ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Escassas horas depois do desastre chegaram o trabalho, a entrega diária e a solidariedade multiplicada. Foto: Miguel Febles Hernández

CAMAGUEY.— Nestes dias, há apenas um ano, grande parte do território nacional, com maior intensidade na costa norte, sofreu a devastação do tristemente célebre furacão Irma, um verdadeiro vendaval de água e vento que interrompeu em poucas horas a vida de milhões de cubanos.

Em seu destructor «paseio» ao longo do arquipélago, o meteoro atingiu com especial crueldade mais de 50 assentamentos agrícolas e costeiros dos municípios de Esmeralda, Sierra de Cubitas, Minas e Nuevitas, embora suas investidas eram sentidas, com mais ou menos força, em toda a província.

Para quem agora percorre esses lugares, é difícil imaginar o panorama deprimente e dessolador deixado na sua passagem pelo ciclone, qual peculiar máquina limpadora de capim, de árvores, postes elétricos e telefônicos, casas, fábricas, escolas, instituições culturais e esportivas, adegas, padarias e culturas de todos os tipos.

Uma imagem desconcertante que ainda perdura na mente dos seus povoadores como um terrível pesadelo, só superada por uma realidade esperançosa repetida várias vezes entre aqueles que viram desaparecer naquela madrugada nefasta suas casas e pertences «pelo menos estávamos todos vivos».

No entanto, escassas horas depois do desastre, para espantar de raiz as lamentações, o pessimismo e a falta de ação, um conceito animador: em vez de falar do Irma, sua destruição e perda em qualquer lugar, só se admitia mencionar um furacão e era de trabalho, entrega diária e solidariedade multiplicada.

Essa filosofia logo se espalhou nestas planícies, para se tornar um gigantesco e laboriosos polígono construtivo, onde milhares de trabalhadores e comunidades camponesas se reuniram para limpar primeiro e, em seguida, acometer um ambicioso programa de construção de moradias de vários tipos.

Quase das ruínas emergiu também a comunidade Jaronú (hoje Brasil), em Esmeralda, uma façanha que permitiu salvar aquela valiosa joia da arquitetura e o urbanismo cubanos. Foto: Miguel Febles Hernández

Lombillo, Moscú, Jiquí, Maduro, Los Pilones, Palma City, Puerto Piloto, La Gloria, Lugareño, Praia Florida... são apenas alguns dos exemplos mais visíveis das comunidades onde se testou a capacidade de um povo, sob o signo da unidade de ação mais estreita, para superar as derrotas e avançar.

Quase a partir das ruínas também emergiu a comunidade Jaronú (hoje Brasil) em Esmeralda, uma façanha que permitiu salvar esta preciosa joia da arquitectura e do urbanismo cubano, beneficiando também 230 famílias e 18 instituições do Estado, o que lhe valeu este ano o Prêmio Nacional de Restauração.

Para realizar tão grande trabalho construtivo e sustentar sua preservação, ao longo da província foram recuperadas fábricas de telhas e processadoras de areia, além de intensificar-se o processamento local de materiais de construção, presente hoje em 53 dos 83 conselhos populares previstos, nos quais funcionam 101 centros produtores.

Tais ações, mais a resposta oportuna do Estado com os recursos materiais e financeiros necessários solucionaram, até agora, 19.299 das mais de 43 mil afetações de vários tipos de casas e 91% dos danos causados a instituições estatais do território.

É um esforço colossal, que não culminará até que a última das famílias afetadas receba a atenção que merece e todas as instituições econômicas e sociais recuperem sua capacidade de agir em um ambiente que se prevê muito mais aconchegante e funcional do que antes da passagem do furacão Irma.

MORADIAS
QUANTIDADE
                   RESOLVIDAS                     %

Total de danos                        43338                       19299                        44

Total colapsos                           4626                        1707                        37
Colapsos parciais                       3006                          811                         27
Impacto total do telhado             7231                        4847                         67
Efeitos de teto parciais                965                       11628                         43

INSTITUIÇÕES DO ESTADO:
TOTALMENTE RECUPERADAS:

Redes elétricas
Comunicações
Aqueduto
Turismo
Saúde pública
Serviços Comunitários

PARCIALMENTE RECUPERADAS:

Educação                 289  de  297
Cultura                     45  de    47
Esportes                   60   de    68
Minal                        53   de    55
Negócios                 333   de   422
Alimentar                  65  de     65
Transportes                 2  de     27
Mindus                       16  de    17
Agricultura              1305  de  1426
Azcuba                        5  de      7