ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Manuel Marrero Cruz, membro do Bureau Político e primeiro-ministro da República de Cuba. Photo: Estudios Revolución

«Ainda que nas últimas semanas a complexa situação epidemiológica o tenha levado a modificar parte de sua agenda e passar ao confronto com a Covid-19, o Governo cubano está vivo, preocupado e ocupado com todos os assuntos do país».

A afirmação foi do membro do Bureau Político e primeiro-ministro, Manuel Marrero Cruz, durante sua participação no programa de televisão Mesa Redonda, em 14 de julho.

Apesar do reforço das medidas sanitárias, depois de todas as províncias terem passado para a fase de transmissão comunitária da doença, explicou que continua a verificação dos programas, macroprogramas e outras questões prioritárias. «Estamos trabalhando e buscando soluções», afirmou.

A SITUAÇÃO DA ENERGIA AVANÇA RUMO À ESTABILIZAÇÃO

No primeiro momento da sua intervenção, Marrero Cruz referiu-se à questão energética, que garantiu ser monitorizada diariamente pelo Governo.

A esse respeito, informou que a unidade número um da termelétrica Felton, projetada para gerar 260 megawatts (MW), realizou sua primeira sincronização após a reparação capital de que foi alvo e está em fase de testes e ajustes.

«Ela já está aderindo ao sistema. Os ajustes devem ser concluídos esta semana e atingir a capacidade total», disse.

Por outro lado, o primeiro-ministro destacou que nesta terça-feira, 13 de julho, a termelétrica Antonio Guiteras entrou no Sistema Elétrico Nacional (SEN), com uma capacidade de 280 MW. Começou a entregar 234 MW, o que já tem um impacto significativo no SEN e coloca o país numa posição mais vantajosa.

O primeiro-ministro acrescentou que está prevista para o mês de agosto a primeira sincronização da unidade seis da termelétrica Máximo Gómez, em Mariel, que incorporará mais 100 MW.

A partir da ativação da usina Guiteras e da unidade um de Felton, os efeitos no serviço devido ao déficit de capacidade de geração estão diminuindo sensivelmente, embora alertasse que ainda poderiam ocorrer em determinados momentos.

«É um processo que deve ir para a melhoria contínua e para a estabilização, mas ainda não podemos dizer que esteja totalmente resolvido», frisou.

«Para garantir que não haja apagões, é necessária uma reserva permanente de 500 MW para dar cobertura, caso uma das grandes termelétricas venha a falhar no momento. Se for menor, perante qualquer quebra que exista no meio da prestação do serviço, podem começar a surgir afetações», detalhou.

Por este motivo, referiu que é necessário continuar de forma árdua todo o processo de reparação e arranque de todos os equipamentos que se encontram paralisados.

Embora ainda ocorram apagões, com a entrada das novas usinas estes diminuíram significativamente, principalmente à noite e de madrugada.

«Esta tendência deve continuar e até melhorar à medida que a Felton atinja sua capacidade máxima», disse Marrero Cruz.

Reiterou que o Governo mantém a política de evitar danos no atendimento à população. «Nunca ficaremos satisfeitos com os apagões».

Outras ações para mitigar a situação seriam estreitar os mecanismos de comunicação e que em cada território a população seja informada dos possíveis efeitos que podem ocorrer durante o dia, para que se possa organizar.

Além das grandes usinas geradoras de energia, o dirigente lembrou que existe uma infraestrutura considerável baseada nas baterias dos grupos geradores. Por diversos motivos, a disponibilidade desses equipamentos diminuiu devido a quebras e falta de baterias.

Nesse sentido, garantiu que tem sido feito um esforço para a aquisição dos recursos necessários e a reativação destes grupos.

Isso também melhorará o abastecimento de água em algumas comunidades, porque embora as estações de bombeamento estejam planejadas entre os circuitos priorizados, há algumas que não estão cobertas.

