ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Photo: Ariel Cecilio Lemus

Embora a recuperação econômica do país, depois do golpe devastador que significou a Covid-19, não seja uma tarefa fácil, «com o ímpeto dos cubanos dignos e a decisão permanente de resistir e vencer, mais cedo do que tarde, avançaremos para a frente». A afirmação foi do primeiro vice-ministro e ministro da Economia e do Planejamento (MEP), Alejandro Gil Fernández, durante o 7º período ordinário de Sessões da 9ª assembleia legislativa da Assembleia Nacional do Poder Popular (ANPP).

Ao apresentar o Relatório sobre o andamento da economia cubana até 30 de setembro, o ministro assinalou que a pandemia e o agravamento do bloqueio dos Estados Unidos impuseram condições excepcionais, a tal ponto que nos últimos dois anos, o país perdeu mais de 13% de seu Produto Interno Bruto.

Em termos de receita, especificou que em 2020 se perderam cerca de 2,4 bilhões de dólares por ambos os fatores, e que se estima fechar 2021 com cerca de 700 milhões a menos do que estava previsto no plano. «Em um período de dois anos, o país perdeu mais de 3 bilhões de dólares. Por mais que se esforce e se apure a gestão do governo, não é possível que isso não se faça sentir no dia a dia dos cubanos», afirmou.

IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO

Durante a apresentação detalhada, Gil Fernández afirmou que ao final de setembro, a receita vinda do setor externo é da ordem de 1,34 bilhão (1.344.000.000) de dólares, relativamente à exportação de mercadorias (68,7% do plano anual). Enquanto isso, as importações de mercadorias chegam a 5,8 bilhões (5.800.000.000), dos quais 1,34 bilhão (1.348.000.000) foi investido na compra de alimentos, número que não é desprezível, embora saibamos que não atende à demanda.

No que se refere às exportações de bens, há itens como fumo (91%) e rum (86%), com peso considerável na receita do país, nos quais os níveis esperados não foram atingidos.

Por outro lado, as exportações de níquel apresentam bom desempenho, mesmo quando a produção física não tenha sido cumprida em cerca de 2.500 toneladas.

«Lagosta, outros minérios, mel e fármacos também apresentam comportamento favorável», acrescentou.

Sobre a exportação de serviços, disse que «estamos com 67% do planejado para o ano. O principal impacto está no setor do turismo, para o qual se previa receber mais de dois milhões de visitantes internacionais, no entanto, a situação epidemiológica tem impedido o cumprimento desse objetivo, sendo já sabido que o valor real ficará bem abaixo do esperado».

Relativamente às exportações das formas de gestão não estatais — uma das medidas aprovadas no ano passado — o titular do MEP especificou que «temos até à data 5.312 contratos para a realização de operações de comércio exterior através dessas formas. Destes, 197 são para exportação e 5.115 são para importação», acrescentando que esses interesses devem aumentar com a criação de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) e as demandas por insumos que elas possam gerar para suas produções.

No caso das receitas, elas se comportam a 60% do plano de 2021, em torno de 2 bilhões de dólares. O primeiro vice-ministro afirmou que a estimativa para o final de dezembro é de chegar a 2,6 bilhões (2.618.000.000). «Isso implicaria em permanecer em cerca de 700 milhões abaixo do planejado», disse.

AGRICULTURA DESCUMPRE SUAS PRODUÇÕES

Descreveu a situação da produção alimentar nacional como muito complexa, provocada, entre outros fatores, por um acentuado défice de disponibilidade de insumos e combustíveis, pela impossibilidade de importar muitos dos equipamentos e também por problemas de organização.

Com relação ao plano de economia, Gil Fernández reconheceu que praticamente todas as produções apresentam descumprimentos. Entre elas, itens tão importantes como arroz, com 62.000 toneladas abaixo do planejado, milho (64.000), feijão (22.800), leite (63,6 milhões de litros), carne de porco (31,4 toneladas) e ovos (54,7 milhões de unidades). A este respeito, lembrou que foram aprovadas 63 medidas destinadas a impulsionar a atividade agrícola e a conseguir um desempenho mais eficiente de todos os seus atores.

PORTADORES DE ENERGÍA E COMBUSTÍVEIS

Quanto aops combustíveis, o ministro informou que a produção nacional de petróleo e gás natural está dentro do planejado. No entanto, esclareceu que, no caso do petróleo bruto, ele só pode ser utilizado para gerar energia elétrica, já que não atende aos parâmetros de refino de gasolina ou diesel.

