ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

A reconfiguração dos poderes globais, o aumento das pugnas geopolíticas entre países e regiões, a exacerbação da concorrência entre os centros de poder e a maior força de atores não estatais no palco mundial, são algumas das tendências que hoje estão marcando o cenário político global.

Na opinião de especialistas, o sistema internacional (sobretudo a partir da crise económica iniciada em 2008) está em transição e faz profundos reajustes, pelo que a instabilidade e a vulnerabilidade caracterizam atualmente as relações políticas.

Para o mestre em Ciências Juan Ángel Cordero Martínez, especialista do Centro de Pesquisas de Política Internacional, adstrito ao Ministério das Relações Exteriores, a lista de tendências que hoje determinam o cenário mundial inclui também o incremento do ativismo e a internacionalização dos grupos terroristas.

«Isto serve de pretexto para ações agressivas por parte dos Estados Unidos, a OTAN e outras potências, de maneira independente ou sob o mandato de organizações internacionais como a ONU, outras de caráter regional ou as coalizões».

Por seu lado — acrescenta — «continuam as situações bélicas com participação de grupos terroristas em países como a Síria, Líbia, Afeganistão, Iêmen, Nigéria, Chade, Somália, Mali e outros».

Não menos perigosos, pelo efeito imediato que produzem nas grandes massas, são neste contexto a evidente virada à direita nos ambientes políticos e a hegemonia das grandes multinacionais midiáticas. «Por esse meio — assegura Cordero Martínez — garantem a manipulação e o controle das sociedades».

QUE ACONTECE NA AMÉRICA LATINA?

Durante a primeira década do século 21 em vários países da América Latina e o Caribe, movimentos de esquerda e governos progressistas projetaram alianças estratégicas e políticas sociais que favoreceram a cooperação Sul–Sul e beneficiaram amplos setores da população.

Nos últimos anos, contudo, os setores oligárquicos ocuparam posições que lhes permitem reverter os avanços sociais, continuam os ataques a partir de organizações regionais contra os governos de Cuba e Venezuela, ao tempo que se retoma a Doutrina Monroe na política externa estadunidense.

O especialista do Centro de Pesquisa de Política Internacional reconhece que a crise sistémica do capitalismo e as mudanças de correlação de forças políticas na região «impactaram os processos de concertação política, cooperação e integração econômica».

«É importante para os movimentos sociais e políticos, para os governos progressistas de esquerda, a elaboração de estratégias e as táticas resultado de uma análise crítica e objetivo da evolução da crise do sistema mundial e dos diferentes processos que acontecem no sistema internacional; bem como ter clareza da estratégia dos Estados Unidos e seus aliados na recomposição e reconfiguração do sistema de dominação em escala global em um mundo que também é disputado por um grupo de potências emergentes».

UM OLHAR AO ORIENTE

A China — não apenas porque o refiram os especialistas, mas porque assim o constatam os fatos — hoje tem uma presença mais ativa na América Latina e o Caribe, e prova disso é o interesse em construir uma Rota da Seda até esta região.

«Hoje para Ocidente é estratégico parar a China e para isso tem que impedir que consiga estabelecer todos seus nexos de relações, em escala global, como tem projetado», comenta o especialista em Política Internacional.

«Hoje a China disputa a América Latina aos Estados Unidos. Para alguns países é o principal parceiro comercial e de relações de todo tipo, inclusive para aliados dos EUA e é uma preocupação séria para o império o posicionamento que está tendo este país na região.

«A China também teve um posicionamento na África e isso para os europeus é muito perigoso e para os interesses geoestratégicos dos Estados Unidos realmente é imperdoável», afirmou.

A BATALHA DE CUBA

Sem dúvida, para a Ilha maior das Antilhas o cenário político internacional é bastante complexo, provavelmente tanto como foi em seu momento o desaparecimento do bloco socialista nos países da Europa do Leste.

Manter a independência e a soberania nacional continua sendo primordial para levar à prática as Diretrizes da Política Econômica e Social do Partido e a Revolução e para alcançar a sociedade próspera e sustentável à que aspiramos.

«Cuba tem que continuar batalhando para manter as transformações de nossa Revolução. (…) Nossa economia, as transformações econômicas que nos propusemos, as projeções até 2030, todo o trabalho que estamos realizando de atualização de nosso modelo econômico, tudo tem que estar à altura das mudanças (no cenário político internacional). Todo o processo de padronização dos sistemas judiciários da América Latina aos interesses norte-americanos, foi projetado por eles desde o fim da década de 1990 e hoje — na segunda década do século 21 — é que estamos experimentando essas transformações».

Resta aos países da região defender seus direitos, seus recursos e sua soberania, pois toda a recomposição das potências ocidentais não traz nada bom para os povos do Sul.