«De um modo geral, podemos dizer que a situação energética nacional caminha para a estabilização, mas pode haver efeitos porque temos um sistema de geração que apresenta vulnerabilidades», acrescentou.

Por isso, Marrero Cruz destacou a necessidade de economizar, para contribuir com a estabilidade que se busca hoje.

AO FINAL DE AGOSTO, 80% DA POPULAÇÃO TERÁ PELO MENOS UMA DOSE DA VACINA

O primeiro-ministro cubano também se referiu ao processo de vacinação contra a Covid-19 que se realiza em várias províncias cubanas.

A esse respeito, especificou que desde maio começou a entrega de doses ao Ministério da Saúde Pública (Minsap). Naquele mês, eram 3,4 milhões; em junho, 4,8, e em julho devem ser cerca de seis milhões de doses que nos permitem avançar.

Até 12 de junho, 7.618.028 de doses foram aplicadas no total, com as quais o esquema foi concluído em 1.926.776 pessoas.

Enquanto isso, 2.617.942 receberam duas doses e 3.073.310 receberam uma.

Marrero Cruz explicou que houve alguns buracos nas situações que surgiram. «A produção de vacinas depende de insumos e há fornecedores que tiveram atrasos no processo de entrega de alguns recursos», revelou.

No entanto, afirmou que Cuba supera a média mundial da porcentagem de pessoas que receberam pelo menos uma dose, apesar das dificuldades que surgiram.

Aliado a isso, o país apresenta o maior índice de vacinação diária para cada 100 habitantes. «O progresso foi marcado pela complexidade da Covid-19 em certos territórios», disse.

«As decisões prioritárias foram tomadas, mas todos serão vacinados». No final de agosto, estimou que cerca de 60% dos cubanos estarão vacinados com o esquema completo e 80% da população terá pelo menos uma dose.

Portanto, não deve haver dificuldade em ratificar o compromisso de que os habitantes de Havana estejam plenamente imunizados com as três doses no mês de julho, e que todos os cubanos o sejam antes do final do ano.

A respeito da preocupação que muitos pais expressaram, afirmou que em setembro começará a vacinação em massa de crianças de três a 18 anos.

«Produzir vacinas não significa apertar um botão. É um processo. Antes você tem que comprar insumos, matéria-prima, mas estamos caminhando nesse rumo».

MEDIDAS SÃO TOMADAS PARA ENFRENTAR O DÉFICIT DE MEDICAMENTOS

Outra questão abordada pelo primeiro-ministro em seu comparecimento foi a escassez de medicamentos. A ficha básica aprovada pelo Minsap é composta por 619 medicamentos, dos quais 254 são importados e 365 são produzidos pela indústria nacional, embora isso não signifique que não necessitem de matéria-prima importada, segundo explicou.

Em sua opinião, a escassez de divisas gerou escassez em toda a rede do país. Os produtos mais afetados estão relacionados a anti-hipertensivos, antibióticos, analgésicos, ansiolíticos, anticoncepcionais, vitaminas e produtos odontológicos.

«Essa baixa disponibilidade de medicamentos está diretamente relacionada à baixa disponibilidade de financiamento. Mas não foi apenas essa causa».

«Existem matérias-primas que fornecedores de muitos anos nos dizem que, devido às novas medidas do governo dos Estados Unidos, não podem garantir os embarques».

Marrero Cruz destacou que as ações de bloqueio e a necessidade de reorientar a aquisição de alguns insumos para outros mercados, têm significado um aumento dos custos entre 30% e 50%. «E muitos insistem em tentar vender essa matriz de opinião de que não existe bloqueio em Cuba», disse.

O primeiro-ministro informou que tem sido feito um grande esforço para adquirir um nível significativo de matéria-prima para a produção de medicamentos.

Os suprimentos foram importados a fim de garantir as necessidades de continuar enfrentando a Covid-19. O restante da rede hospitalar e farmacêutica com antibióticos, medicamentos para hemodiálise, hipertensos, diabéticos e oncológicos também é prioridade.

