ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Presidente Miguel Díaz-Canel, no dia 18 de julho de 2019, no Museu da Alfabetização, localizado na Universidade das Ciências Pedagógicas. Foto: Estudios Revolución

Em um momento em que os desafios da formação são maiores do que nunca, o Presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, elogiou a iniciativa de constituir um complexo científico pedagógico em Ciudad Libertad, e foi mais além: indicou criar um parque temático pedagógico experimental e então expandir o projeto para todo o país.

O chefe de Estado manteve um novo encontro com os membros da Universidade das Ciências Pedagógicas Enrique José Varona. Referiu-se com entusiasmo à existência em outras províncias de centros que reúnem as mesmas condições de Ciudad Libertad, embora em menor escala, para ampliar a proposta, muito propícia à formação integral que estes tempos exigem.

O primeiro vice-ministro Roberto Morales Ojeda explicou que o conceito resgata a ideia original de Fidel de transformar o que foi a principal sede da ditadura em um grande complexo educacional para a instrução e a formação das novas gerações em diferentes níveis de ensino.

A cidadela abriga de tudo, desde centros para a primeira infância até do ensino superior, incluindo o Museu da Alfabetização e outras instalações culturais e sociais. «É um lugar» – disse Díaz-Canel – «para ligar todos os saberes, porque a educação não tem fronteiras».

Descreveu a ideia como inovadora e elogiou as possibilidades que abriria para meninos e meninas, adolescentes e jovens, ainda, possam realizar atividades extracurriculares e mesmo recreativas, de entretenimento, que os capacitem e cultivem para a vida nos melhores valores e exigências do século XXI, com a sua nova revolução técnico-científica.

Ena Elsa Velázquez Cobiella, titular do ministério da Educação (Mined), referiu-se aos grandes espaços da Ciudad Libertad, que permitem inclusive o desenvolvimento de atividades agrícolas, incluindo a proteção e promoção de suas extensas áreas florestais.

No novo encontro com o corpo docente da Universidade das Ciências Pedagógicas Enrique José Varona – os anteriores foram adiados devido à prevenção e controle da Covid-19 – avaliou-se o cumprimento das indicações previamente acordadas com o presidente da República.

Foram avaliadas ações para fortalecer a formação de professores de História, Matemática e Física, e a introdução de mais e melhores elementos motivacionais para os alunos da área das ciências. Analisou-se também a introdução de resultados científicos e relacionados às neurociências aplicadas à educação.

O Doutor em Ciências Enrique Lamas informou sobre o aprimoramento dos primeiros roteiros de um programa de História que será veiculado na televisão, a produção de conteúdos históricos autênticos para as redes Cubaeduca e Ecured e um projeto audiovisual em coordenação com o Icaic e Cinesoft.

Entre outras prioridades, comentou sobre o trabalho de fortalecimento do ensino da história, com cursos de história universal, de Cuba e das Constituições cubanas, e a incorporação nos programas de estudo de temas como racialidade, religião e mulheres nas guerras de independência.

Indagando sobre o programa de História que será produzido para a televisão, Díaz-Canel insistiu que ele deve se distanciar do tradicional e ser uma proposta inovadora que estimule os jovens a assisti-lo e os motive pela história. «Deve ser um programa interativo que utilize os novos códigos audiovisuais e se expresse na linguagem dos jovens».

O doutor em Ciências Aurelio Quintana explicou o que tem sido feito e o que se faz na formação dos professores de matemática da Universidade das Ciências Pedagógicas Enrique José Varona, e sobre a motivação dos alunos, que inclui a formação e o conhecimento da história dessa ciência, em conjunto com a Sociedade Cubana da especialidade e outras universidades.

Falou sobre o programa relacionado à Robótica, que é realizado em coordenação com a Cinesoft, e sobre um concurso em favor da cultura da matemática. O pedagogo relatou que a especialidade está obtendo melhores resultados, exemplo disso foi o crescimento dos aprovados na disciplina, em 5%, no corte avaliativo mais recente.

Sobre o ensino de Física, falou o Doutor em Ciências Francisco Pedroso, que defendeu que o ensino da disciplina deve ter uma orientação cultural e humanística; que os laboratórios devem ser atraentes e que o professor deve sentir essas mudanças como suas.

O presidente Díaz-Canel – engenheiro e mestre em Ciências – manteve agradável intercâmbio com o físico. Claramente, essa foi uma disciplina pela qual ele sentiu uma atração especial, com base nas memórias que compartilhou.

Referindo-se às ciências exatas, como a matemática e a física, destacou que Cuba precisa e deve criar uma cultura da inovação, e a mesma – esclareceu – deve ser formada desde a infância.

No que diz respeito às neurociências aplicadas à educação, a doutora em Ciências Caridad Hernández explicou a aproximação de trabalho e colaboração entre a Universidade Enrique José Varona de Ciências Pedagógicas, o Centro de Neurociências (Cneuro) e o Instituto Central de Ciências Pedagógicas (ICCP), para o avanço nos estudos das bases neurocientíficas da educação e na promoção do desenvolvimento infantil.

Díaz-Canel referiu, propositalmente, a necessidade da realização de estudos científicos sobre os efeitos psicológicos e comportamentais causados ​​pela Covid-19 na população infantil, devido ao isolamento social imposto pela pandemia. «O tempo de confinamento foi longo, sem que as crianças tivessem influência direta da escola», disse.

Indicou vincular neurociências, psicologia e pedagogia, entre outras ciências, para fazer uma avaliação que permita evitar futuros problemas de aprendizagem e comportamento das crianças, porque se trata de uma situação muito complexa que ainda não sabemos quanto tempo vai durar.

Participaram do encontro Olga Lidia Tapia Iglesias, integrante do secretariado do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba; e os ministros da Educação Superior, José Ramón Saborido Loidi, e da Cultura, Alpidio Alonso Grau.