
A auto-estima depende de muitas premissas. Essa autoestima, por exemplo, tem uma relação indiscutível com o bairro ou com a comunidade a que se pertence. É um elo essencial que a Revolução não esquece e que, com particular ênfase, está sendo atendido e defendido, com um espírito muito fiel, pelas lideranças do país, e por muitas pessoas nos diversos espaços sociais.
Precisamente porque existe uma interação decisiva entre as pessoas e os ambientes onde vivem, há já algum tempo se desencadearam verdadeiros turbilhões nos bairros de Havana marcados por múltiplas vulnerabilidades e onde se concentram os problemas materiais, assim como os de conduta, que Cuba se propôs a superar.
Para dar seguimento ao que se passa na capital, realizou-se esta segunda-feira, 27 de setembro, a partir do Palácio da Revolução, uma reunião que foi presidida pelo primeiro secretário do Comitê Central do Partido Comunista e presidente da República, Miguel Díaz- Canel Bermúdez, bem como pelo primeiro-ministro, Manuel Marrero Cruz; o vice-presidente da República, Salvador Valdés Mesa; o secretário de Organização e Política dos Quadros, Roberto Morales Ojeda, e o presidente da Assembleia Nacional do Poder Popular e do Conselho de Estado da República de Cuba, Esteban Lazo Hernández.
Pertencentes aos 15 municípios de Havana, dezenas de bairros tornaram-se palco de várias mudanças para melhor. Isto foi lembrado na reunião pelo primeiro secretário do Comitê Provincial do Partido na capital, Luís Antonio Torres Iríbar, que afirmou que este movimento «não tem sido um processo estático, porque à medida que se avança surgem outras propostas que nós já estamos conectando com novos projetos e com novos atores que estão surgindo».
A respeito da abordagem das transformações que são avaliadas permanentemente pelos órgãos responsáveis, Torres Iríbar explicou que todo o esforço realizado «tem como objetivo o fortalecimento das estruturas das organizações da comunidade», e também com o propósito de diagnosticar situações sociais, para chegar às suas soluções possíveis.
«As vertentes de construção e manutenção» — apontou o dirigente partidário — «a par dos principais serviços comunitários, e uma matéria tão prioritária como a habitação, estão a ser assumidas com o princípio de aumentar a nossa capacidade de diálogo com a população a partir das nossas organizações de massa».
Iríbar falou do entusiasmo dos beneficiários que quase sempre acabam sendo protagonistas da mudança, que também destacou que, nas comunidades atingidas com os planos transformativos, há participação imediata da população, com o oportuno conselho de quem conhece cada canto da paisagem.
«As propostas que se fazem são extraordinárias quando são consultadas, quando são trocadas com o povo», assegurou o primeiro secretário do Comitê Provincial do Partido na capital, para quem «isto é que o povo participa, que dão a sua opinião e a partir da sua opinião as coisas são feitas, dá um valor extraordinário ao que fazemos».
Um mérito à parte, sublinhou, para os jovens agrupados nas Brigadas de Assistência Social, que de mãos dadas com os assistentes sociais das comunidades bateram às portas levando a mensagem de confiança e atualizando a situação de cada problema.
«Nas visitas destes dias» – disse Torres Iríbar – «sentimos a força do povo». Também falou de ter encontrado, em todos os bairros que estão mudando, o apreço pela obra da Revolução.
Por sua vez, o governador de Havana, Reinaldo García Zapata, explicou que «a cada semana nos atualizamos para avaliar quanto avançamos na ampliação e aprofundamento da caracterização dos bairros, sempre em estreita relação com as instituições sociais, e sem perder de vista que não pode haver empresa ou entidade que não tenha uma função social onde quer que se encontre».
Entre outros dados, García Zapata comentou que mais de 9.600 cadernetas de abastecimento já foram entregues a famílias carentes; 2.170 casas foram legalizadas; e 3.833 famílias com alguma situação desfavorável estão sendo ajudadas com um benefício econômico.
O governador falou sobre a resolução de problemas hidráulicos, pavimentação de ruas, continuação da restauração ou construção de calçadas e construção das pontes que estão previstas no plano. Vêm se desenvolvendo os cursos de participação popular, ou como estão solucionando as deficiências que encontrou em suas viagens por bairros e comunidades, ou que chegaram à liderança do país por meio de cartas.
O chefe de Estado demonstrou particular interesse pelo andamento do projeto da Universidade Popular José Martí — aquela maravilhosa ideia do dirigente Julio Antonio Mella, que foi discutida em um recente encontro entre dignitários e estudantes da Universidade de Havana. Sobre esta iniciativa que tem como fim levar conhecimentos de cunho histórico ou social aos bairros, Díaz-Canel quis saber se o projeto já tinha sido apresentado na casa Alma Mater.
A este respeito, Torres Iríbar explicou: «Já fizemos a apresentação oficial com todos os atores, participaram todos os municípios, tudo foi explicado pela Universidade na medida que eles querem». É, disse, «algo que vai gerar muito entusiasmo, pelos cursos e opções de formação que poderá oferecer».
No fim do encontro, Roberto Morales Ojeda compartilhou sua certeza segundo a qual «já estamos em condições de, em próximas avaliações do trabalho nos bairros, nas comunidades, começar a falar dos indicadores que nos permitam ver a efetividade de tudo o que estamos fazendo».
É uma tarefa, sublinhou, que vai além de resolver «aqueles problemas de ordem estrutural e material» e que coloca o desafio de como continuar articulando todos os meios de participação possíveis, caminho que, no seu entender, é o que vai fazer as transformações atuais.
Da mesma forma, destacou o papel do controle popular como ferramenta para «avaliar a qualidade dos serviços das instituições que estão localizadas (nos bairros), pois há muitas questões que não são apenas de natureza material».
Que funcionem bem a adega, a farmácia, o consultório médico, as escolas, as entidades desportivas ou culturais, «que consigamos verdadeiramente o que se definiu como trabalho comunitário integrado, possibilitará», disse Morales Ojeda, «mudanças sustentáveis ao longo do tempo, cujas experiências poderiam ser estendidas a outras comunidades do país».







