
Que Cuba possa gerar toda a eletricidade de que precisa com fontes renováveis de energia (FRE) não deve causar dúvidas. O dilema é quando esse poder será alcançado.
Um slogan que foi utilizado para abordar esta questão e esse objetivo na última sessão do Conselho Nacional de Inovação pode lançar luz sobre isso: «Sim, pode (pode ser feito), deve (ser feito) e (deve ser feito) em curto prazo».
A radiação solar é abundante no arquipélago para fornecer painéis fotovoltaicos; o vento é favorável em muitos lugares para mover turbinas eólicas grandes e pequenas sem dificuldade; a biomassa não é escassa para alimentar as usinas bioelétricas (incluindo caldeiras e turbogeradores de usinas de açúcar), e sobra o lixo líquido a ser jogado na barriga de um biodigestor.
Cientistas e especialistas, homens e mulheres dedicados de corpo e alma ao desenvolvimento das energias renováveis em Cuba, foram convidados pelo primeiro secretário do Comitê Central do Partido Comunista e presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, para discutir o assunto.
Foi um congresso em pequena escala sobre um tema estratégico. Em quatro horas tudo foi falado. Mesmo um pequeno livro pode sair do exposto e do debatido. Uma abordagem abrangente, holística e sinérgica foi testemunhada.
A Transição energética para fontes de energia renováveis. Inovação e colaboração intersetorial, foi a apresentação geral da abordagem. Foi apresentada pelo engenheiro Liván Arronte Cruz, ministro de Energia e Mineração.
Atingir cem por cento na geração de eletricidade a partir das energias renováveis é a solução estratégica com que a Ilha se compromete para alcançar a sua soberania num aspecto transversal a todas as áreas econômicas e sociais.
Como foi em sessão do Conselho Nacional de Inovação, foi oportuno lembrar — e assim o fez Arronte Cruz — que a principal ideia inovadora da eletricidade cubana foi a Revolução Energética, desenvolvida sob a liderança do Comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz.
COMO COBRIR O SOL COM UM DEDO
Os 95% da eletricidade que é gerada hoje no país é proveniente de combustíveis fósseis. Conforme relatou o titular do ministério de Energia e Mineração (Minem) ao explicar o estado atual dos investimentos nas energias renováveis, a implementação dessa política está 40% atrasada. «Devíamos ter 506 MegaWatt (MW) em operação, mas temos 302,6 MW».
No entanto, o desenvolvimento deste programa tem muitos pontos fortes, como a existência e implementação da Política do Governo para o desenvolvimento dessas energias, e a eficiência energética e seu quadro regulamentar, e um potencial suficiente e diversificado de fontes de energia renováveis.
«Somos reforçados» — acrescentou Arronte Cruz — «pela elevada formação de capital humano nesta área e pelo ambiente favorável ao incremento da inovação e da cooperação intersetorial».
As oportunidades também são muitas, como a disponibilidade internacional de financiamentos e investidores para a realização de projetos de energias renováveis e o aumento da competitividade das tecnologias renováveis em relação aos combustíveis fósseis, que se tornam mais baratas a cada dia.
O propósito de Cuba, entretanto, tem mais de uma ameaça, em primeiro lugar os efeitos do bloqueio econômico, comercial e financeiro do governo dos Estados Unidos, exacerbado pelo governo Trump com as 243 medidas punitivas impostas pelo presidente Joseph Biden mantidas incólumes.
Parte do atraso no cumprimento das metas de uso das energias renováveis para este período deve ser atribuída à pandemia da Covid-19, que mergulhou o mundo em grave crise econômica, mas o bloqueio, embora «não se possa cobrir o sol com um dedo, escurece tudo».
«Se Cuba não avançou mais no uso dessas energias é por falta de financiamento, e a primeira causa está no bloqueio».
SIM, PODE-SE
Ao intervir no debate, o primeiro secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba concordou sobre o ponto estratégico da questão. «Pode-se dizer que a questão energética é a questão fundamental», disse.
«A geração de eletricidade a partir de fontes renováveis envolve elementos conceituais e estruturais, e estes estão intimamente ligados à soberania, à economia, às questões sociais e ambientais», acrescentou, referindo-se à estratégia de desenvolvimento eletroenergético do país, que já contém muitas das análises e critérios que foram apresentados aqui.
«Que Cuba possa atingir cem por cento da geração de eletricidade a partir das energia renováveis, integrando-as todas (embora mantendo as capacidades de geração de combustíveis fósseis em reserva) é possível», enfatizou Díaz-Canel.
«O problema energético» — acrescentou — «não é um problema sem solução, mas» — acrescentou mais tarde — «não se trata apenas de gerar a partir dessas fontes renováveis; esta deve ser vista como uma questão integrante que implica o aumento da eficiência energética, com a introdução de novas tecnologias, e também uma grande consciência da poupança».
Em Cuba, acrescentou ao final do encontro com especialistas e cientistas em ciências da energia, «há conhecimento suficiente para enfrentar o desafio do uso dessas energias e conseguir cem por cento da produção de energia delas».
Entre os exemplos para demonstrar que é possível atingir este objetivo, referiu a política aplicada na Zona Especial de Desenvolvimento de Mariel, onde a prioridade dada a essas energias, especificamente à energia fotovoltaica, tem levado a Zona a fornecer eletricidade à rede nacional de energia elétrica, várias horas por dia.
A reunião do Conselho Nacional de Inovação contou com a presença dos ministros das Indústrias, Eloy Álvarez Martínez; do Ensino Superior, José Ramón Saborido Loidi, e do Comércio Exterior e o Investimento Estrangeiro, Rodrigo Malmierca Díaz, entre outras personalidades.
O Conselho Nacional de Inovação é o órgão consultivo do Estado que assiste o presidente da República e tem como objetivo recomendar decisões que promovam a inovação no funcionamento do Estado, do Governo, da economia e da sociedade de forma coordenada e integrada.











