ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
19ª Cúpula da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América – Acordo de Comércio dos Povos (ALBA-TCP). Foto: tirada do Twitter

O reconhecimento do triunfo de Cuba nas Nações Unidas, com 184 votos a favor da eliminação do bloqueio dos Estados Unidos, bem como a evocação dos 200 anos da Batalha de Carabobo, foram destaque nas intervenções dos palestrantes da 19ª Cúpula da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América – Acordo de Comércio dos Povos (ALBA-TCP).

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anfitrião da reunião, destacou que é uma honra para Caracas realizar este fórum em meio à atual situação sanitária e à perseguição econômica do império contra alguns dos Estados membros.

Explicou que durante a reunião realizada conjuntamente com o encerramento do Bicentenário do Congresso do Povo, foram analisados ​​temas fundamentais da geopolítica regional, como intercâmbios em saúde, agricultura e alimentação, educação, articulação política e comunicacional.

Entre essas questões, destacou a necessidade de relançar a PetroCaribe, as mudanças climáticas, o Banco da ALBA e todos os novos projetos conjuntos que vêm trabalhando em meio à conjuntura regional e global.

Destacou que se trabalha para recuperar o esforço unitário da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), para a reconstrução da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), bem como para o relançamento da PetroCaribe.

Também comemorou o progresso da Ilha maior das Antilhas no desenvolvimento de cinco vacinas candidatas anti-Covid-19, e anunciou que a vice-presidenta executiva de seu país, Delcy Rodríguez, assinou um contrato com as autoridades cubanas para enviar à Venezuela 12 milhões de doses desses antígenos. Nesta quinta-feira, 24,chegou àquela nação irmã o primeiro lote de Abdala, produzido pelo Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia da ilha caribenha.

O presidente da Bolívia, Luis Arce, agradeceu o firme apoio da ALBA-TCP na denúncia do golpe contra Evo Morales, em 2019. Expressou a urgência de nos perguntarmos uma profunda reflexão diante dos tempos difíceis que vivemos, marcados pela insensibilidade e iniquidade.

Destacou que o mecanismo de integração, de acordo com seus princípios orientadores, requer colocar a economia no centro de suas ações voltadas para o bem-estar de nossos povos.

Falou da necessidade de desenvolver vacinas como uma conquista universal e da campanha que seu país está liderando na liberação de patentes para obter maior equidade na distribuição de antígenos.

Observou que a Aliança alcançou resultados de alto impacto na região, especialmente em programas de saúde e educação; mencionou que três milhões de pessoas recuperaram a visão e cinco milhões foram alfabetizadas. «Hoje, mais do que nunca, devemos apelar a essa solidariedade internacionalista entre povos e governos», insistiu.

O Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, saudou a celebração do bicentenário da Batalha de Carabobo e o que esse concurso representou para nossos povos. «A América que foi ocupada, submetida a sangue e fogo pelos espanhóis, disse basta e deu partida na carruagem da história. A Batalha de Carabobo foi decisiva», disse.

Também assinalou que tentaram apagar a cultura indo-americana, centro de Nossa América, e contra essa força se insurgiu Bolívar. «Os heróis abriram o caminho e a rota para a independência da Espanha. Eles nos apresentaram um novo desafio, porque hoje lutamos por nossa segunda e última independência».

Lembrou como os povos avançam no mesmo caminho de liberdade e independência, baseados na força das ideias, da razão e das armas. Lembrou a expulsão de Cuba da Organização dos Estados Americanos (OEA), para a qual o imperialismo se valeu de tiranias e governos servis em sua agressão à Ilha caribenha.

Reconheceu que apesar das diferenças de campo ideológico e da influência do império ianque, em circunstâncias que são apenas momentos históricos, de heroísmo, firmeza e liberdade, conseguimos a reunião de nossos povos na Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos. «A Celac vai enterrar a OEA e nós, latino-americanos e caribenhos, poderemos dizer que somos livres e independentes», afirmou.

Também destacou que seu país se prepara para as eleições gerais, no dia 7 de novembro, e que o povo as vencerá com a Frente Sandinista à frente. Ele também refletiu que só a América unida pode enfrentar os ianques, não há outra saída. «Esses são os momentos mais difíceis no plantio, quando está florindo», disse.

O primeiro-ministro da Dominica, Roosevelt Skerrit, falando no grande evento, disse que devemos isso aos nossos ancestrais e aos comandantes fundadores do bloco continental por nos terem ensinado o caminho da soberania. «Os Estados Unidos acham que devem instalar os líderes de nossa região, mas temos a capacidade de não dar a eles o poder de decisão», disse.

O primeiro-ministro expressou que seu país será sempre solidário com a Venezuela e seu povo e que reconhece Nicolás Maduro como o legítimo presidente da nação sul-americana. Também se referiu ao bloqueio dos Estados Unidos a Cuba e assegurou que a nação antilhana derrubará essa cruel política.

«Como é possível que no século XXI tenhamos medo de denunciar esta injustiça e que cesse a intervenção nos assuntos internos? Se não fosse a solidariedade de Cuba, todos nós do Caribe não teríamos tido tanto sucesso na luta contra a Covid-19», frisou.

A Cúpula da Aliança e o Congresso Bicentenário dos Povos do Mundo foram realizados presencial e virtualmente, reunindo representantes de mais de 67 países, incluindo os ex-presidentes Evo Morales e Rafael Correa, e a ex-senadora colombiana Piedad Córdoba, entre outros.