Brigadistas da Europa e Porto Rico apoiam causas de justiça social para Cuba e para o mundo › Cuba › Granma - Organo ufficiale del PCC
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De Porto Rico a professora Eva Lourdes Ayala Reyes e o cantor Nelson Monterola Trinidad. Photo: Nuria Barbosa León

COM o objetivo de celebrar com os cubanos a data de 26 de julho, em memória do 65º aniversário do ataque ao quartel Moncada, amigos da Europa e Porto Rico executaram um intenso programa de atividades, integrados à 48ª edição da Brigada Europeia José Martí, e à 28ª da brigada Juan Rius Rivera.

O aniversário lembra o ano de 1953, quando um grupo de jovens comandados por Fidel Castro Ruz atacou em Santiago de Cuba a segunda maior fortaleza militar do país, em uníssono com outras ações de combate no hospital Saturnino Lora, no Palácio da Justiça e no quartel Carlos Manuel de Céspedes de Bayamo, com o objetivo de pegar em armas e convocar o povo para lutar contra o regime ditatorial de Fulgencio Batista, daí a nomeação do Dia Nacional da Rebelião.

Instalados no Acampamento Internacional Julio Antonio Mella, localizado em Caimito, município da província ocidental de Artemisa, os brigadistas de 13 países europeus, além de visitar o território de Santiago, fizeram trabalhos agrícolas, receberam palestras sobre atividades sociais, econômicas e culturais Eles trocaram com trabalhadores e camponeses nas cooperativas agrícolas e foram recebidos em um projeto comunitário ecológico.

O alemão David Wende garantiu ao Granma Internacional que veio à brigada com um grupo de jovens pertencentes ao grupo Interbrigada, levando uma doação para a academia de boxe Rafael Trejo, localizada em Havana Velha. Eles querem ajudar a restaurar a instituição e, portanto, darão um ringue, equipamento para treinamento e equipamento esportivo.

Seu grupo praticava o esporte em Berlim e conheceu o centro de boxe, por meio da Associação de Amizade da Alemanha-Cuba e a organização Cuba Sim. Juntos, reuniram verbas para ajudar ao desenvolvimento do esporte cubano, como têm feito anteriormente com a Venezuela e a Bolívia, em solidariedade com os processos de mudança que se afastam do capitalismo.

«Nós gostaríamos que os jovens alemães que participam deste projecto conhecessem a realidade e a história de Cuba e, por essa razão, nós os convidamos a vir a esta brigada para também dar sua contribuição no trabalho voluntário e contem aos cubanos a dura verdade do continente em que vivemos», disse o ativista social que estuda um mestrado em química e traduz artigos de revistas especializadas para o espanhol.

A seu critério, o setor juvenil de seu país desperta diante das falácias do capitalismo e está integrado na luta pela paz e contra as guerras geradas no Oriente Médio. «Nossa juventude tem o ímpeto de impulsionar a mudança, precisamos de unidade e um programa mais claro para dar continuidade às nossas aspirações», concluiu David Wende.

Da esquerda para a direita David Wende da Alemanha, Lukia Konstantinu da Grécia e Eduardo Fonseca de Portugal. Abaixo Hese Loveira (Bélgica), Niccoló Matellini (Itália) e Nuria Rodríguez Lázaro (Espanha). Photo: Nuria Barbosa León

Com ele coincide a grega Lukia Konstantinu, residente em Atenas. Ela vem pela quarta vez à brigada, como forma de expressar seu apoio incondicional ao povo da Ilha maior das Antilhas. «Eu pertenço em Grécia à Associação Cultural José Martí, que faz trabalho de solidariedade com Cuba e promove a participação em brigadas voluntárias de trabalho, em apoio à Revolução», disse Lukia, que é professora de espanhol.

Sua organização apoia as causas justas do povo cubano, o respeito pela sua soberania, denuncia o criminoso bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos à Ilha caribenha e divulga a realidade cubana em diferentes meios de comunicação.

«Recentemente, lançamos o livro A História me absolverá na língua grega e lá geramos uma polêmica para mostrar os sucessos alcançados por Cuba. Nas redes sociais, nós cuidamos do site da rede de solidariedade grega, onde publicamos notícias, artigos e comentários deste país e adicionamos materiais dos processos sociais que são vividos na América Latina», disse Lukia Konstantinu.

