ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

A realização de uma campanha pela reabertura dos consulados de Cuba em Washington e dos Estados Unidos em Havana, é realizada pela comunidade de cubanos que vive na Flórida, exigindo a concessão de vistos aos membros da família que querem viajar permanentemente ou temporariamente.

Lembre-se que o presidente Donald Trump, amparado em supostos ataques sônicos contra sua equipe diplomática na capital da Ilha caribenha, tomou a medida de reduzir os trabalhadores de sua embaixada e expulsar mais da metade daqueles que trabalhavam na sede cubana em Washington.

Isso causou a impossibilidade de executar os procedimentos consulares e como uma medida alternativa, o cubano que deseje emigrar definitivamente deve viajar para a Guiana, com um aumento no preço da passagem aérea, acomodação, mais tempo de espera devido à ausência de voos diretos entre um país e outro.

A isto se acrescenta que, se desejar tramitar um visto temporário ou a pessoa precisa rever sua documentação para iniciar o processo consular, deve fazê-lo na Cidade do México, tornando-se inviável para muitos cubanos, com a consequente aversão e o desejo de protestar contra esse absurdo migratório.

Isto foi explicado pelo jornalista Andrés Gómez Barata, coordenador da Aliança Martiana que reúne várias organizações da comunidade de exilados cubanos nos Estados Unidos que são a favor da normalização das relações diplomáticas entre os dois países.

Referiu que em 2019 é definido um ciclo eleitoral e que o estado da Flórida pode fazer a diferença entre um candidato e outro, um lugar habitado por uma grande comunidade de moradores de origem cubana e outros grupos étnicos latino-americanos que poderiam se unir para enfrentar tudo o que representa um retrocesso nas relações bilaterais dos Estados Unidos com os governos do continente.

«Motivado vai estar o imigrante cubano nos EUA que votará contra aqueles que negam seus direitos e que efetivamente proíbem a entrada de parentes e cubanos que desejem emigrar para aquele país, portanto vamos começar uma campanha visando exigir a reabertura dos consulados», insistiu o também coordenador nacional da Brigada Antonio Maceo.

Essa ação será acompanhada de visitas a escritórios federais e estaduais, dos senadores e representantes do Congresso do Estado da Flórida, onde entregarão cartas em que exigem a retificação da política de migração para Cuba.

Também coordenarão caravanas de carros que protestarão nas principais ruas de Miami aos sábados, aproveitando o tempo para fazer compras semanais pelo maior número de pessoas. «Nós carregamos sinais em ambos os lados dos carros com os pedidos para os governantes. Vamos com bandeiras, as luzes acesas e a buzina produzindo som e viajamos mais de 40 quilômetros. Através do curso dessas avenidas, a resposta daqueles que nos observam é positiva. Eles levantam o dedo em aprovação ou gritam ao nosso lado. Na rádio e nos sites nós transmitimos os vídeos da caravana», comentou o ativista político.

Esse tipo de mobilização também requer a eliminação do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos há quase seis décadas e os sucessos alcançados pela Revolução Cubana que celebrou em 1º de janeiro seu 60º aniversário.

Por esta razão, a coalizão Aliança Martiana divulgou uma declaração, datada de dezembro passado, na qual as organizações da emigração cubana que a integram se unem ao regozijo do povo cubano pela data.

O texto expressa: «Esta grande data coincide com o 150º aniversário do início das guerras libertárias de nosso povo para alcançar sua total independência, soberania e dignidade; a justiça social; realizações extraordinárias em seu desenvolvimento cultural, educacional e científico e muitos outros, que nos fazem todos orgulhosos de sermos cubanos. Estamos convencidos de que este orgulho pelas conquistas do povo cubano em revolução é profundamente compartilhado pelas melhores filhas e filhos de um mundo convulsionado pelo mal que o imperialismo impõe».

Relatou que as atividades da organização devem ser feitas com cuidado, pois vivem em Miami, uma cidade dominada pelos terroristas, que têm proteção do governo e o clima social vigente favorece a violação dos direitos das pessoas com opiniões diferentes, especialmente quando é sobre Cuba. Disse que uma quantia de 30 milhões de dólares por ano está destinada a desestabilizar a Revolução, algo publicado pela mídia americana.

Apesar dessas pressões, Andrés Gómez Barata assegurou que a comunidade cubana nos Estados Unidos continuará lutando pelos direitos de seus cidadãos e levantará sua voz para acompanhar a Revolução em cada uma de suas lutas por um mundo melhor.