
«No sábado 17 de julho tivemos uma grande manifestação de reafirmação revolucionária que tem muitas leituras, e a primeira é que foi a expressão das maiorias em defesa da Revolução», disse o primeiro secretário do Partido Comunista, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, no reunião da segunda-feira, 19, do Grupo de Trabalho Temporário de Prevenção e Controle da Covid-19.
O presidente da República retomou as ideias centrais do seu discurso na esplanada de La Piragua, junto ao Malecón de Havana, perante um numeroso grupo de membros do Conselho de Ministros e – por videoconferência – com as autoridades governamentais e políticas das 15 províncias e do município especial de Isla de la Juventud.
«A resposta revolucionária deste sábado» — explicou — «foi também um sinal de uma compreensão mais completa da natureza dos acontecimentos de 11 de julho, a partir do desmantelamento que se fez do que aconteceu então e de uma melhor compreensão da natureza do momento em que ocorreram, de sua cronologia, da extensa campanha midiática que se fez contra Cuba».
«Foi visto», explicou Díaz-Canel, «que foi uma campanha contra Cuba cheia de ódio, vulgaridade, perversidade e apelos à violência», e isso explica muitas coisas.
«O que aconteceu» — acrescentou — «também nos ensinou o que temos de atender com maior precisão na atualidade, a forma como temos de trabalhar e os elementos de análise que temos de fazer de um conjunto de deficiências».
O primeiro secretário do Partido formulou assim um conjunto de indicações, começando por trabalhar nos cenários fundamentais, como os bairros. «Nenhuma estrutura governamental e estatal pode ficar alheia aos problemas que existem no bairro» — destacou — «e com a coordenação de esforços de todos, inclusive das organizações de massa e do governo municipal, é preciso estabelecer planos de ação abrangentes nos bairros».
E nisso, acrescentou o presidente, «temos também de incorporar o setor não estatal, que tem dado muitos exemplos de solidariedade no confronto com a Covid-19, como o que aconteceu e está acontecendo em Matanzas».
«Dar a Cuba nosso coração», disse Díaz-Canel, repassando suas palavras no sábado 17, «e temos que colocar o coração em tudo o que estamos fazendo e em tudo o que vamos fazer».
«O Governo e o Partido Comunista» — refletiu — «são o Governo e o Partido de todos os cubanos, por isso devemos aprofundar estes elementos, para que o trabalho do Governo e o trabalho do Partido sejam cada vez mais democráticos».
Para isso — acrescentou — «temos que buscar mais espaços de participação popular ou fazer um uso adequado dos espaços que temos. Espaços de debate das questões mais complexas com diversos participantes que nos dão um conjunto de propostas que temos de debater, ordenar, avaliar aquelas que têm possibilidade de concretização».
Em uma mensagem essencial sobre como fazer política nestes tempos, o chefe de Estado também defendeu «continuar defendendo a inclusão, a justiça social, a solidariedade; demonstrar com fatos, de forma concreta, que o Governo e o Partido estão ao lado do povo, o que significa que a Revolução está e sempre estará ao lado do povo».
Dando continuidade às ideias levantadas na esplanada La Piragua no sábado 17, Díaz-Canel reiterou a orientação de trabalhar e cobrar pelo cumprimento do programa de governo, sintetizada na Estratégia Econômico-social para a promoção da economia e a crise global provocada pela Covid-19, estabelecido em julho de 2020.
Lembrou que a Estratégia se baseia no Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico Social até 2030 (Pndes), aprovado pelo Congresso do Partido, e que se baseia nas Diretrizes de política econômica e social, também formuladas nas últimas reuniões partidárias.
«Temos de cumprir tudo o que se propõe nessa Estratégia» — declarou — «mas para isso a primeira coisa que temos de rever são os métodos e o estilo que utilizamos para fazê-la cumprir, e isso» — esclareceu — «tem que partir da análise autocrítica do que não fizemos bem, da retificação pendente que temos de um conjunto de problemas, da revisão profunda dos nossos erros».
«Devemos concretizar» — acrescentou — «nossas denúncias sistemáticas sobre os obstáculos, a burocracia, a insensibilidade».
Conseguir isso — indicou Díaz-Canel — «implica a atenção mais direta e eficaz de nossas instituições às propostas da população; a resposta clara e precisa; o conceito de que os ministérios e as instituições do Estado não podem dar as costas aos problemas de uma comunidade, mas consegui-lo» — acrescentou — «implica que revivamos nossas formas de participação social, a partir das quais funciona o trabalho das instituições e das organizações de massa».
«O palco principal é o bairro», insistiu o primeiro secretário. «Tudo está na vizinhança: escolas, postos de saúde, fábricas, empresas, formas de gestão não estatal, habitação, habitat de nossa gente».
A reunião da segunda-feira 19 do Grupo de Trabalho Temporário para a Prevenção e Controle da Covid-19 foi também presidida pelo primeiro-ministro Manuel Marrero Cruz; o presidente da Assembleia Nacional do Poder Popular, Esteban Lazo Hernández, e por Roberto Morales Ojeda, secretário de Organização e Política de Quadros do Comitê Central do Partido Comunista.
O presidente cubano também retomou a ideia que apresentou na manifestação de reafirmação revolucionária no sábado 17 de julho, a respeito de que «só podemos ter mais se criarmos mais. O que vamos especificar» — argumentou — «empurrando todos juntos, articulando o diálogo com todas as formas de produção, resgatando todo o trabalho social da Revolução».
«E para isso é preciso» — continuou — «dar mais atenção aos setores e às pessoas mais vulneráveis, e levar a cultura do detalhe a tudo, antes de tudo ao bairro».
Reiterou o conceito de que «Cuba pertence a todos» e isso significa — raciocinou — que «temos que trabalhar com todos, com os vulneráveis; com os marginalizados e com os criminosos; com os camponeses, com os operários, com os trabalhadores estatais e não estatais, com os estudantes, com os jovens, com os críticos, com os artistas, com os jornalistas, com os cientistas, com a comunidade cubana no exterior, com os atletas, com as famílias».
Sobre o conceito de que «Cuba continuará fundando», o primeiro secretário explicou que «a Revolução sempre esteve fundando, e para isso devemos impulsionar constantemente a economia, apostar na prosperidade, desenvolver programas sociais e educacionais com maior eficiência e abrangência, na ciência, cultura, esporte, segurança e assistência social».
Temos — disse — «de terminar de especificar as formas de como vamos proteger os mais vulneráveis, eliminando elementos de pobreza ou desvantagem social, e promovendo uma cultura que ofereça verdadeira qualidade no atendimento e serviços prestados à população, e na qual todos os cidadãos participem».







