ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Photo: Estudios Revolución

Muito pode ser feito para desenvolver o país a partir do talento e da criatividade individuais. Do esforço de mulheres e homens, que com seus conhecimentos contribuem não só para o impulso da comunidade, mas também da nação, nos cenários mais díspares, nascem ideias que deixam lições para Cuba.

O primeiro secretário do Comitê Central do Partido Comunista e presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, voltou aos bairros, espaços a partir dos quais Cuba também cresce, para visitar um projeto de desenvolvimento local que classificou como «muito interessante», localizado no coração do bairro Chibás, em Guanabacoa, na capital.

O projeto Mãos Úteis para o Lar surgiu em 2010 a partir do impulso da engenheira química Inés Vega Piñón e de seu marido Alberto Hernández Suárez, também profissional, embora não tivesse nenhuma relação com Química. Concebido como um projeto familiar, começou a ser desenvolvido na cidade mexicana de Mérida, com a empresa Serquisur, e a seguir em 2016 em Toronto, Canadá, através da empresa Archemical.

Ambos os profissionais cubanos, licenciados como trabalhadores autônomos e produtores que vendem diversos produtos, elaboram e comercializam diversos produtos de grande demanda da população e que hoje estão em déficit, como higiene e limpeza doméstica e institucional, sabonetes e desinfetantes.

Uma engenheira química que lidera um projeto de desenvolvimento local, uma documentarista apaixonada que narra realidades a partir do humanismo e da sensibilidade, além de um criador de gado de sucesso, foram interlocutores do presidente da República nesta quinta-feira, 7 de outubro. Photo: Estudios Revolución

Aqui as produções não têm apenas finalidade comercial, a partir delas buscam-se soluções para os problemas. A partir do estudo que realizam, quase sempre nascem criações, todas certificadas pelo Centro de Pesquisas e Desenvolvimento de Medicamentos, instituição científica cubana dedicada à pesquisa e ao desenvolvimento de medicamentos genéricos, produtos naturais, tecnologias avançadas e meios diagnósticos.

«Que dificuldades têm no desenvolvimento dos produtos? Vocês têm vínculos com a indústria? Onde negociam? A comunidade sabe o que fazem?», foram algumas das muitas perguntas que o presidente cubano fez a Inés enquanto o ouvia contar apaixonadamente sobre seus empreendimentos e também sobre burocracias que em alguns lugares ainda nos impedem de aproveitar ao máximo o potencial deste projeto.

Daí sua insistência em conseguir uma maior ligação produtiva com a indústria nacional, aperfeiçoando os mecanismos que permitem que as pequenas importações não concorram com as grandes importações do país e fechando o ciclo produtivo para que as soluções sejam mais abrangentes.

«Precisamos que as pessoas tenham vontade de fazer, o que fazer é dito pela própria população com as suas necessidades», insistiu o chefe de Estado, que foi acompanhado pelo primeiro vice-mministro e titular de Economia e Planeamento, Alejandro Gil Fernández; o ministro da Indústria, Eloy Álvarez Martínez, e as máximas autoridades do Partido e do Governo na capital.

«Contribuir para o desenvolvimento de Guanabacoa é o objetivo principal» — assegurou Inés ao presidente — «que é uma forma de contribuir para o desenvolvimento do país».

COLOCAR OS RECURSOS ONDE SÃO MELHORES UTILIZADOS

«Os recursos de que o país dispõe, mesmo que sejam poucos, devem estar nas mãos dos melhores produtores», foi a máxima de trabalho defendida pelo presidente cubano ao percorrer as instalações pecuárias de Jesús Lazo Pérez, destacado criador de gado da província de Mayabeque, cujos esforços lhe permitiram obter resultados superiores à média do país.

Photo: Estudios Revolución

Onde antes existiam apenas ervas daninhas, que ameaçavam destruir a infraestrutura criada no desenvolvimento da pecuária cubana, hoje Jesus aproveita cada pedacinho de terra e coloca toda a sua engenhosidade para continuar promovendo o gado da raça mestiça Siboney.

Com orgulho, Diaz-Canel ouviu explicações sobre seus quase 400 animais; a busca de alternativas nacionais para alimentá-los; o atendimento dos bezerros; as vendas em moeda estrangeira para a Empresa Agrícola; o cuidado primoroso com que trabalham a sua economia, porque nela também «está o sucesso de uma boa pecuária», e a forma como atendem às necessidades dos seus oito trabalhadores.

A cooperativa de crédito e serviços 13 de Marzo, pertencente à Empresa Agropecuária Nazareno, situada no concelho de Melena del Sur, é um local onde se colocou a ciência e com o conselho do Instituto de Zootecnia (ICA) conseguiram substituir e multiplicar com sucesso as 30 novilhas com as quais este projeto começou em 2008.

«A pecuária é lenta, mas pode se desenvolver», explicou Jesus ao presidente cubano. «Comecei aos poucos, sem desespero, usando os lucros que as produções me deixaram para fazer mais, e aqui está o resultado», disse com orgulho aos visitantes, entre eles os primeiros vice-ministros Alejandro Gil Fernández e Jorge Luis Tapia Fonseca; o chefe da Agricultura, Ydael Pérez Brito, e as principais autoridades do Partido e do Governo em Mayabeque.

Entre outros resultados, este local distingue-se por uma taxa de natalidade acima de 90%, quando a média do país mal chega a 50%.

«Para ser fazendeiro» — enfatizou o presidente cubano — «é preciso ser um bom administrador e tem muito disso aqui». Também destacou que bons exemplos como este devem ser promovidos e aplicadas em outros lugares as boas experiências que nos deixam.

GANHA QUEM OFERECE E GANHA QUEM RECEBE

Para dar cara e alma a quem às vezes não tem voz nos meios de comunicação tradicionais, para acompanhar e avançar junto com mulheres e homens com tantas e diversas realidades para contar, nasceu há quase 20 anos o projeto Palomas, uma produtora audiovisual para o ativismo social, «onde a criação artística se torna uma criação humana».

Ali mesmo, entre produtores audiovisuais e ativistas sociais, o presidente cubano iniciou seu dia nesta quinta-feira, 7 de outubro, acompanhado da primeira vice-ministra Inés María Chapman Waugh; o ministro da Cultura, Alpidio Alonso Grau, e as máximas autoridades do Partido e do Governo em Havana.

Photo: Estudios Revolución

Do humanismo e da sensibilidade que colocou Lizette Vila, documentarista e diretora do projeto, foram cerca de 90 obras audiovisuais para promover a consciência e o sentido de vida. «Não trabalhamos apenas com mulheres», destacou, «também trabalhamos com justiça de gênero com os homens, justiça ambiental e justiça social».

«Este é um projeto» — sublinhou a notável documentarista — «que narra histórias de vida de pessoas que precisam de se tornar visíveis. Às vezes as pessoas não vêm para pedir ajuda, mas simplesmente para serem ouvidas».

E justamente porque a consciência das vulnerabilidades tem que ser coletiva, e a «reparação» que a alma do povo também faz, Díaz-Canel destacou a necessidade de que as pesquisas aprofundadas realizadas pelo Projeto estejam interligadas aos programas de governo. que já existem no país.

Trata-se de criar espaços e agregar a todos, os jovens e os que já não o são, prática que há quase duas décadas distingue o projeto Palomas. Porque lá, como dizia sua diretora, «ganha quem oferece e ganha quem recebe».

Photo: Estudios Revolución