ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
FotoAriel Cecilio Lemus

Eu também fui jovem. Fomos todos jovens impetuosos, corajosos, lindos... não me esqueço daquela etapa especial e, até hoje, caminho com o mesmo coração de adolescente. Mas não por ser jovem alguma vez solicitei algum espaço das instituições: trabalhei muito, fiz um trabalho, dei resultados, mesmo quando era muito jovem, dentro e fora do nosso país, ao ritmo da pura partitura manuscrita!

Fiquei aqui o tempo todo: resisti, lutei, colaborei comprometida com minha terra. Aqui fiz o meu trabalho, aqui nasceram os meus três filhos: hoje bons jovens, magnificamente formados pela Revolução.

Quero dizer que o direito de criar não está sujeito ao sapato, é simplesmente uma necessidade da alma, mesmo num pequeno bolso. Os espaços que um criador ganha com a sua obra, não com pretensões desajeitadas, muito menos com a pretensão de que o Estado revolucionário abrace comportamentos indignos que só contribuam para o desconforto na suposta visão de uma geração ferida, amarga, reprimida, o que é totalmente falso.

Sinto os jovens do Movimento San Isidro um tanto desorientados. Consegui ver alguns vídeos e é muito doloroso verificar a ligação mínima, haveria muito mais vizinhos rondando do que os membros do chamado movimento, ou seja, um pequeno grupo de jovens insatisfeitos. Eu me pergunto: insatisfeitos com o quê? Insatisfeitos com o treinamento recebido? Tive a oportunidade de conhecer a realidade de artistas, e muito talentosos, em tantas partes do mundo sem nenhum apoio, que me orgulho muito dos esforços do Governo cubano para subsidiar o grosso dos artistas profissionais do pátio, mesmo com tantas limitações econômicas, porque falando claramente, os artistas não são «o centro do universo» longe disso; o esforço é enorme e inusitado, que não existe como em outros países, exceto para instituições específicas financiadas diretamente por seus governos selecionados.

Porém, o Estado não tem que colocar pessoas que ignoram sua gestão e desrespeitam nosso sistema político, porque justamente o socialismo que temos, imperfeito ou não, é o que fomenta essa política cultural que protege intelectuais e artistas, para o qual não faz sentido que as pessoas que são contra o sistema se beneficiem dele.

Sou defensora dos jovens, da necessária continuidade, e apelo, exorto a que se juntem sempre com coragem ao presente e ao futuro dignos do país, porque são eles que, continuando, nos fazem sentir, seus velhos, vitoriosos.

Para concluir, reafirmo que, quando a obra de um criador é válida e penetra profundamente nos outros, não há Deus que a paralise: ela caminha sozinha, se impõe, triunfa por si mesma. Então, a trabalhar! Por que se perder em lamentações, menos fazer concessões de princípios éticos e morais, e flagelar, sim, por Cuba, que é sagrada, pela Cuba dos cientistas, professores, médicos, trabalhadores ..., a Cuba das crianças, dos idosos, a nossa Cuba, e juntar-se ao movimento de todo um povo, num abraço limpo e edificante, pelo e para o bem-estar de todos.

Fui jovem, compus música com pouquíssimos recursos e continuo escrevendo assim, porque acredito que a verdadeira criação não precisa de muito mais: um velho piano, pautado e uma caneta! Nada mais, e com a necessidade de se saber útil, que dever essencial, e a felicidade de tê-lo cumprido. Este é o criador que eu entendo, que, aliás, não envelhece.