ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
A maior vantagem de um jovem cumprir missão é aperfeiçoar sua formação. Foto: Yander Zamora

CARACAS.— Enquanto via o nosso embaixador, Rogelio Polanco Fuentes, liderar a cerimônia de apresentação e juramento da Comissão Eleitoral Especial da Venezuela para o exercício soberano do referendo da Constituição da República, que será realizado aqui em 16 de fevereiro, pensava nos férteis diálogos que, sobre o assunto, já tinha mantido com vários colaboradores.

Assim, quando apresentou Juan Ricardo Poll Gean como o presidente desta circunscrição e Zoe Hernández Portales como a secretária, ambos na frente de nove vocais, já vários deles — comigo, com este, com aquele... — tinham comentado sobre o exercício.

«A Venezuela é sempre especial para Cuba»: como disse o embaixador, só neste país também funcionarão comissões estaduais, de maneira que em nenhuma dessas 24 demarcações territoriais — que irá adicionar 698 mesas eleitorais — fique fora do pronunciamento um dos 23.300 colaboradores previstos.

Na própria cerimônia, realizada no maior assentamento residencial de cubanos no país, Julio César García Rodríguez, chefe do Escritório de Atenção às Missões (OAM) sociais aqui, referiu a importância do voto em conformidade com a missão internacional em um país em luta e comentou os dias especiais, quando o referendo terá lugar em Cuba, onde acaba de se deslocar, em suas palavras, a segunda Caravana da Liberdade: «a continuidade da Revolução chefiada por nosso presidente Díaz-Canel e mantém as ideias de Martí, Fidel e Raúl».

CIRCUNSCRIÇÃO DA DIGNIDADE

Depois de uma longa trajetória como líder da juventude e do Partido em Camaguey, Juan Ricardo Poll Gean foi designado, em sua primeira missão internacional, como um dos vice-chefes do Escritório de Atenção às Missões, mas aos desafios que implica se acrescentou servir como chefe do Posto de direção da OAM para o processo de discussão do Projeto de Constituição, que envolveu 21.238 trabalhadores internacionalistas, incluídos no número, como uma outra peculiaridade «venezuelana», 942 colaboradores reincorporados; isto é, que por algum motivo residiam no país, mas retornavam à Missão Médica nas condições em que esta atua. Agora, Poll também é presidente dessa circunscrição da dignidade.

«Participar daqui mostra a decisão dos cubanos de defender o que temos e contribuir para preservar o progresso de sua Revolução na Venezuela. Votando no Sim pela Constituição asseguramos que Cuba permanecerá livre para sempre e nós mostramos ao povo venezuelano que, diante da adversidade, há chances de encontrar formas de avançar», assevera.

Poll sabe que, em sua biografia e na de milhões, esta Carta Magna imprimirá linhas indeléveis: «É um privilégio, um fato único; tomara que tenhamos vida para ver outro processo semelhante, mas este é histórico. Sempre me lembrarei da contribuição que fiz aqui junto aos meus irmãos e me comprometo a defender a Magna Carta, a contribuir para sua real implementação, a colocar nossos benefícios nela, com deveres e direitos. Esse é o meu compromisso, o da minha família, o dos cubanos... manter o legado de Fidel para defender a pátria sob qualquer circunstância».

Com a herança patriótica que temos, que pátria estamos construindo, linha por linha...

«A ideal para os cubanos, a que defendemos. Aquela que Fidel queria e temos que guardar para sempre. A Constituição tem essas ideias e merece nosso compromisso», conclui.

CUBA SOB QUALQUER CÉU

Em sua sexta missão internacional — esteve antes na Venezuela, mas também em Angola, Etiópia, Paquistão e Bolívia — o licenciado em Eletromedicina Didier Rodríguez Paz se dispõe a um novo capítulo na sua longa história: votar por Cuba do exterior.

Filho de um combatente «limpador» do Escambray, este duro camponês de Ciego de Ávila bebeu pátria nas mamadeiras da infância, mas admite que as missões fortaleceram o amor por Cuba como lhe mostraram a crueldade ou o triste legado do capitalismo. «Vi, de outro ângulo, o que a Revolução significa para todos», afirma.

