ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
A gestão empresarial eficiente a que aspiramos tem como componente essencial a política de quadros, disse Diaz-Canel no balanço da BioCubaFarma. Photo: Jose M. Correa

Garantir estabilidade na tabela básica de medicamentos e alcançar o menor número de falhas; aumentar a substituição de importações e incorporar novos produtos; diversificar os mercados e cumprir os planos de exportação, bem como fortalecer o processo de investimento — mesmo em meio a um ambiente financeiro complexo — que permita aumentar as capacidades produtivas, fortalecer a infraestrutura tecnológica e logística e os padrões regulatórios; convocou na segunda-feira, 8 de abril, o presidente dos Conselhos de Estado e Ministros, Miguel Díaz-Canel Bermúdez.

Presente junto com Roberto Morales Ojeda, membro do Bureau Político do Partido e vice-presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, dirigentes do Partido, da Central dos Trabalhadores de Cuba e ministros de vários setores da economia, o líder cubano explicou a importância de participar da reunião de exame correspondente ao ano de 2018, do Grupo da Indústria Biotecnológica e Farmacêutica de Cuba, BioCubaFarma, uma organização superior de gestão de negócios.

Para o presidente, este é um setor estratégico no plano nacional de desenvolvimento econômico e social até 2030, e com o qual «temos um compromisso especial, a partir do aspecto pessoal, e com Fidel — o fundador mais convicto desta instituição — e Raúl, leal impulsor da ciência cubana».

«O país, disse Díaz-Canel, está passando por um momento extremamente complexo, em um contexto em que aumentou a retórica do império na região da América Latina e do Caribe, o nível de ameaça e interferência em importantes processos revolucionários na região cresceu, e se fazem campanhas de falsas mentiras e acusações que buscam desacreditar a Revolução Cubana perante o mundo, para apoiar esse desejo de destruí-la».

«Tais eventos não estão desconectados de muitos elementos que tiveram impacto em 2018 sobre indicadores produtivos importantes do desenvolvimento desta instituição», mencionou o presidente.

Como aspectos relevantes aos que se deve pôr atenção, destacaram-se a renda das exportações e a instabilidade da indústria farmacêutica no abastecimento ao sistema de saúde, o que levou a inúmeras deficiências e baixa cobertura de medicamentos na rede de farmácias do país.

Segundo referiu o dr. Eduardo Martínez, presidente da BioCubaFarma, ao apresentar o relatório de balanço, em 2018 o Grupo de Negócios conseguiu uma produção comercial de 1.9 bilhão de pesos. Embora o cumprimento do plano tenha sido de 94%, a produção aumentou em 111 milhões de pesos mais em relação ao ano anterior.

Tal aumento nos níveis de produção alcançados permitiu uma diminuição de aproximadamente 40% na falta de medicamentos, em relação aos dois últimos anos. No entanto, um grupo destes remédios foi afetado em vários momentos durante o ano e isso teve um impacto adverso sobre a população.

«Esta é uma situação que se tornará mais complexa em 2019 e é importante que a população e os trabalhadores do setor saibam disso, porque tem a ver com sanções muito severas que foram aplicadas a países fraternos com os quais temos acordos com cooperação. Soma-se a isso o ressurgimento da perseguição financeira a Cuba e o bloqueio econômico, que impediu o fluxo de financiamentos».

«Dependemos de acordos governamentais e este elemento está marcando nossos métodos de gestão, nos quais temos que fazer mudanças em outras perspectivas que nos permitam manter o progresso e o crescimento desta instituição», refletiu o presidente.

«Não é fortuito, dado este cenário, que a liderança do país, e em particular o primeiro secretário do Partido, Raul Castro Ruz, tenha levantado duas prioridades no mesmo nível: a defesa da nação e o desenvolvimento da economia, pela estreita relacionamento que elas têm», disse Diaz-Canel.

GESTÃO EFICIENTE COMO GUIA E OBJETIVO

Ter uma administração governamental e empresarial mais eficiente, que se traduza no papel fundamental que a empresa estatal socialista em Cuba deve desempenhar, é crucial. Na opinião do presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, essa eficiência passa por sistemas de trabalho que articulam prioridades, cria espaços adequados de debate e participação, permitem o monitoramento contínuo de processos para que os problemas não se acumulem, propiciem estilos proativos de trabalho, com menos obstáculos e burocracias, e uma estreita ligação com a base.

Segundo Díaz-Canel, «a gestão empresarial eficiente a que aspiramos tem como componente essencial a política de promoção de líderes e diretivos; os quais antes de tudo devem ser sensíveis aos problemas do povo».

