
TENDO como motivo o uso de uma peça de roupa que se tornou parte da identidade dos cubanos, na província de Sancti Spiritus nasceu, em 4 de junho de 2012, o Projeto de Desenvolvimento Local, a Casa da Guayabera, como uma forma defender a cultura da comunidade e beneficiar a população com propostas artísticas para seu desfrute e recreação.
Guayabera é assim chamada uma camisa com mangas curtas ou compridas, fresca, charmosa e elegante, utilizada por fora das calças, com quatro bolsos frontais, duas fileiras de pregas no peito e três nas costas, com pequenos botões incluídos.
Sua origem ainda é um mito popular, mas vários historiadores concordam ao assegurar que pertence a uma cidade vizinha do rio Yayabo, que era usada nas celebrações, eventos públicos, serviços da igreja e funerários, daí seu nome como yayabera.
Um dos presidentes da década de 40 do século passado, Ramón Grau San Martin, converteu-a em veste oficial e também foi utilizada pelo senador Eduardo Chibás defensor de várias causas justas do povo cubano. Entretanto, o renomado intérprete da Guantanamera, Joseíto Fernández, e o músico Benny Moré, também popularizaram a guayabera entre a população.
Muitos motivos tem Sancti Spiritus para declarar a guayabera o centro de um projeto de revitalização cultural que vários intelectuais, liderados pelo jornalista e apresentador da rádio Carlos Figueroa e a promotora Helena Farfan, apresentaram à Diretoria Provincial da Cultura, que o aceitou, a fim de enriquecer a vida cultural e social da província.
Para o especialista da Casa da Guayabera, Luis Ernesto Baracaldo Rodríguez, é uma história que remonta ao ano 2007, quando um grupo de artistas e acadêmicos de Sancti Spiritus fez ações de promoção cultural no distrito de Jesus Maria, habitado desde o século XVIII pelos estratos sociais mais desfavorecidos da cidade.
«Estas pessoas, em uma determinada data do mês, de preferência um fim de semana, invadiam as ruas com shows, exposições, teatro de rua, desfiles de moda com o uso da guayabera, pintavam murais nas fachadas de casas e outras ações para apoiar essa comunidade», disse Luis Ernesto, também engenheiro em Ciências da Computação.
Para o ano de 2010, após o 6º Congresso do Partido Comunista de Cuba, fez-se um apelo à abertura de iniciativas culturais com possibilidades de transformação social e de autogestão, e o governo da província Sancti Spiritus resolveu adotar a Casa da Guayabera.

A herdade Quinta Santa Elena, anteriormente utilizada como restaurante da rede turística Palmares, foi entregue como sede. Esta casa, construída em 1868, sofreu várias mudanças de acordo com suas funções sociais. Foi pensada como casa de descanso de uma família rica, mas foi usada como um bordel e depois um lar de idosos. Sofreu o maior dano quando vieram morar ali várias famílias, em cada um de seus quartos.
Recebeu sua primeira reconstrução estrutural quando se determinou abrir lá um restaurante. E outra ao ser a sede da Casa da Guayabera, onde também foram restaurados os pátios e áreas circundantes, respeitando a estrutura do edifício. A inauguração do projeto teve lugar no quarto dia de junho, coincidindo com a data de fundação da cidade de Sancti Spiritus.
«O coração da nossa instituição é uma sala de museu que contém uma coleção de mais de 250 guayaberas, pertencentes a personalidades do mundo todo. Aqui temos guayaberas usadas pelo Comandante-em-chefe Fidel Castro, seu irmão, o general-de-exército Raul Castro. De comandantes do Exército Rebelde e da Revolução, como Ramiro Valdés; de Georgina Leyva Pagán, capitã da guerrilha na Serra Maestra; de Julio Camacho Aguilera também membro do Exército Rebelde e do comandante Armando Acosta Cordero. Também temos guayaberas de personalidades internacionais como Hugo Rafael Chávez Frias, o escritor Gabriel García Márquez, o ator Danny Glober, dos presidentes Rafael Correa e Evo Morales, o reverendo Lucius Walker, e de representações de todos os campos da sociedade como médicos, atletas, artistas e outras pessoas notáveis», comentou Baracaldo Rodríguez.
Acrescentou que eles também coletam cartas, fotografias e objetos pertencentes a essas pessoas. E reconheceu que devido ao tamanho da sala-museu só é possível expor até 20% do total das guayaberas coletadas, portanto, tendo em conta a proximidade de uma data comemorativa ou evento realizado no país, a cada 90 dias as roupas são alteradas nas vitrines.
As áreas externas que cercam o edifício são utilizadas para as comemorações de aniversários, festas de 15 anos, casamentos, atividades festivas de uma empresa e eventos acadêmicos, como espaços alugados.
Também se oferecem serviços de bar e café, com a venda de diversas iguarias e há um programa variado para que artistas da comunidade exponham sua arte ou o dia é dedicado a um determinado tipo de música como a anglo-saxona, a trova ou a música clássica. Nos meses de verão, oferecem cursos e oficinas destinadas a crianças e jovens.
«Com a ajuda do Clube de Computação e Eletrônica para Jovens e outras empresas, estamos projetando um museu interativo para que os visitantes não só olhem as guayaberas, mas também, através de seus celulares possam acessar a informações que não são mostradas, mas que mantemos armazenadas em nossos arquivos», disse o especialista.
É por isso que patrocinam a feira de tecnologia Guayabera 5.0, onde ligam as novas tecnologias de comunicação para criar um espaço de exposição e fornecer informações atualizadas sobre o assunto. Ademais, fizeram um dia da cultura japonesa porque nessa região de Cuba se assentaram várias famílias desse país asiático e seus descendentes mantêm suas tradições.
O horário do museu é das terças aos domingos, a partir das 10h00 da manhã às 17h00, enquanto as atividades culturais começam às 20h00 até a meia noite. Atualmente, têm um público receptivo e entusiástico que preencheu todos os espaços e que começa a assumir aquela vestimenta típica também como um nexo de sua cidade com o resto de Cuba, o Caribe e o mundo.





