ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Foto: Estúdios Revolución

«Cuba, nestas horas, deve colocar seus maiores esforços em dois desafios que não esperam: a luta contra a Covid-19 — incluindo a tarefa vital de garantir o oxigênio medicinal — e lidar com inteligência e sentido de economia com as dificuldades derivadas da instabilidade do sistema elétrico nacional».

Desta forma, o primeiro secretário do Comitê Central do Partido Comunista e presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, fundamentou esta terça-feira, 17 de agosto, no contexto de uma jornada de análises que também foi presidida pelo primeiro-ministro, Manuel Marrero Cruz, e que incluiu duas reuniões: uma com especialistas e cientistas imersos na luta contra o coronavírus, e outra com o grupo de trabalho temporário do Governo.

Neste último encontro, o chefe de Estado falou, em relação à epidemia, sobre a necessidade de se trabalhar com maior intensidade e detalhadamente a questão das altas hospitalares, «pois dar tudo o que for possível será uma garantia de melhor aproveitamento das capacidades que temos para cuidar do paciente».

«Agora é muito importante» — refletiu o presidente — «localizar os pacientes em um conjunto de locais para que o uso do oxigênio disponível no país seja mais eficiente e racional».

Diante da Covid-19, Díaz-Canel disse, «precisamos de um conceito de economia, um conceito de eficiência do trabalho», e reconheceu o enorme esforço que um «grupo de técnicos e operários de usinas de oxigênio desdobra e de todo sistema que o ministério das Indústrias vinculou à geração e distribuição de oxigênio».

Da mesma forma, destacou «o apoio que as Forças Armadas Revolucionárias e o Ministério do Interior estão dando; e isso se soma, é claro, a todo o papel que desempenham o pessoal médico, o pessoal de saúde, os sistemas de gestão e a compreensão que encontramos na população».

Um apelo especial foi feito pelo presidente a todos: «Para sairmos desta situação, mais uma vez apelamos à necessidade de cortar a transmissão, e só podemos cortar a transmissão se houver realmente um entendimento em nível social e reduzir a mobilidade ao mínimo possível».

Fez referência a duas variáveis ​​decisivas: isolamento social e distanciamento físico. Elas, frisou, «vão reduzir o número de casos e vão permitir uma operação, com mais espaço, dentro das necessidades que temos hoje em termos de capacidade, infraestrutura, pessoal médico, disponibilidade de oxigénio e medicamentos».

Sobre a outra situação complexa — aquela que «tem a ver com a instabilidade que temos atualmente no sistema elétrico nacional por várias causas», Díaz-Canel disse: «Em primeiro lugar, é preciso dar informações claras à população, alertar, avisar as pessoas quando o blecaute indesejável vai chegar. E ressaltou que ainda temos um conjunto de potencialidades que passam pela poupança. «O consumo está crescendo nos horários de ponta (eletricidade). Então, uma lâmpada que não é apagada, nenhum circuito, qualquer equipamento que fica conectado desnecessariamente, está afetando o país. Vamos todos pensar como um país; vamos ver o que podemos contribuir juntos, para melhorar as condições de todos, para termos mais estabilidade; e isso tem a ver, além disso, com a poupança».

O presidente exortou as autoridades de todas as províncias a estudarem cada possibilidade de encerramento de entidades estatais que não sejam essenciais, sempre com o objetivo de reduzir os encargos com o consumo de energia elétrica. São decisões, sublinhou, «que devem ser implementadas em nível territorial, para melhor trabalhar com o setor residencial, do qual também temos que pedir um esforço de poupança e um esforço de sensibilização, de compreensão».

Haverá espaços que não terão que ser fechados, refletiu, mas seu funcionamento deve ser pensado de forma que não fiquem dentro do pico de consumo. O chefe de Estado destacou o «esforço dos técnicos, dos operários do sistema eléctrico nacional, que trabalham em condições gravíssimas de falta de peças de reposição e de um conjunto de insumos». Sobre eles, destacou a façanha que realizam para que haja a maior estabilidade possível nas usinas de geração.

BOAS NOTÍCIAS NO MEIO DA COMPLICAÇÃO

Nesta terça-feira, 17 de agosto, durante o encontro com os especialistas e cientistas que não param de lutar contra a Covid-19, foi muito animador ouvir a doutora Ileana Morales Suárez, diretora de Ciência e Inovação e Tecnologia do ministério da Saúde Pública (Minsap), que falou sobre indicadores preliminares relacionados com o impacto, em Cuba, da vacinação contra a SARS-COV-2.

A especialista anunciou que a próxima semana será marcada pela vacinação de mais um milhão de pessoas. Segundo ela, as doses para esse salto sanitário serão distribuídas no país nas próximas horas. «Nesse milhão, especificou, vamos incorporar 22 novos municípios que começarão entre sexta e sábado».

Nos últimos dias, disse, Cuba teve vários marcos, entre eles, que nesta segunda-feira, 16, o número de doses de vacinas administradas ultrapassa os 12 milhões. «Isso é, eu diria, uma façanha da indústria cubana da biotecnologia: fizeram um esforço extraordinário, assim como todos os colegas envolvidos na vacinação», disse a especialista, que elogiou a consistência com que Cuba marcha em sua intervenção sanitária, com um passo rápido que não para na conclusão dos ciclos.

Fez alusão aos grupos que se formaram para monitorar permanentemente o impacto da vacinação. «Nós sabemos quantas pessoas vacinadas morrem e quantas pessoas não vacinadas morrem; e consideramos como o dia de início desta intervenção o 1º Julho, porque lá as pessoas começaram a ter o esquema de imunização completo».

Ileana Morales explica que os estudos tencionam pesquisar profundamente cada informação que é cruzada e obtida. Entre outros números, a médica disse que a letalidade acumulada em Cuba é de 0,78%; No entanto, no grupo de imunizados e confirmados como positivos para a Covid-19 (25.608), 119 morreram, o que indica uma letalidade de 0,46%.

O especialista destacou que, no grupo dos não imunizados e confirmados para a doença (492.060), 3.904 morreram para 0,78% de letalidade. Segundo o médico, do total de imunizados (2.655.387) até 14 de agosto em Cuba, 119 morreram, o que representa 0,004% do total.

Não menos promissores são os resultados do estudo de Neutralização de soros de vacinados com Abdala e Soberana 02, frente às variantes de preocupação e interesse da Covid-19. O assunto ficou a cargo da doutora em Ciências María Guadalupe Guzmán Tirado, que afirmou que os estudos mostram notícias como estas: são observados teores de anticorpos neutralizantes no soro dos vacinados com Abdala e Soberana 02, para todas as variantes analisadas, inclusive Delta. E em pacientes convalescentes vacinados com Mambisa e Soberana Plus, tíeores de anticorpos neutralizantes foram observados para todas as variantes.