Como viu e acredita, Didier quer votar: «Já era necessário reformar porque houve muitas mudanças internacionais e nacionais. Quando analisado, do começo ao fim, vê que é orientada a defender os cubanos, a Revolução e suas conquistas. De fato, é uma melhoria do socialismo que já trazíamos, só que faz mudanças para torná-lo mais lucrativo nas condições atuais. É uma Carta Magna feita para o povo e com sua modificação atende suas demandas».

— A Carta Magna pode ser como um plano arquitetônico. Que país poderemos levantar com ele?

— Veja — responde— nós temos as bases, as construímos em 60 anos; é necessário começar a estruturar para tornar nossa Revolução maior, mais volumosa, muito melhor...

— Didier terá uma sétima missão. Como chegaria a outro país, com a nossa nova Constituição na mão?

— Che Guevara não recebeu missões, ele as criou; eu não posso fazer isso

diretamente, mas onde precisarem de meus esforços, estarei lá. Estou disponível para minha Revolução e outros povos. Nesse cenário, a nova Constituição me faria sentir ainda mais orgulhoso do meu país», assevera.

UMA TENRA OBRIGAÇÃO

Com apenas 30 anos, Yaneirys Matos Quintero está prestes a terminar uma missão que levou os cinco últimos anos. Especialista em Medicina Geral Integral e representante na Venezuela da Empresa Comercializadora de Serviços Médicos Cubanos, esta doutora de Guantánamo é também membro do Grupo Nacional de Trabalho que atende jovens colaboradores. «Parece» como muito responsável? Realmente é.

Ela já disse isso mil vezes: «A maior vantagem da missão para um jovem é sua formação. Chegamos com uma preparação acadêmica que nos permite desenvolver profissionalmente, mas outra maneira de ver o mundo nos torna pessoas melhores, nos leva, como eu, a dirigir pela primeira vez, nos permite retornar com mais capacidade de suportar o crescimento da Revolução».

— Por que votarão vocês, os jovens, aqui?

— Os jovens sempre deram um passo em busca da Revolução. Hoje, ela precisa de mudanças em questões constitucionais, sem tocar nosso caráter socialista e independente, e nós, aqui, as apoiamos. Embora fora da pátria, não ficamos calados em nossa opinião: estivemos no momento do debate e estaremos na votação, para moderar Cuba ao momento em que vivemos, sustenta.

— Que país possuirão os jovens como você, com a nova Constituição?

— Um com a possibilidade — responde serena — de ajudar mais a transformar o nosso entorno, a fim de manter a soberania na situação atual, andar de mãos dadas com o mundo, sem abandonar a essência do que é Cuba.

— Cuba... com a Constituição que teremos e o povo que temos, como vê o futuro de Cuba?

— Um com maior desenvolvimento, com mais participação do povo na definição do seu caminho.

— Nesse cenário, os jovens têm o direito de serem otimistas?

— Nós — conclui decidida — fazemos parte desse processo, portanto, não apenas direito: temos a obrigação de sermos otimistas. •

DA LEI ELEITORAL

ARTIGO 164º. De acordo com o disposto no Título II (*) desta Lei, são designadas a Comissão Eleitoral Nacional, as Comissões Eleitorais Provinciais, Municipais, de Circunscrição e as Especiais. A Comissão Eleitoral Nacional, em coordenação com o Ministério das Relações Exteriores, estabelece o que é necessário para garantir o exercício do voto pelos eleitores que se encontram fora do território nacional, no dia da realização do referendo.

ARTIGO 165º. As Comissões Eleitorais de Circunscrição designam os membros de cada uma das Mesas Eleitorais. O Ministério das Relações Exteriores determina quem nomeia os membros de cada uma das Mesas Eleitorais no exterior. As instalações nas quais operam os Colégios Eleitorais fora do território nacional são designadas pelos chefes das respectivas missões.

* Refere-se ao artigo 16º, item ch, do Capítulo I das Comissões Eleitorais, onde se lê: Comissões Eleitorais Especiais que executam as disposições da Comissão Eleitoral Nacional e cumprem as funções determinadas por esta Lei.

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