«As medidas adoptadas irão minimizar o impacto. Ainda não podemos dizer que haverá estabilidade na oferta de medicamentos, mas continuaremos priorizando essa questão», resumiu.

ALIMENTOS, PRODUTOS DE HIGIENE E MEDICAMENTOS, SEM LIMITES DE QUANTIDADE NEM TARIFAS NA ALFÂNDEGA

Em sua participação na Mesa Redonda, o dirigente anunciou a decisão de dar um novo tratamento tarifário à importação de alimentos, higiene e medicamentos por pessoas físicas.

Sobre o assunto, explicou que é autorizada, excepcionalmente e a título temporário, a importação, como bagagem de acompanhamento de passageiros, de alimentos, higiene e medicamentos, sem limites de quantidade e sem pagamento de tarifas.

«Isso significa que uma pessoa pode trazer a quantidade de alimentos, produtos de higiene e remédios que quiser. O limite não é definido pelo país ou pela alfândega, mas pela companhia aérea em que você viaja», afirmou.

Disse ainda que para usufruir desse benefício, esses produtos devem ser diferenciados na bagagem. Ou seja, não se misturam com outros pertences.

Inicialmente, a medida -— que entra em vigor na próxima segunda-feira, 19 de julho — vigorará até 31 de dezembro, quando será feita uma nova avaliação.

«As regulamentações estabelecidas pelas autoridades fitossanitárias e veterinárias são mantidas para determinados produtos que podem envolver riscos de introdução de doenças que afetam a saúde de pessoas, animais ou plantas», alertou Marrero Cruz.

O novo tratamento tarifário não inclui os viajantes que chegam aos aeroportos de Varadero ou Cayo Coco, que continuarão sujeitos às medidas recentemente adotadas, relacionadas ao controle sanitário da Covid-19, e poderão transportar apenas uma mala.

AS ADVERSIDADES NÃO NOS PARAM

O primeiro-ministro referiu-se ao fato de existirem no país pessoas que residem em províncias distintas do local onde se encontram inscritas e, por isso, não dispõem da caderneta de abastecimento para aceder à cesta familiar regulamentada.

«As restrições que a Covid-19 trouxe fizeram com que eles não tivessem mobilidade, nem possibilidade de adquirir esses produtos de outras formas».

Este é, disse, «um número considerável, que pode ser da ordem de 300.000 pessoas».

«Os governos respeitaram o direito dos nossos cidadãos de residir onde quiserem, mas também temos o dever de organizar este processo para evitar consequências adversas que gerem problemas, como é o caso da aquisição de alimentos regulamentados», disse.

A este respeito, comentou que existe um grupo de trabalho chefiado pelo vice-presidente da República para a atualização da regulamentação em vigor sobre a emigração no território nacional.

Porém, para fazer face à situação das pessoas que hoje residem noutra província que não é onde estão inscritas, procurou-se uma solução comum.

«Estamos planejando fazer uma implementação pelos governos, em conjunto com o ministério do Comércio Interno, de um mecanismo provisório que garanta que quem estiver nessa situação possa comprar a cesta básica».

Para isso, o procedimento será implantado gradativamente, e começará com uma primeira etapa de localização de pessoas, ver onde estão cadastradas, fazer o cancelamento temporário da caderneta de abastecimento no local de origem e habilitar mecanismo de entrega de documento, que permite adquirir a cesta padronizada.

«É um fenômeno que ocorre, fundamentalmente, em Havana, mas também está presente em várias cidades», afirmou.

Marrero Cruz ratificou que, apesar do coronavírus ter impactado a agenda do Governo, continua a implementação da Estratégia Econômico-Social e o desenvolvimento de um conjunto de políticas que respondem a todos os problemas que temos na sociedade.

«As adversidades» — disse — «não nos vão fazer parar».