ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Foto: Estúdios Revolución

«Há muito que trabalhar, não podemos ficar confiantes», disse nesta terça-feira, 15 de junho, no Palácio da Revolução, o primeiro secretário do Comitê Central do Partido Comunista e presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, durante a reunião do Grupo de cientistas e especialistas que lideram atividades de ciência e inovação tecnológica no enfrentamento da epidemia.

Sua reflexão, num encontro que também foi conduzido pelo primeiro-ministro, Manuel Marrero Cruz, e pela primeira vice-ministra, Inés María Chapman Waugh, decorreu a partir da atualização das previsões do Doutor em Ciências Raúl Guinovart Díaz, reitor da Faculdade de Matemática e Computação da Universidade de Havana, e a avaliação do comportamento da gravidade da epidemia, bem como o que Cuba faz para reduzir a mortalidade.

«O que está se aproximando quanto à devastação da pandemia não é bom». Foi o que confirmou Guinovart, que iniciou a sua intervenção a partir do que se passa nos municípios de Havana — onde nos últimos tempos se verificou a diminuição dos casos de transmissão — mas depois se referiu, infelizmente, ao resto das províncias, onde a situação é inversa. Comentou que nos municípios de Havana que foram palco de intervenções sanitárias, houve uma melhora, embora não tanto quanto desejado. E essa conquista, aliada às medidas tomadas, torna o prognóstico favorável.

Quanto às restantes províncias do país, referiu que os territórios apresentam «uma situação muito complexa», com tendência para o aumento do número de casos. E quanto ao número de óbitos, frisou que já ultrapassamos 1.100 casos e que o prognóstico é bastante desfavorável para os próximos dias.

«O comportamento do vírus é proporcional ao comportamento das pessoas», refletiu, por isso a variável da responsabilidade determina muito neste cenário de alto risco».

SOLUÇÕES DE CUBA PARA UM VÍRUS DEVASTADOR

Na Ilha maior das Antilhas, a taxa de mortalidade devido ao novo coronavírus aumentou nos últimos meses. A doutora em Ciências Lisset Sánchez Valdés falou sobre este desafio. A especialista destacou que ainda em abril os números dos casos graves e críticos se mantiveram estáveis, mas em maio houve um salto negativo, ocorreram casos mais graves e críticos e um aumento mais acentuado do número de casos graves. do que os casos críticos. Em uníssono, também se reconhece que há um bom trabalho para tentar evitar que as pessoas atinjam uma condição crítica.

Explicou que o tempo desde o momento em que uma pessoa sente os primeiros sintomas da Covid-19 até chegar à unidade de cuidados intensivos foi reduzido. No período de abril a maio, a seção de transição para a gravidade diminuiu; «e outro fenômeno é que as pessoas estão entrando na sala de cuidados intensivos diretamente quando chegam ao hospital».

A fatalidade também tem aumentado, afirmou a médica, afirmando que «mesmo assim, Cuba continua com valores baixos, em comparação com os números mundiais e os da América».

Lisset Sánchez destacou que os sintomas de agravamento mudaram para faixas etárias mais jovens e que aumentaram os pacientes que pioram e que não apresentam comorbidades. Tudo exige mais trabalho na parte preventiva, nos protocolos e nos pacientes que entram na gravidade.

Cuba não cruzou os braços diante de tal problema para toda a vida. Como explicou na reunião a doutora Ileana Morales Suárez, diretora de Ciência e Inovação Tecnológica do ministério da Saúde Pública, o protocolo terapêutico das terapias intensivas em Cuba, nestes tempos, tem sido muito dinâmico.

«As variantes de protocolos para o manuseamento de pacientes graves e críticos já atingiram o número de sete», disse a especialista. «A versão 1.7 é um protocolo em desenvolvimento. Houve mudanças no uso de medicamentos; é um protocolo bastante inovador, derivado de novas pesquisas científicas e sempre temperado com o contexto epidemiológico».

O doutor Frank David Martos Benítez, um médico intensivo, mencionou três pilares a partir dos quais pode-se melhorar os resultados clínicos: admissão precoce em unidades de cuidados intensivos, classificação oportuna dos casos e tratamento adequado. E lembrou que o fator tempo tem papel fundamental, e que o protocolo 1.7 tem forte carga científica.

O doutor em Ciências Albadío Pérez-Assel, chefe do Grupo Nacional de Medicina Intensiva, disse que a atualização dos protocolos de atendimento em nível internacional, antes da atual pandemia, demorava de dois a três anos. «Mas mesmo até nas soluções — que estão sendo feitas na hora e enquanto as incógnitas são esclarecidas — os tempos foram encurtados: é uma doença nova, em que todos os cientistas, todos os especialistas em cuidados intensivos estão aprendendo, e é preciso aplicar uma abordagem diferente».

«Em matéria de cuidados intensivos», disse, «ficar no mesmo lugar sempre será um retrocesso, por isso Cuba buscou as melhores evidências científicas em nível internacional e promoveu a medicina com base na experiência de seus profissionais». Acerca da variante 1.7, falou sobre inteligência coletiva para atualizar um protocolo bem estruturado.

No final da reunião, o presidente Díaz-Canel Bermúdez disse que os dados apresentados confirmam a importância da exigência para o cumprimento das medidas sanitárias, para o exercício da responsabilidade pessoal, comunitária, familiar e social.

Referindo-se ao trabalho que os nossos profissionais de Saúde realizam, disse que há um reconhecimento do esforço que fizeram, das condições em que tiveram de trabalhar e das respostas que deram. «Nós», frisou, «temos muita insatisfação com a ocorrência de uma única morte».

«Temos todas as possibilidades, com todas as pesquisas que vem sendo realizadas, de fortalecer ainda mais os protocolos de atendimento ao paciente crítico», disse o chefe do Estado, que reiterou a ideia de que nossos filhos e idosos devem ser cuidados, e esse cuidado começa na família.

Sem perder o tom de defender a disciplina que estes tempos exigem, realizou-se a reunião do Grupo Temporário, que foi chefiado por Díaz-Canel, pelo primeiro-ministro e pelo vice-presidente Salvador Valdés Mesa.

Os números divulgados no dia pelo ministro da Saúde Pública, José Angel Portal Miranda, mais uma vez ilustram a complexidade epidemiológica. E sobre o momento atual, Marrero Cruz enfatizou a necessidade de revisão dos planos para lidar com a Covid-19. Defendeu sermos mais organizados, manter apenas as atividades que são essenciais, continuar avançando apesar do esgotamento lógico e cuidar especialmente das pessoas mais vulneráveis.