Díaz-Canel também se referiu àquela preocupação revolucionária que deveria nos levar a reagir ao progresso e resolver problemas, sem perder de vista a cultura do detalhe.

Outro elemento mencionado no debate sobre o balanço foi a formação de mão de obra qualificada e o êxodo de pessoal. Nesse sentido, Díaz-Canel insistiu na importância de priorizar o trabalho com os jovens. «Muitas vezes este êxodo está condicionado aos problemas salariais que temos e não deixa de ser motivo, mas é apenas uma parte. Hoje, embora não paguemos o que eles merecem pela contribuição que fazem — não por vontade própria, mas porque não podemos assumi-lo financeiramente — essa é a instituição do país no sistema empresarial que tem o maior salário médio. Mesmo assim, as pessoas estão saindo, então não é uma questão salarial exclusiva», refletiu.

«Devemos nos perguntar como servimos os jovens, como criamos condições para o seu desenvolvimento, onde seja respeitado o que cada um queiras contribuir. No futuro, pagaremos mais e, se não resolvermos esse problema, o êxodo continuará».

Por outro lado, chamou a atenção para o uso necessário de ferramentas como a comunicação social, priorizando as audiências internas, e que os coletivos conhecem as estratégias de suas instituições; e a informatização tanto na garantia produtiva quanto nas plataformas para a população, para que as pessoas possam expressar suas opiniões, sugerir, levantar preocupações e ter respostas.

O líder cubano enfatizou a relevância para a pesquisa científica de manter o vínculo com as universidades e compartilhar com elas as novas tecnologias instaladas; converter os polos em unidades de ensino. Também pediu aproveitar as vantagens oferecidas pela existência de um técnico superior universitário, para responder às demandas da força de trabalho.

Como um lado forte, Díaz-Canel disse que hoje o país aprovou todas as políticas delineadas nas Diretrizes em relação ao campo científico-técnico, em relação ao meio ambiente, inovação, empresas de alta tecnologia, parques tecnológicos, relação universidade-negócio. «Agora resta implementá-las e conseguir que nos deem novas oportunidades».

«Fortalecer as equipes de negociação e ajustar-se aos novos tempos conscientes de que nossas pesquisas enfrentarão regulamentações mais exigentes e serão politizadas é um imperativo», disse. Nesse sentido, convocou a defender as ligações com o investimento estrangeiro direto, não apenas em investimentos ou joint ventures dentro do país, mas no exterior.

«Temos que exportar mais e coletar o que exportamos», disse. No final de 2018, tínhamos uma dívida de exportações não cobradas vencidas em uma quantia considerável, quando o país precisava de dinheiro. A BioCubaFarma foi uma das empresas mais envolvidas. Desde outubro, com um sistema de rastreamento rigoroso, recuperamos uma quantia importante.

«Importar menos, substituir importações, gerenciar melhor o financiamento, tirar proveito de fundos de projetos de inovação e investir com segurança e confiança em estudos de viabilidade, são necessidades urgentes a ter em conta».

«Defender a produção nacional, incluindo produtos naturais, também é uma exigência do país».

Por todo esse trabalho e dedicação diária, Díaz-Canel disse sentir-se profundamente orgulhoso de ser cubano ao ver as contribuições e novos produtos que os cientistas desta instituição alcançam. «Eles são orgulho da Revolução».

ALGUNS RESULTADOS DE 2018

Na reunião de análise soube-se que em 2018, 35 registros sanitários foram obtidos no exterior, completando assim 740, o que constitui um importante ativo para aumentar as exportações.

Outros marcos foram a negociação em mais de 50 países e o intercâmbio com mais de 70 novas empresas farmacêuticas e biotecnológicas, para a assinatura de novos contratos, dentre os quais se destaca culminar a negociação com o Instituto do Câncer de Nova York, que concluiu com a criação de uma joint venture entre Cuba e os EUA na Zona Especial de Desenvolvimento de Mariel.

O plano de investimento, embora não cumprido, atingiu o maior valor nos últimos dez anos, com um aumento de 33% em relação ao ano anterior, com destaque para os avanços no complexo industrial de biotecnologia CIGB-Mariel e a conclusão de vários investimentos que iniciaram sua exploração.

Na atividade de pesquisa e desenvolvimento, foram alcançados resultados positivos. 23 novos produtos foram introduzidos e oito novos objetos de patente foram apresentados no Escritório de Propriedade Industrial de Cuba e 116 patentes foram concedidas internacionalmente.