ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
A ajuda para iniciar a recuperação não demorou a chegar. Foto: Juvenal Balán

O panorama no bairro Luyanó, no município de Diez de Octubre, em Havana, na manhã de 28 de janeiro era desolador. Postes de luz na calçada, carros sob os escombros, edifícios mutilados, casas desfeitas... No entanto, desde a primeira luz do dia, e mesmo antes, as famílias da comunidade começaram o trabalho de recuperação deste distrito da capital, um dos mais afetados pela passagem do tornado, como parte da tempestade que atingiu a capital na noite de domingo, 27 de janeiro.

Junto com os habitantes locais, o contingente de trabalhadores Blas Roca, do Ministério da Construção, apoiou os esforços de recuperação, que começaram na Calzada de Luyanó e se espalharam para o resto das ruas e avenidas deste território, durante a passagem do dia.

«Dezoito caminhões e três carregadores coletam e removem os detritos no início da manhã. Existem dezenas de trabalhadores envolvidos, e nós vamos estar aqui por tanto tempo quanto necessário», informou ao Granma Internacional o vice-presidente do governo no município Diez de Octubre, Damian Cardonet.

«Neste domingo, eu senti um barulho ensurdecedor, o mais intenso que já ouvi na minha vida, como a turbina de um avião prestes a se espatifar no chão. Eu senti receio, tal como todos os que estávamos no meio do tornado, da estabilidade da minha casa e a minha vida», disse Anairis Borges.

Sua casa perdeu as janelas da sala. A porta, voltada para a calçada, foi rachada pelo impacto de objetos lançados pelo ar. Um calhambeque, puxado pela força dos ventos, quase se estatelou contra a entrada de sua casa, mas foi impedido por uma palmeira, deitada ao longo da rua, que serviu como uma barreira.

«Não há tempo para queixas nem choros. É hora de trabalhar», disse Anairis com o marido, ambos com a vassoura na mão.

                                                                            

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Yosvani Díaz ficou preso sob os escombros de sua casa enquanto assistia a televisão com sua família. O teto desabou alguns segundos depois que eles sentiram um som muito parecido com as turbinas de um avião e luzes vermelhas através de suas janelas. Ao mesmo tempo, provavelmente, a luz se apagou. Em menos de um minuto, o tornado que atingiu a capital na noite de domingo causou o caos «que nunca pensei que veria», disse Díaz.

«Meu primeiro instinto foi tirar minha esposa e meus filhos da poeira e, quando todos estivemos a salvo, longe das ruínas, eles nos ajudaram e evacuaram imediatamente. Quando consegui me recuperar do impacto, vi o dano que também havia deixado no quarteirão. É o cenário mais triste que já vi em toda a minha vida», acrescentou.

As histórias se repetem enquanto a gente tresanda pelas ruas de Luyanó. «Isto foi pior que um ciclone», disse um homem de boné a alguém que escuta do outro lado do seu celular. Duas mulheres se abraçam na rua e uma delas chora. A outra, sem um único tremor em sua voz, disse-lhe para deixar aquelas lágrimas, que pelo menos elas estão vivas. «Somos sobreviventes», ela a encorajava.

Quando Felix Diaz, 71, sentiu sua casa se derrubar sobre ele, conseguiu sair por um canto do que foi seu quarto. De lá, tão só pôde levar sua bengala. Ao lado dos restos de sua casa, observa zelosamente «as pequenas coisas que ficaram de pé»: uma cama nua, uma cadeira de ferro... «Melhores tempos virão», ele se anima.

Apesar da desolação, «não estamos desabrigados», disse Anairis Borges, que mora em frente ao hospital universitário de maternidade Diez de Octubre.

«Desde antes do início dos ventos fortes, as forças de segurança evacuaram do hospital as mulheres grávidas e os pacientes operados em tempo recorde. Eles também se preocuparam com a segurança dos moradores do quarteirão. Eles nos fizeram sentir protegidos, mesmo no meio do desastre. Sabíamos que não estávamos sozinhos», acrescentou.

A cidade já está começando a se levantar. Um jovem subindo no telhado de um prédio joga escombros no chão e alerta os transeuntes para evitar que qualquer pedra os atinja. Dois homens carregam um pedaço de zinco que caiu na porta de um vizinho. Uma senhora vestida de vermelho arrasta em um carrinho de mão um pedaço do que foi seu telhado, agora transformado em pó.

«Não podemos ficar de pé e esperar que isso seja resolvido sozinho, ou que alguém venha limpar o nosso. É preciso mover-nos», bradou.