
Em 14 de dezembro, Havana se orgulha de sediar a 20ª Cúpula de chefes de Estado e de Governo da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América - Acordo Comercial dos Povos (ALBA-TCP).
De acordo com o secretário executivo do bloco, Sacha Llorenti, a ALBA vai além da integração; busca a unidade dos povos dentro da estrutura de seus próprios interesses, princípios e realidades.
Em uma entrevista coletiva, Llorenti enfatizou que atualmente existem muitos desafios, mas a Aliança permanece firme e é tão necessária quanto era há 17 anos, sobretudo para que os países membros possam enfrentar problemas juntos.
«Nossa Aliança também busca complementaridade com outros mecanismos de integração; para nós é uma prioridade que a Comunidade dos Estados da América Latina e Caribe (Celac) seja fortalecida», acrescentou.
Com relação à agenda desta Cúpula, especificou que ela está enquadrada em uma análise da situação atual, na criação de arquivos conjuntos para enfrentar as condições da pandemia e da pós-pandemia.
Também será realizada uma avaliação dos últimos 12 meses desde a última cúpula ordinária, e um plano de trabalho será proposto para consideração pelos chefes de Estado e de Governo.
Disse que este plano inclui o Conselho de Complementação Econômica, formado por autoridades de alto nível da área, e que ele se propõe buscar alternativas para fortalecer a aliança em questões econômicas.
Sacha Llorenti acrescentou que durante a reunião, será proposta a criação de um observatório contra a interferência, em resposta à Cúpula da Democracia convocada pelo presidente norte-americano Joe Biden, que aprovou um orçamento de milhões de dólares para desestabilizar governos soberanos. O objetivo do observatório será analisar periodicamente para onde vai esse dinheiro e o papel de algumas ONGs nos processos de desestabilização; também estudará como as medidas coercitivas neoliberais são aplicadas nos países membros.
A ESQUERDA NA AMÉRICA LATINA...
Com respeito aos governos progressistas que chegaram ao poder na região, Llorenti comentou que novos ventos de mudança estão soprando. Comemorou a retumbante vitória eleitoral na Bolívia e seu restabelecimento na aliança. Ele também parabenizou o trabalho realizado pelo governo mexicano durante sua presidência pro tempore da Celac.
«Aplaudimos o que aconteceu em Honduras, a vitória eleitoral na Nicarágua e os sucessos nas urnas na Venezuela. Para esta cúpula temos a presença bem-vinda de Santa Lúcia, um país que há três anos não participava das atividades do bloco», acrescentou.
Elogiou, com profunda satisfação, o fato de Cuba ter desenvolvido suas próprias vacinas. «Este é um fato que nos enche de orgulho e é um exemplo do que, apesar da adversidade, um povo como o povo cubano e seu governo são capazes de fazer. Estamos muito felizes que as vacinas cubanas estejam agora, como seus médicos, salvando vidas em diferentes países», enfatizou.
ALBA EM RELAÇÃO À OEA
Outra questão foi o papel e a posição da ALBA frente às constantes tentativas de desestabilização e interferência da Organização dos Estados Americanos (OEA) e de seu secretário-geral Luis Almagro, «que em vez de transformar este órgão em um órgão de integração, tornou-se um bispo dos interesses norte-americanos e da aplicação da Doutrina Monroe».
«Há uma diferença radical entre esse corpo e o que a ALBA representa. Eles estão lá para aplicar a Doutrina Monroe, mas a nossa é a doutrina bolivariana, a doutrina de José Martí e a doutrina da unidade de nossos povos. Temos dois projetos históricos diferentes: o deles é tentar nos transformar em uma colônia, e o nosso é defender nossa soberania e independência a todo custo», acrescentou.
ALCANÇANDO 17 ANOS COM GRANDES CONQUISTAS
Entre as principais realizações, Sacha Llorenti destacou a alfabetização de milhões de pessoas com o método cubano Yo sí puedo (Sim, eu posso). E também lembrou a Missão Milagre, que devolveu a visão gratuita a mais de seis milhões de latino-americanos.
Entre as realizações mais recentes, enfatizou a criação do Fundo Humanitário para lidar com desastres naturais e emergências sanitárias nos países membros, bem como o estabelecimento da ponte aérea humanitária, em conjunto com a companhia aérea venezuelana Conviasa, para a transferência de vacinas, pessoal médico e suprimentos.
Em suas palavras, também se referiu ao apoio da ALBA à luta do povo porto-riquenho pela independência e soberania. E também enfatizou que esperava que as várias resoluções da Assembleia Geral das Nações Unidas em relação à Palestina fossem cumpridas. E também expressou seu apoio ao povo sírio após anos de guerra sangrenta.







