
Cada morte nos machuca. Não importa se é apenas uma pessoa, não importa a idade: cada morto dói. É como uma ferida que não cicatriza, que se tolera há muito tempo, mas continua doendo. Todas as manhãs assistimos à informação oferecida pelo doutor Francisco Durán e choramos com ele quando uma família perde uma avó, um filho, uma esposa. Até ansiamos, como as tréguas são desejadas em tempo de guerra, aqueles dias em que a morte era um episódio raro e ainda assim disparava todos os alarmes.
Cada morte nos dói porque sabemos que, por trás desse número frio nas estatísticas, há um cubano que não poderá assistir à celebração do triunfo sobre a pandemia. E nos esforçamos todos os dias para continuar cumprindo as medidas sanitárias, embora já estejamos cansados há muitos meses; repreendemos os que pecam como irresponsáveis, alertamos sobre o possível colapso da «percepção de risco» que poderia ocorrer com a vacinação gradativa em todo o país. Ainda estamos lutando.
Cada morte nos machuca. São golpes fortes que a vida nos dá, golpes como o ódio de Deus (diria o poeta). Mas ainda estamos de pé. E, claro, ao caráter do cubano, forjado depois de décadas de luta contra todo tipo de adversidades, soma-se um maravilhoso sistema de saúde pública e gratuita, de acesso universal, que tem conseguido conter o ataque desta pandemia iníqua: os homens e mulheres, mulheres, heróis em jalecos brancos que só conheceram neste período fatídico fazer sacrifícios e ter uma dedicação excessiva.
Também, é claro, a esperança brilha nas seringas que imunizam diariamente milhares de compatriotas, esperança forjada por cientistas que encontraram no socialismo e na economia do conhecimento uma plataforma para se profissionalizar, gerar renda para o país e, mais importante, homenagear a saúde do povo. Este sistema de médicos e cientistas, forjado na Revolução, tem sido a arma fundamental dos cubanos contra a Covid-19.
Cada morte nos machuca, mas quantas mortes foram evitadas?
Basta olhar para um gráfico que circulou profusamente nas redes sociais, extraído de um estudo do Instituto de Métricas e Avaliação de Saúde (IMHE) da Universidade de Washington. Cuba está, junto com a Venezuela e a Nicarágua, entre as nações com a menor taxa de mortalidade por Covid-19 no continente.
Não faz muito tempo, esses três países foram acusados, por um funcionário dos Estados Unidos, de serem «o eixo do mal» na América Latina. Cuba, em particular, foi rotulada como «a mãe de todos os males», uma espécie de ilha satânica que só exportava ódio e morte. Porém, a teimosa realidade levou os Estados Unidos ao contrário: nosso pequeno país se dedicou a enviar colaboradores médicos a diferentes partes do planeta, enquanto os países ricos se negavam a ajudar e apenas se esforçavam para acumular vacinas.
Cada morte nos dilacera, cada morte é uma derrota. Mas em Cuba, para cada derrota, há milhões de vitórias para narrar. Não vivemos em uma sociedade perfeita, mas podemos nos orgulhar de viver em uma sociedade que desafia a morte diariamente e a derrota.
MORTES PELA COVID-19 EM CADA 100 MIL HABITANTES
Peru --------------------------------- 776
Bolívia ------------------------------- 505
Equador --------------------------- 505
México ------------------------------- 429
EUA ---------------------------------- 281
Brasil -------------------------------- 280
Colômbia -------------------------- 206
Argentina ------------------------- 181
Chile ------------------------------- 164
Uruguai --------------------------- 133
Canadá --------------------------- 114
Venezuela ------------------------- 16
Cuba --------------------------------- 13
Nicarágua ---------------------------- 7
Fonte: IMHE
7 de junho 2021







