros e evitar a fuga de divisas, após assumir as funções de Resseguradora nacional.

SETORES ESTRATÉGICOS SOB O SEGURO  

No decurso dos anos e com as transformações socioeconômicas do país, Esicuba também se desenvolveu. Hoje, mais de 40 produtos da empresa contribuem para o desenvolvimento econômico do país e seus principais setores.

«Temos acompanhado o desenvolvimento da aviação civil cubana, o crescimento das frotas, a abertura de novas linhas aéreas e o crescimento dos aeroportos. A Esicuba faz parte de todo o desenvolvimento incluindo o serviço de catering, que se oferece a todas as linhas aéreas que voam para a Ilha», asseverou a diretora de Desenvolvimento e Marketing, Eliana Domínguez.

Esicuba continua contribuindo para o comércio exterior cubano, e seus clientes são os grandes importadores e exportadores. O trabalho que se realiza, em parceria com o Ministério do Comércio Exterior e o Investimento Estrangeiro (Mincex) é tornar mais visível Cuba no mercado e que todas as importações e exportações do país estejam acompanhadas de um seguro nacional.

«No setor do turismo o assunto dos seguros surgiu nos anos 90. Desenvolveram-se os seguros de hotéis e junto deles os serviços ao turista, muito conhecidos como Seguro de Atendimento ao Viajante (Viagens IN). Além do mais, surgiram os seguros de Gastos Médicos para todas as pessoas que moravam ou que começavam a viver em Cuba», acrescentou Eliana Domínguez.

A atividade dos seguros sentiu a pressão da parte estrangeira e cada vez mais surgiam setores que a necessitavam. Na indústria e as telecomunicações também se trabalhou. Os seguros associados às perfurações de poços em terra surgiram em menor nível, relacionados, sobretudo, ao controle dos poços. No ano 2000 se avançou ainda mais na indústria do petróleo e o último grande trabalho foi em 2012, quando começaram as perfurações no alto mar.

«No mundo todo, o setor empresarial e todos os negócios estão acostumados a ter seguros. Ninguém tem a ousadia de se aventurar em um empreendimento se não tem um capital que o respalde. Por isso, todos os estrangeiros que entraram ao país procuravam esse serviço», comentou a diretora de Desenvolvimento e Marketing.

A Esicuba participou de todos os negócios cubanos, como garante e apoio à atividade empresarial nacional e os investimentos no país focados em nível mundial. Nesta empresa hoje pode ser achado um seguro para todas as atividades empresariais que se desenvolvem, um benefício que também tem seu impacto na economia.

Na Pasta de Oportunidades apresentada na Feira de Havana 2017-2018 foram incluídas duas opções de negócios para o setor dos seguros. Um deles associado ao Seguro de Crédito e Caução, e outro ao Seguro de Vida, que comercializa a Esen. Relativamente ao primeiro, o diretor-geral da Esicuba explicou que se pretende criar uma empresa mista de Seguros de crédito, onde a Seguros Internacionales de Cuba vai estar associada.

«Este é um seguro que funciona sobre a atividade comercial e creditícia de uma empresa. Funciona quando existe algum problema entre ambas as partes. Geralmente, desenvolve-se com os bancos e com as relações comerciais bilaterais entre empresas.

«Outo aspeto são os Seguros de fiança. É uma modalidade relacionada com as licitações de contratos, onde o seguro, em determinadas condições, responde pela empresa que licita. É muito importante, sobretudo, quando se realizam investimentos com capital estrangeiro porque reflete transparência em um terceiro membro», explicou Eliana Domínguez.

SEGURAR MAIS CADA DIA

«No novo modelo econômico que desenvolve Cuba vem se promovendo uma empresa autônoma e eficiente, e nesse caminho o seguro é fundamental. É uma ferramenta que possuem os empresários para dar garantia e segurança à atividade que se está desenvolvendo. O melhor exemplo de como as empresas podem ressarcir-se, recuperar-se e ter disponível um capital quando existem as perdas, que é a finalidade pela qual é contratado um seguro.

«Em casos de grandes perdas como Irma, Esicuba demonstrou o benefício que pode ter o seguro para a economia nacional. Recuperar-se financeiramente demorará, porque foi um impacto importante para a empresa e o país, mas até o momento estamos nesse processo e não parou a subscrição de riscos. Os segurados continuam com seus valores na Pasta de Negócios», acrescentou Domínguez.

Acerca do tema dos setores estratégicos, a diretora de Desenvolvimento e Marketing asseverou que hoje se realizam muitas ações para proteger os novos processos de investimento e desenvolvimento de novos setores. Na Saúde, Biocubafarma e a Energia Renovável se desenvolvem há pouco. No entanto, o pessoal de Esicuba se capacita e toma os conhecimentos para desenvolver a atividade, segundo os novos interesses do país, tal como aconteceu em anos anteriores.

Por seu lado, o diretor-geral da Esicuba, José Carlos Meijides Alfonso, assinalou que o primeiro desafio que têm é espalhar em Cuba a necessidade do seguro, como instrumento real de garantia para as pessoas jurídicas e naturais.

«É preciso criar espaços no âmbito nacional para fomentar a cultura dos seguros no país. É este nosso maior desafio nos próximos anos. Incrementar a necessidade do seguro em Cuba, em sentido geral e no setor empresarial, particularmente. Nesse propósito, planejamos incrementar os mecanismos de comunicação e promoção com o mercado e o serviço aos segurados», acrescentou o diretor-geral da Esicuba.

Acerca deste mesmo assunto, acrescentou a diretora de Desenvolvimento e Marketing, trabalha-se focado no setor privado da Ilha. Para isso se elaboram os primeiros produtos para satisfazer os requerimentos desse âmbito de trabalho, que inclui também as cooperativas não-agropecuárias.

Relativamente às estratégias de expansão, Meijides acrescentou que tencionam obter maior rendimento financeiro a partir dos fundos que possui a Esicuba, bem como desenvolver mecanismos de mercado segundo os interesses de Cuba e seu desenvolvimento econômico.

A atividade dos seguros em Cuba resulta inerente ao processo de atualização do modelo econômico. Perante o marcante interesse no investimento estrangeiro e o setor empresarial, este serviço representa uma garantia que também torna credível a estabilidade dos negócios com Cuba.