Da mesma forma, o português Eduardo Fonseca pertence à Associação de Amizade Portugal-Cuba, que existe há mais de 40 anos e cuja principal tarefa tem sido informar sobre as verdades do socialismo cubano, a fim de neutralizar as falsas divulgações e mentiras das campanhas midiáticas.

Eduardo, aposentado do setor bancário e líder sindical por muitos anos, vem pela nona vez ao acampamento porque ele tem o prazer de conviver com pessoas de outros países e trocar com eles sobre a dura realidade do capitalismo atual. «Eu gosto do programa a ser desenvolvido nas brigadas. À tarde, recebemos palestras de especialistas cubanos sobre vários assuntos, e essa informação é muito útil para transmiti-la depois em Portugal», acrescentou.

Sente uma grande alegria porque, pela primeira vez, visitará Santiago de Cuba e homenageará o comandante-em-chefe Fidel Castro e o líder da independência, José Martí, no cemitério de Santa Ifigênia.

Com essas mesmas razões vem Hese Loveira, da Bélgica em sua primeira visita à maior ilha do Caribe. Ela conheceu a convocação da brigada pela organização Cubanismo, que a publicou na internet. Após seu retorno, ele planeja se aproximar da organização e participar de suas atividades.

Entretanto, o italiano Niccoló Matellini sempre foi motivado a integrar a brigada porque sua mãe fez parte dela em 1973 e contou muitas vezes dos momentos vividos no campo com fotos tiradas nos campos ao redor, trabalhando na agricultura.

«Estou interessado na história de Cuba e na luta pela manutenção da Revolução. Acho que tenho uma dívida e só posso cumpri-lo nesta minha primeira viagem», disse o jornalista da Rádio Cora, em Florença. Como parte de sua profissão, ele entrevistou personalidades cubanas que visitaram sua cidade, como Aleida Guevara, filha de Che Guevara e outros artistas.

Niccoló Matellini quer conversar com seus colegas da brigada e com os cubanos que se aproximam dele sobre a realidade de seu país. «Sofremos as consequências das medidas neoliberais com o aumento do desemprego, devido ao desequilíbrio econômico, o que gera maiores níveis de pobreza e desigualdade. As famílias carecem de recursos para pagar a saúde e a educação», disse.

Situação semelhante é sentida na Espanha, segundo Nuria Rodríguez Lázaro, moradora de Madri, trabalhadora de um supermercado, apesar de ter concluído seus estudos universitários. Pela corrupção política e outros males do capitalismo existe um nível de descontentamento na população que hoje vem se organizando de diferentes maneiras para resistir e lidar com tanto fardo.

Os brigadistas europeus aprenderam sobre a situação colonial de Porto Rico em uma de suas atividades, compartilhando com os membros do contingente solidário Juan Rius Rivera, onde se afirmou que hoje governa naquele país um Conselho de Controle Fiscal nomeado pela administração de Washington que impõe maiores cortes econômicos.

VOZES LATINO-AMERICANAS

Isto foi reconhecido pela professora Eva Lourdes Ayala Reyes: "Neste momento, 266 escolas serão fechadas e por causa disso uns 60 mil estudantes terão que ir para outras escolas ou ficarão sem educação. Professores permanentes recebem a condição de excedente, também conhecida como ‘recurso disponível’, e hoje essa força de trabalho não é realocada em nenhum outro lugar. Supomos que eles eliminem cerca de 7.500 empregos em nossas instituições», enfatizou.

Ela mora na cidade de Comerios, no centro de Porto Rico, desde muito jovem, atuante nas organizações sindicais de base e diante da crise gerada, formou um amplo front sindical para defender as escolas públicas, estabelecendo uma voz de unidade solidária entre todos os trabalhadores.

O mesmo compromisso é assumido pelo cantor Nelson Monterola Trinidad, que cultiva rap, hip-hop e outros gêneros musicais com cartas de denúncia e compromisso social. «Com a minha música, posso fazer com que os outros entendam por que devemos lutar pela independência e informar as pessoas sobre a situação colonial a que nos submeteram», arguiu.

Ele reconheceu o apoio recebido por parte de Cuba nessa luta pela independência e se sente feliz por esta sua primeira viagem à Ilha maior das Antilhas. «Quero dizer aos cubanos e ao mundo que nossas forças políticas não estão enfraquecidas, ao contrário, agrupam mais pessoas e crescem com grande força. Os jovens participam com ímpeto e com o compromisso de levar justiça ao nosso povo», disse o artista.