
O primeiro-ministro de Cuba, Manuel Marrero Cruz, destacou, na segunda-feira, 12 de abril, a necessidade de transformar a arquitetura financeira internacional injusta, desigual e antidemocrática, especialmente em um contexto onde a pandemia da Covid-19 aprofundou as desigualdades entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento.
Durante seu discurso no Segmento de Chefes de Estado e / ou Governo do Fórum do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas sobre Financiamento para o Desenvolvimento, realizado em formato virtual, Marrero Cruz explicou que as nações em andamento têm o desafio de enfrentar os crescentes gastos com saúde, a contração de suas economias, o aumento dos déficits fiscais, da dívida externa, da insegurança alimentar, do desemprego e da pobreza, fatores que colocam em risco a implementação da Agenda 2030.
Acrescentou que, em contraste, algumas potências esbanjam recursos bilionários em despesas militares, descumprem o compromisso de contribuir com 0,7 % de seu PIB à Ajuda Oficial ao Desenvolvimento, e impõem medidas coercitivas unilaterais que violam a Carta da ONU e o Direito Internacional.
No caso específico de Cuba, reiterou que sofre o mais longo bloqueio econômico, comercial e financeiro da história, imposto por sucessivos governos dos Estados Unidos, e intensificado a níveis sem precedentes, mesmo durante a pandemia, com a aprovação de mais de 240 medidas — pela administração cessante — que ainda estão em vigor.
«Esta política criminosa e ilegal, que a comunidade internacional rejeita, constitui o principal obstáculo ao desenvolvimento sustentável do meu país», acrescentou.
Ressaltou que, 25 anos após a criação da Organização Mundial do Comércio, a Rodada de Desenvolvimento de Doha está paralisada e o tratamento especial e diferenciado para os países do Sul continua sendo uma quimera. «Estamos nos afastando cada vez mais do cumprimento dos compromissos da Agenda de Ação de Adis Abeba».
Marrero Cruz destacou que os esforços dos países em desenvolvimento devem ser apoiados com ações concretas em termos de transferência de tecnologia, financiamento externo em condições justas, acesso a mercados, desenvolvimento de capacidades e cooperação Norte-Sul.
Em relação à dívida externa, argumentou que é urgente uma solução imediata, porque seu montante excessivo atrapalha os esforços dos países do Sul para se concentrarem em seu desenvolvimento. «É hora dos países desenvolvidos saldarem sua dívida histórica com a humanidade devido ao colonialismo, às guerras injustas e à depredação dos recursos naturais e do meio ambiente. São necessárias soluções imediatas e duradouras, que permitam um futuro próspero, justo e sustentável», afirmou.
Ressaltou que estamos todos empenhados em dar às novas gerações confiança no futuro e mostrar-lhes que um mundo melhor é possível.







