
Tudo que fortalece a empresa estatal socialista — por exemplo, o desejo de inovar — é de indubitável valor hoje em dia. Foi neste espírito que a reunião habitual entre a liderança do país e os representantes do sistema empresarial estatal ocorreu no Palácio da Revolução, em 23 de maio.
A experiência dos parques científico-tecnológicos e sua ligação com o sistema empresarial, bem como o uso de fontes renováveis e o uso eficiente da energia nesse sistema, fizeram parte da agenda da reunião liderada pelo primeiro-secretário do Comitê Central do Partido Comunista e presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez.
Que o conhecimento, a pesquisa e a inovação impactem o sistema empresarial estatal foi um conceito desenvolvido na palestra, que também incluiu três membros do Bureau Político: o primeiro-ministro Manuel Marrero Cruz; o secretário de Organização do Comitê Central do Partido, Roberto Morales Ojeda, e o general-de-corpo-de-exército e ministro das Forças Armadas Revolucionárias (FARs), Álvaro López Miera.
Sobre as vantagens e benefícios que os parques científicos e tecnológicos podem ter para o setor empresarial, falou o diretor da Empresa de Parques Científicos e Tecnológicos de Havana, Rafael Luis Torralbas Ezpeleta, lembrando que esta entidade em Havana foi criada em 4 de fevereiro de 2020, «e foi a primeira forma dinâmica que foi criada após a aprovação do Decreto 363º de 2019».
Torralbas Ezpeleta apontou que o Parque nasceu em um contexto muito difícil, marcado pela pandemia da Covid-19, mas que esta adversidade não o impediu de modelar as formas em que queria trabalhar e decolar. 2022, disse, «é o período em que queremos consolidar o crescimento, com uma projeção estratégica que vai até 2026».
«Definimos nosso Parque como um ecossistema de inovação para a execução de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, e para a incubação de novas empresas de base tecnológica. O objetivo», salientou, «é proporcionar benefícios e incentivos que facilitem a obtenção de resultados que tenham impacto sobre o desenvolvimento econômico e social do país».
Torralbas Ezpeleta falou de vários conceitos: o Parque deve ser um espaço dinâmico — isto significa que tudo que é realizado em seu ecossistema deve ser feito mais rapidamente do que no resto dos cenários econômicos e sociais; o critério de sustentabilidade é importante; deve promover a relação entre a Universidade e a empresa, e o critério de seletividade é vital para escolher aqueles projetos cujos impactos econômicos e sociais são relevantes».
Com uma localização privilegiada — definida como tal por Torralbas, porque o edifício sede está no campus da Universidade das Ciências da Computação (UCI) — o Parque de Ciência e Tecnologia de Havana tem uma infraestrutura para mais de 1.200 empregos: «Acima de tudo», explicou o diretor, «tentamos criar espaços lá para atender aos projetos que estamos incubando, e nos afastarmos do laboratório clásico».
«Muitos dos resultados do Parque», disse, «já estão tendo um impacto positivo no ambiente nacional: há 36 projetos em incubação — e os profissionais envolvidos neles são quase 500; no final de abril, as receitas de exportação haviam aumentado — as exportações nos primeiros quatro meses do ano foram o dobro do alcançado no ano anterior — e esta tendencia deve continuar e até mesmo melhorar».
O empresário trouxe exemplos do impacto que o Parque de Ciência e Tecnologia tem no setor estatal nacional, e mencionou o projeto de software de ventilação pulmonar de alto desempenho desenvolvido pela empresa Combiomed Tecnología Médica Digital — «um projeto muito importante e desafiador», disse, «no qual participaram profissionais da UCI — e o projeto iniciado com a Empresa de Transporte Turístico Transtur S. A.; bem como o projeto conjunto com a pequena empresa Emsi Farma (Equipos Inteligentes para a Indústria), que é um projeto de soluções de automação para as indústrias biotecnológica e farmacéutica».
A inteligência que irradia do Parque enquanto hospeda projetos alcança resultados como a máquina de enchimento no Centro de Imunoensaios, e uma das autoclaves na fábrica de soro e derivados de plasma da empresa Laboratorios Aica. Tudo isso, como disse Torralbas, gerou «não apenas uma solução local, mas também soberania tecnológica para as empresas beneficiárias».
