ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Todas as políticas relacionadas ao desenvolvimento científico do país já estão projetadas e para implementá-las estão as universidades, disse o presidente cubano. Photo: Endrys Correa Vaillant

«HÁ muitas questões a considerar e responder, e uma parte importante destas respostas será buscada a partir da inovação e do conhecimento, e para isso vamos ter de ir constantemente ao ensino superior», salientou Miguel Díaz-Canel Bermúdez, presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, no encerramento da reunião onde o Ministério da Educação (MES) analisou sua gestão no ano anterior.
O presidente expressou sua certeza de que, com o compromisso existente nesse nível de ensino serão encontradas respostas a muitos dos problemas, e onde sejam mais difíceis não vamos ceder no esforço para encontrá-las, o que foi corroborado com prolongados aplausos da plateia.
A reunião começou duas horas mais cedo, com a apresentação dos aspectos mais importantes em termos de resultados, pontos fortes e fracos da organização e objetivos, especialmente em curto prazo, pelo dr. José Ramón Saborido, titular do MES. Na presidência estavam Roberto Morales Ojeda, vice-presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, e Olga Lidia Tapia, membro do Secretariado do Comitê Central do Partido, entre outros dirigentes.
Um total de 13 intervenções, a maioria de reitores das universidades, mostrou que a apatia e inércia não têm lugar em suas escolas e que as mesmas estratégias do Governo vão pavimentando o caminho para propiciar as demandas do setor empresarial, especialmente o agroalimentar, o industrial e de exportações, a partir da identificação e desenvolvimento de novas linhas.
Assim foram expostas as alianças da Universidade Agrária de Havana com o Ministério da Agricultura e o Grupo Empresarial Azcuba, para a formação de pré e pós-graduação dos profissionais nas carreiras agrícolas e em Medicina Veterinária, bem como a experiência com o desenvolvimento local que se consolida na Universidade de Pinar del Río.
Houve consenso de que não apenas deve-se trabalhar no treinamento vocacional, mas também em assessorar agências e entidades para identificar suas necessidades em especialistas, na superação dos dirigentes, no aprofundamento das relações interinstitucionais, e no ensino e na criação de habilidades no idioma inglês.
Walter Baluja, reitor da Universidade das Ciências Informáticas, falou que em breve acontecerá a primeira graduação de Administração de redes e segurança informática, e estão prontos para satisfazer os interessados em implantar esta questão, conforme solicitado, na forma de estudos de ciclo curto. Também apontou que entre os cursos à distância, preparam um para dirigentes.

TRABALHO POLÍTICO IDEOLÓGICO INTEGRAL
A formação integral dos alunos foi uma das questões discutidas pela drª em Ciências Alicia Alonso Becerra, reitora da Cujae, que figurativamente, para enfatizar a participação dos alunos em tarefas de impacto social, disse preferi-los no campo de jogo do que nas arquibancadas.
Qualificou de magnífica a resposta rápida e entusiástica dos universitários da capital, especialmente os da escola que lidera, nos trabalhos de recuperação pelos danos do tornado em vários municípios, o que também foi destacado por Díaz-Canel em seu resumo, destacando essa «intensa experiência» de jovens comprometidos com o futuro.
O presidente cubano reconheceu desde o início do seu discurso que os tópicos e questões abordadas que se tentam promover a partir da concepção de uma administração pública mais eficiente os conheceu quando dirigiu o MES, pois faziam parte de seus projetos, e assim listou a televisão digital, a informatização, as I+D, o papel das ciências sociais, o desenvolvimento local, gestão administrativa e empresarial, o planejamento estratégico, a relação universidade-empresa, os parques tecnológicos e o ensino de inglês.
Refletiu que a situação atual exige muito em termos de formação política e ideológica integral de professores e estudantes, o que deve ser feito a partir do debate de todas as questões importantes, procurando argumentos da história e da ciência, para combater formas de pensamento alienantes, a vulgaridade e a banalidade que tentam nos impor a partir das plataformas capitalistas e neoliberais.
Ressaltou que nas prioridades da batalha econômica e na ligação com o ensino superior, a política de dirigentes também é crucial neste ramo, que passa em novos claustros pela mudança geracional lógica, mas devem ser mantidas as essências e valores éticos e revolucionários, com expressão na constância por fazer mais, na observância da cultura do detalhe.
Ao se referir à correspondência da questão demográfica com o déficit de mão-de-obra qualificada, exortou a pensar diferentemente para sua formação. Nesse sentido, ressaltou que não estamos aqui para limitar a formação desses recursos humanos, nem a pesquisa, nem a extensão universitária, mas para facilitá-las e encontrar maneiras de fazê-lo.
Na relação entre os organismos da administração do Estado e o ensino superior, particularizou em outro dos assuntos analisados: as carreiras de técnico superior, das quais não gosta de se referir como de ciclo curto.
«Quem se forma nestes cursos é mais do que um técnico de nível médio, sai com três anos de formação universitária básica e alguma da especialidade, o que abre muitas possibilidades para as agências que devem continuar propondo e começam a colocar exigências acima das potencialidades, por isso as universidades têm que ir à interrelação e fortalecer-se em certas áreas», precisou.
Com satisfação disse que todas as políticas relacionadas ao desenvolvimento científico do país já estão projetadas e para implementá-las estão as universidades. «Então não há outra maneira senão agir de forma mais proativa», enfatizou.
Também ressaltou que os centros de ensino superior têm a responsabilidade, por mandato, da implementação das Diretrizes, da formação dos dirigentes, a empresarial e a administrativa.

TRÍADE INSEPARÁVEL
«A comunicação social, a informatização da sociedade e da pesquisa» – expressou – «são ferramentas de trabalho que devem ser utilizadas e têm sua origem e desenvolvimento nas universidades». Ligado à segunda destacou que está a participação nas redes sociais, uma área de gestão do conhecimento e ideologia e defesa da Revolução, em que todos os centros desse nível de educação intervêm, embora destacasse a participação ativa das universidades de Guantánamo, das Ciências Informáticas e a Tecnológica de Havana José Antonio Echeverría.
Destacando mais uma vez o papel dos centros do MES para resolver problemas do país e dos territórios, confessou estar muito orgulhoso de ver que todas as universidades incluídas nas últimos seis visitas do Conselho de Ministros às províncias, foram capazes de apresentar ideias avançadas, de demonstrar que têm programas de pesquisa, que podem fornecer soluções em vários assuntos, no qual os governos locais estão agora incutidos.
DESAFIOS DO MES PARA 2019
- Aumentar os níveis de entrada com ênfase nas carreiras das ciências pedagógicas, agrícolas e básicas.
- Projetar e oferecer programas de treinamento de curta duração que atendam à demanda do desenvolvimento econômico e social.
- Promover a formação de doutores em todas as universidades e entidades de ciência, tecnologia e inovação.
- Aumentar a satisfação das necessidades de melhoria e pós-graduação dos profissionais do setor não estatal.
- Implementar, em estreita ligação com a Citma, as políticas relacionadas à integração das universidades ao sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação.
- Priorizar a aplicação dos resultados no desenvolvimento econômico e social do país, incluindo ligações que possam levar à exportação ou substituição de importações.
- Fortalecer o papel de todos os centros universitários municipais, levando em conta o papel que lhes é atribuído na nova Constituição.
- Aumentar a arrecadação de renda para a exportação de serviços acadêmicos, científicos e de bens.