ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Díaz-Canel também se referiu ao maior controle e eficiência do processo de investimento. Photo: Estudio Revolución

Mais do que revisar o que foi feito no ano anterior, a reunião anual de trabalho do Ministério da Economia e Planejamento (MEP), realizada na segunda-feira, 24 de fevereiro, abordou os desafios que tem pela frente em 2020 e que começam com o planejamento de «uma abordagem mais abrangente, dinâmica, inovadora e geradora de soluções», que «transcende a responsabilidade de emitir o plano para se concentrar no funcionamento eficiente da economia».

E essa gestão efetiva implica, nas palavras do presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, «desbloquear e encontrar respostas para todas as situações complexas da economia nas condições do socialismo».

«Todos os resultados da economia, os bons e os ruins, precisam ser transparentes para o povo, para saber por que não chegamos e para onde estamos indo», disse o presidente, durante a reunião, em que também marcaram presença o membro do Bureau Político Esteban Lazo Hernández, presidente da Assembleia Nacional do Poder Popular; Manuel Marrero Cruz, primeiro-ministro e os vice-primeiros-ministros Ricardo Cabrisas Ruiz e Alejandro Gil Fernández, chefe do MEP.

Além disso, participaram o membro do Bureau Político Ulises Guilarte de Nacimiento, secretário-geral da Central dos Trabalhadores de Cuba, e Jorge Luis Cuevas, membro do secretariado do Comitê Central do Partido.

Enfrentar a plataforma de restauração neoliberal que nos pretendem impor, fortalecer a política de quadros e o trabalho ideológico, defender o trabalho da Revolução da história e das essências, apoiar essa defesa com eficiência, identificar, entre todos, os obstáculos existentes na economia e a manutenção das medidas de poupança apelou Díaz-Canel, como um roteiro para continuar avançando nos tempos atuais.

«Este deve ser», disse, «um ministério de pensamento, responsável por liderar o pensamento econômico do país, em estreita relação com as universidades, por sua principal atividade».

Trata-se, na opinião dele, de promover uma economia totalmente inovadora, que o Ministério incentive a substituição de mecanismos administrativos por outros econômico-financeiros e que promova um relacionamento mais coerente e integral entre todos os atores da economia.

Também instou a «encontrar as respostas sobre qual deveria ser a relação adequada entre centralização e descentralização dos processos econômicos em nosso país, para que nenhuma das posições se torne um freio ou entrave».

Díaz-Canel também se referiu ao aumento do controle e eficiência do processo de investimento, ao avanço das estratégias de desenvolvimento local e à tarefa estratégica de preparar o Plano Nacional de Desenvolvimento até 2030, a partir de uma abordagem prospectiva e não formal, com a ajuda da ciência.

UM PLANO FLEXÍVEL E AJUSTADO ÀS PRIORIDADES

Após ponderar, durante a apresentação do relatório, as principais linhas de trabalho para 2020, quatro eixos temáticos centralizaram os debates: as transformações do planejamento, a fim de atenuá-lo aos atores econômicos de hoje; o culminar do Plano Nacional de Desenvolvimento até 2030; a melhoria do desenvolvimento local, bem como a atualização da política de quadros e comunicação institucional.

Nora Suárez, diretora de Indústrias do MEP, informou que, com o objetivo de continuar aperfeiçoando o planejamento do sistema empresarial estatal, começará a ter atenção direta um grupo inicial de 88 entidades que exportam impostos, os principais saldos das exportações, produtos e serviços da economia e cadeias produtivas.

Foto: Cuba, Presidencia

O vice-primeiro ministro e titular do MPE, Alejandro Gil Fernández, reiterou a urgência de «um plano menos detalhado, mais aberto e flexível», que leve em consideração duas questões meridianas: a incorporação de tudo o que pode ser feito aqui e hoje é importado e prioridades, ou seja, as atividades que mais impactam o Produto Interno Bruto.

«Devemos nos focar em um plano dinâmico», refletiu, «que incentive as forças produtivas. Isso não implica abandonar o planejamento central, mas também não exige uma transmissão homogênea para todos os atores. Trata-se de respeitar os saldos fundamentais e que não seja o mercado quem aloque os recursos».

No valor dos projetos de desenvolvimento local e a necessidade de favorecer cadeias produtivas, exportações e produção de alimentos nos territórios, esteve focada a intervenção da vice-ministra de Economia e Planejamento, Mildrey Granadillo de la Torre, insistindo no treinamento dessas questões aos governadores, vice-governadores e prefeitos.

E como Holguin está entre as províncias com os melhores resultados na gestão do desenvolvimento local, juntamente com Pinar del Río, Ciego de Ávila e Las Tunas, seu diretor de Economia e Planejamento, Manuel Cuenca, abundou nos 251 projetos que o território possui hoje.

«O vínculo com a Universidadeۘ», ressaltou, «foi vital para identificar o potencial da província, de onde nasceram projetos para resgatar as mini-indústrias, expandir a atividade de turismo extra-hoteleiro e até exportar».

Nesse sentido, Alejandro Gil apontou dois aspectos fundamentais que devem ser observados por todos os projetos que surgem. Primeiro, priorizar a exportação de pequenos nichos, sem reivindicar grandes operações. E, em segundo lugar, defender o desenvolvimento endógeno, uma vez que a sustentabilidade desses empreendimentos não pode depender da importação.

Ileana Venegas, diretora de Economia e Planejamento de Ciego de Ávila, também destacou a necessidade, a partir do desenvolvimento local, de flexibilizar as relações com o setor não estatal. Para ela, é necessário encarar a concepção de desenvolvimento do país a partir de uma visão moderna, que leve em conta o contexto em que o país se desenvolve e trace um caminho para enfrentar os desafios.

«Que o ano de 2020 seja de transformações econômicas profundas e positivas, que gerem sinergias a favor do desenvolvimento e que nos permitam continuar nos impondo ao bloqueio», resumiu Gil Fernández.

ALGUNS OBJETIVOS E LINHAS DE TRABALHO DO MEP PARA 2020

-   Fortalecer a empresa socialista estatal, de modo a favorecer uma maior capacidade de vinculação ao investimento estrangeiro, ao turismo, às entidades exportadoras e ao setor não estatal; tudo isso sem deixar de levar em conta o que, no interesse da nação, não possa ser alcançado em termos de eficiência.

-   Atingir maior interação entre organizações econômicas globais, órgãos governamentais e estruturas governamentais territoriais, bem como intercâmbios com empresas e universidades. No Plano 2020, houve progresso nesses propósitos, mas não o suficiente, embora mais de 240 milhões de dólares sejam destinados ao financiamento de produções que foram importadas anteriormente, ainda existem capacidades relatadas disponíveis no setor nacional e importações de linha que podemos assumir.

-   Concluir a preparação do Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social até 2030.

-   Promover maior flexibilidade no sistema de planejamento, com base em um gerenciamento de processos renovado e maior participação dos atores econômicos em cada estágio.

-   Melhorar o sistema de controle que garanta a avaliação efetiva e oportuna do comportamento da economia e do plano.

-   Atualizar o planejamento territorial com base no alcance do desenvolvimento sustentável.

-   Contribuir para o cumprimento das exportações, a promoção e diversificação de novos itens exportáveis ​​e a receita inscrita no plano anual da economia.

-   Melhorar o processo de investimento por meio de planejamento e controle eficientes.