Houve uma sucessão de vozes dos empresários que confirmaram o sucesso de exemplos como os explicados pelo diretor da Empresa Parque de Ciência e Tecnologia de Havana. Foi dito que os parques de maior sucesso no mundo foram aqueles em que houve uma união entre governo, empresas e universidade, com os primeiros desempenhando um papel de liderança; também se falou de ambientes criativos, antiburocratizantes e sem barreiras estéreis.
O primeiro-ministro, Manuel Marrero Cruz, reconheceu as realizações concretas, nascidas da ligação direta entre um grupo de empresas e o Parque, e destacou o potencial que tal aliança abre em termos de pesquisa, desenvolvimento, inovação, diversificação de financiamentos, colaboração internacional e infraestrutura.
O presidente Díaz-Canel refletiu que uma das características que deve distinguir «nosso setor empresarial, ou nosso setor produtivo de bens e serviços, é que ele tem que ser inovador, e para ser inovador ele tem que ter, por um lado, uma relação direta com o setor do conhecimento e, por outro, tem que ser capaz de exigir uma pesquisa científica baseada em problemas.
O presidente argumentou que o Parque de Ciência e Tecnologia de Havana, ou os outros parques ou sistemas de interface que foram criados no país nos últimos tempos, favorecem a relação entre o conhecimento e o setor empresarial, «quebrando assim uma relação de sentido único que tínhamos em um determinado momento, onde praticamente as universidades, as entidades de ciência, tecnologia e inovação, com base em suas pesquisas, ofereciam o que tinham como pesquisa, enquanto o setor empresarial era muito pouco receptivo e, portanto, a pesquisa era arquivada».
BUSCANDO MUDAR A MATRIZ
O uso de fontes renováveis e o uso eficiente de energia no sistema empresarial cubano foi o segundo item da agenda da reunião. O tema foi introduzido por Rosell Guerra Campaña, diretor de Energias Renováveis do Ministério de Energia e Mineração.
O orador se referiu a empresas que já instalaram a tecnologia necessária e que tiram proveito das fontes de energia renováveis. Mencionou como «boa referência nacional» a Empresa da Indústria Eletrônica do Grupo da Eletrônica, que instalou sistemas solares fotovoltaicos em seus telhados. E falou da Empresa de Automatização Integral, que, em sua sede no distrito de Vedado, na capital, está desenvolvendo um importante projeto de referência nacional para tornar o edifício «o primeiro edifício energeticamente eficiente do país».
A Empresa das Telecomunicaciones de Cuba S.A. e Águas de La Habana, que possuem as duas primeiras frotas de veículos elétricos do país em operação para cobrir os serviços que prestam, também foram mencionadas por Rosell Guerra entre os exemplos que são «referências para as mudanças tecnológicas que Cuba precisa».
O especialista falou das vantagens do uso do bombeamento solar, no empenho de substituir, gradualmente, muitos equipamentos que hoje funcionam com diesel. Destacou áreas vitais nas quais há um grande potencial para mudanças na matriz energética, como as indústrias alimentícia e açucareira.
O presidente Díaz-Canel, referindo-se ao uso de fontes renováveis e ao uso eficiente da energia, disse que este «é um dos caminhos para um país como o nosso»; e acrescentou que se há um tipo de investimento que deve receber atenção especial, é precisamente esta mudança na matriz energética, pelo que representa em termos de menor consumo de combustível, maior eficiência e uma situação financeira que favorece a melhoria das empresas.
Ao final da reunião, Manuel Marrero Cruz enfatizou a importância de trabalhar com uma forte intenção de trabalhar neste tipo de investimento, o que poupa o país de muitas despesas: «É uma questão de subsistencia», disse.
«É uma questão de começar», salientou o chefe do Governo aos empresários, «e pouco a pouco aumentar as capacidades e ver como podemos contribuir não só para a empresa em termos de economia, mas também para o país como um todo, e para a população».







