ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Foto: Ilustração tirada da CLOC

«Os tempos mudaram e nossa América não aceita a imposição dos interesses do imperialismo», disse o primeiro-secretário do Partido Comunista de Cuba e presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, à sociedade civil cubana excluída da 9ª Cúpula das Américas, que está sendo realizada em Los Angeles.

O presidente denunciou que é um erro e um ato inaceitável de desprezo assumir que nossos povos não têm memória, e disse que o governo dos Estados Unidos carece de autoridade moral para falar de democracia quando é incapaz de defendê-la ou promovê-la em seu próprio território e para seus próprios cidadãos.

Disse que teve a honra de encabeçar a lista dos excluídos da Cúpula, juntamente com a Venezuela e a Nicarágua, porque isso significava que eles eram verdadeiros representantes de seus povos.

Apontou que a Cúpula dos Povos e pela Democracia, iniciada na quarta-feira, 8 de junho, é um verdadeiro cenário de debate e confronto de ideias, com uma agenda ampla e apegada às preocupações mais urgentes da região como um todo.

Na Cúpula Popular, com a presença de mais de 200 organizações comunitárias, estão sendo realizados nove painéis com o objetivo de tornar visíveis as vozes do povo e suas demandas por um mundo melhor.

Ao mesmo tempo, embora marcada por muita controvérsia, a 9ª Cúpula das Américas foi oficialmente inaugurada pelo presidente norte-americano Joe Biden.

Foi relatado que Adela Panezo Asprilla, porta-voz do grupo de trabalho sobre Governança Democrática, renunciou a seu cargo devido à pressão dos organizadores do evento.

Ela declarou que não seria a porta-voz do grupo por razões de princípio que a impedissem de dizer coisas com as quais discordava.

Em uma clara demonstração de hipocrisia, a declaração final deste grupo de trabalho — no qual figuras conhecidas da contrarrevolução cubana, representantes autonomeados da sociedade civil da Ilha, como Rosa María Payá e Yotuel Romero, estavam presentes — exige a condenação da «interferência da ditadura cubana em qualquer outro Estado», enquanto Cuba sofre constantemente com as tentativas dos EUA de decidir sobre seus assuntos internos.

Tal como declarou o presidente cubano na quarta-feira, 8: «Os Estados Unidos não estão mais satisfeitos em determinar quem e como o governo cubano deve ser; agora querem definir quem são os representantes da sociedade civil e quais são os atores sociais legítimos e quais não são».

Como demonstração disso, o secretário de Estado cubano, Antony Blinken, declarou que havia se encontrado com membros da sociedade civil e ativistas de Cuba, Venezuela e Nicarágua, após conversar com atores com uma posição marcadamente oposta à de suas nações de origem.

A acusação de um ativista boliviano contra o secretario-geral da Organização dos Estados Americanos também fez manchetes. «O senhor tem sangue em suas mãos, por causa de suas mentiras houve um golpe na Bolívia», disse a Luis Almagro.

As sessões de alto nível de 9 de junho serão realizadas e são esperados discursos dos chefes de delegações presentes na Cúpula das Américas.