Gil Fernández também referiu a geração de energia como um dos problemas mais complexos enfrentados nos últimos meses, o quão caro é manter a vitalidade das termelétricas e baterias dos grupos geradores, em um contexto em que alguma manutenção teve que ser adiada, devido à falta de financiamento e repetidos apagões.

Disse que a necessidade de aumentar a exploração dos geradores devido às quebras nas termelétricas elevou o custo do diesel e o custo da geração.

«O déficit de combustível que temos na atividade produtiva, em setores como agricultura ou transportes, se deve ao fato de que tivemos que destinar uma parte não desprezível para a geração de energia elétrica», explicou.

CIRCULAÇÃO MERCANTIL REFLETE DÉFICIT DE OFERTA

O titular do MEP explicou que o plano de circulação comercial total de bens e serviços é de 67%, o que reflete um déficit de oferta nos primeiros nove meses do ano, estimado em 16,5 bilhões (16,5.000.000) de pesos.

Da arrecadação nas lojas de moeda estrangeira, destacou que mais de 300 milhões de dólares foram reinvestidos em ofertas em moeda nacional, e o valor não tem sido maior porque o bloqueio não permite que parte do dinheiro arrecadado seja convertido em dinheiro aproveitável. «Temos convicção de que, se não tivéssemos introduzido as lojas em MLC, o cenário seria mais complexo», afirmou.

A produção de remédios é outra que tem sofrido com o déficit de renda do país, reconheceu, e garantiu que hoje se avança em direção a uma recuperação gradativa.

A EMPRESA É O PRINCIPAL SUJEITO ECONÔMICO

«Apesar de o sistema empresarial estatal ser considerado o principal sujeito da nossa economia, tem que avançar mais rapidamente para o demonstrar», alertou o primeiro vice-ministro, lembrando que no final de setembro existiam 1.368 empresas estatais com lucros e 541 com perdas.

«Existem problemas de recursos, limitações materiais, mas é preciso aprofundar as questões subjetivas, que não são desprezíveis. A empresa estatal deve aproveitar as medidas para aumentar sua autonomia».

O titular do MEP informou que o emprego aumentou. «Cerca de 200 mil pessoas foram às diretorias municipais do trabalho e da previdência social e conseguiram empregos». Expressou que é necessário que esse aumento se traduza em maior produção de bens. «O resultado de todas essas medidas deve ser o aumento da oferta à população», insistiu.

Especificou que nos últimos meses foram adotadas medidas compensatórias contra a inflação, para cuidar das pessoas vulneráveis, para que possam custear a cesta básica. Hoje, cerca de 400.000 cubanos se beneficiam deleas.

A ECONOMIA EM DEBATE

Esteban Lazo Hernández, presidente da Assembleia Nacional do Poder Popular, disse que nenhuma das conquistas na esfera social é sustentável se não alcançarmos a invulnerabilidade da economia.

Ydael Pérez Brito, ministro da Agricultura, considerou que mesmo quando o setor enfrenta uma grave escassez de insumos, as 63 medidas aprovadas para impulsionar a produção de alimentos abrem as portas para uma gestão mais eficiente.

Manuel Sobrino Martínez, ministro da Indústria Alimentar, comentou que também neste sector existem reservas para transformar a situação de mais de 30 empresas que fecharam o mês de setembro com prejuízos, para que deixem de ser um peso para a economia. «Nossas entidades precisam fazer um esforço maior para desenvolver a produção local de alimentos e impactar a autossuficiência municipal».

Entretanto, Liván Arronte Cruz, ministro da Energia e Mineração, explicou que existe uma estratégia para melhorar gradualmente a situação do Sistema Eléctrico Nacional e recuperar gradualmente 609 MW nas unidades geradoras, no resto do ano. «Temos uma estratégia em longo prazo, para aumentar a geração com fontes renováveis ​​de energia e depender menos dos combustíveis fósseis».

Juan Carlos García, ministro do Turismo, assegurou que o controle da pandemia e o avanço da vacinação posicionaram o país na região, para um aumento gradual da atividade turística internacional.

Por sua vez, Rodrigo Malmierca Díaz, ministro do Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro, explicou que em novembro será apresentada uma nova carteira de oportunidades que contém projetos em todas as províncias. Assegurou que, apesar do reforço do bloqueio, se mantém o investimento estrangeiro que já existia em Cuba e que as novas entidades estrangeiras continuam manifestando interesse em investir em nosso país.