ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
O grupo de trabalho temporário para o enfrentamento e controle do novo coronavírus liderado pelo presidente da República, analisou em detalhes neste sábado a situação epidemiológica apresentada por Havana, Artemisa, Matanzas, Ciego de Ávila, Santiago de Cuba e Guantánamo. Foto: Estudios Revolución

O presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, insistiu no sábado, 23 de janeiro, na reunião do grupo de trabalho temporário para a prevenção e controlo do novo coronavírus, sobre a importância de aproveitar os aprendizados adquiridos nestes meses de confronto com a Covid-19 em aspectos como o isolamento oportuno das pessoas com resultado positivo e seus contatos, também de pessoas com suspeita de serem portadoras da doença.

«Sempre dissemos que a nova normalidade exigia mais responsabilidade institucional, social, familiar e individual», sublinhou o chefe do Estado, que também comentou o fato de, durante esta nova fase, terem sido desmanteladas em vários locais acções que constituem garantia de sucesso perante a epidemia.

«O trabalho em todas as áreas tem que ser rápido para cortar a transmissão, refletiu, o que por sua vez implica uma análise caso a caso, para continuar tirando lições que nos levem a melhorar a situação e assim superá-la o mais rápido possível».

Em suas avaliações, motivado pelo atual retrocesso no controle da doença que se verifica em Havana, o presidente considerou oportuno analisar com atenção os fatores que o levaram a isso na capital, onde 2.171 pacientes autóctones foram diagnosticados nos últimos 15 dias.

Levando em conta o aumento sustentado de casos positivos, o governador Reinaldo García Zapata explicou que foi necessário ampliar a capacidade hospitalar. Com cerca de 5.200 leitos disponíveis, 27 centros estão sendo preparados para internação, seja para pacientes positivos ou suspeitos.

Segundo García Zapata, neste sábado foram monitorados dois eventos de transmissão local e 942 controles de surtos. Ao se referir a estes últimos, comentou que atenção especial está sendo dada aos 44 que têm mais de cinco casos confirmados e podem representar um risco epidemiológico maior.

Dada a tendência de aumento de pessoas diagnosticadas com a doença, Zapata disse que ênfase especial tem sido dada ao fortalecimento de medidas restritivas em áreas de maior complexidade; ao trabalhar com prioridade para determinar a fonte de infecção daqueles com teste positivo; conduzir pesquisas, principalmente de vulneráveis; e informações oportunas sobre os resultados do PCR.

Artemisa, Matanzas, Ciego de Ávila, Santiago de Cuba e Guantánamo, províncias que juntamente com Havana registraram os maiores índices de casos confirmados no dia e apresentam tendência de aumento na taxa de incidência por 100.000 habitantes nas últimas duas semanas, também enfocaram o análise da reunião do grupo temporário de trabalho do Governo.

A reunião, como de costume, foi dirigida pelo primeiro-ministro, Manuel Marrero Cruz, e onde também marcaram presença o segundo secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, José Ramón Machado Ventura; o Presidente da Assembleia Nacional do Poder Popular, Esteban Lazo Hernández; e o Vice-Presidente da República, Salvador Valdés Mesa.

Em particular sobre Matanzas, que com 711 pessoas diagnosticadas nos últimos 15 dias manteve 313 ativas neste sábado, sete das quais foram notificadas em estado grave, o governador Mário Sabines Lorenzo explicou que é nos municípios de Matanzas e Cárdenas onde se encontram as maiores complexidades na província e, portanto, o trabalho em centros de atenção primária e isolamento foi reforçado para garantir que os protocolos que são estabelecidos sejam seguidos.

Também mencionou que as capacidades de isolar os contatos foram ampliadas para não deixar aqueles que apresentam maior risco epidemiológico nos domicílios. No caso de Artemisa e Ciego de Ávila, que com 224 e 236 autóctones diagnosticados nos últimos 15 dias, respetivamente, apresentam também elevada propagação da doença, destacou-se a relevância do aumento das ações de controle epidemiológico na base, o que constitui uma garantia de fechar as fontes ativas mais rapidamente.

Em relação a Santiago de Cuba e Guantánamo, cujos cenários se tornaram mais complexos nos últimos dias, principalmente nas capitais provinciais, os respectivos governadores comentaram o trabalho que tem sido feito para reverter este quadro, em conjunto com duas equipes de especialistas do ministério da Saúde Pública, que aí está e à qual se juntou nos últimos dias o ministro do setor José Ángel Portal Miranda.

Em particular sobre Santiago de Cuba, onde 848 pacientes foram confirmados nas últimas duas semanas, a governadora Beatriz Johnson Urrutia referiu-se ao processamento das amostras de PCR pendentes e às ações que vêm sendo realizadas para recuperar as capacidades do laboratório de biologia molecular da província.

Enquanto isso, garantiu, a fiscalização sanitária estatal continua se aprofundando para elevar a percepção de risco e o rigor, que também temos carecido neste novo momento de enfrentamento da epidemia.

De Guantánamo, o governador Emílio Matos Mosqueda disse que estão implementando ações para abrir novos centros de entrada de casos confirmados, casos suspeitos e contatos que requerem atenção diferenciada, supervisionando e exigindo o bom funcionamento de quem presta os serviços.

Também destacou que a província continua trabalhando para resolver as dificuldades no atendimento primário à saúde, que se constitui em uma ação prioritária para fechar caminhos para a transmissão do vírus. Nesse sentido, disse, as ações têm como fim essencialmente cumprir rigorosamente a transferência de casos confirmados e suspeitos; aprofundar a pesquisa epidemiológica; e elevar constantemente a qualidade da pesquisa nas comunidades.

Precisamente esta província oriental, apontou a vice-ministra da Saúde Pública, Carilda Peña García, durante o encontro, tem atualmente a maior taxa de incidência do país por 100.000 habitantes nos últimos 15 dias: 183,88. «A tendência de confirmação diária de casos continua sendo alta», afirmou.

Ao comentar os números divulgados no país neste sábado, o vice-ministro destacou que, dos 532 casos autóctones, 48 ​​estavam vinculados a viajantes internacionais, com os quais havia 6.702 pessoas na mesma situação, 51,1% do total de casos diagnosticados desde 15 de novembro, o que também apontou que 39,7% dos controles de surtos ativos estão diretamente relacionados aos viajantes. «Províncias como Artemisa, Mayabeque, Sancti Spíritus, Las Tunas, Holguín e Granma, têm entre 80% e 100% dos seus focos associados a este particular», acrescentou.

Embora nos últimos dias, em decorrência das medidas que o país vem adotando, a entrada de viajantes no território nacional tenha diminuído consideravelmente, o risco epidemiológico de não cumprimento dos protocolos de saúde estabelecidos para esses casos permanece latente.

O aumento da responsabilidade e da percepção do risco nas esferas institucional, familiar e pessoal continua sendo o desafio a que todos somos chamados.