ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
«É preciso continuar e não parar; avançar com isto», convocou Díaz-Canel aqueles que se propuseram levar o conforto e a beleza aos lares de Cuba. Photo: Estudio Revolución

Três histórias havanenses – a cujo encontro foi na manhã desta terça-feira, 23 de agosto, o primeiro-secretário do Comitê Central do Partido Comunista e presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez – merecem ser boas manchetes, em meio de tanto tráfico informativo que só busca apresentar a Cuba da desesperança; e em meio de tantas adversidades reais que atravessa a Ilha.

O chefe de estado visitou no município de La Lisa um bairro em transformação, e onde predomina a cor azul – local ao que fica muito bem seu nome: La Concepción – esteve em um promissório projeto de desenvolvimento local situado no município de Playa; e pôde apreciar, no Vedado capitalino, o que em curto tempo será um hangar-armazém de móveis, para vendas a retalho à população.

Dos três destinos, além do mais da notícia, derivaram lições para estes momentos difíceis: podemos tirar beleza de onde antes não havia; a cultura e a vontade mais ferrenha fazem uma mistura de longo alcance: não há empresa mais nobre, Ilha dentro, que aquela focada no bem-estar da população.

SÓ FAZ SENTIDO SE É COM AS PESSOAS

«Nós podíamos ter feito qualquer coisa, porém se não fazíamos a central telefônica…», confessou o jovem Juan Carlos Arteaga Portuondo, primeiro- secretário do Comitê Municipal do Partido em La Lisa.

O comentário, feito por ele aos jornalistas, teve lugar momentos antes que o presidente Díaz-Canel chegasse ao bairro La Concepción, situado no conselho popular Arroyo Arenas, bairro em transformação no município de La Lisa.

O bairro é um dos mais bonitos entre todos os vistos em transformação: ali muitas coisas foram refeitas. As autoridades mostraram ao presidente o Clube de Computação para Jovens, o mercado, um espaço onde se praticam vários esportes, e o projeto cultural para crianças que dirige Saulo Serrano Serrano, um apaixonado da arte.

Photo: Estudio Revolución

Com orgulho, Juan Carlos Arteaga falou desse empenho destinado aos mais jovens da comunidade e que defende a magia das artes plásticas e manuais; da instalação «poliesportiva» com seu ringue de boxe, com o tatame para a prática da luta, com seu local para a dança e exercício físico. Tudo era «um pedido da comunidade, sobretudo porque aqui há uma geração de jovens».

O primeiro-secretário do Comitê municipal do Partido em La Lisa explicou à imprensa que uns 300 metros cúbicos de asfalto foram empregados em restaurar o bairro, e que a muito pedida central telefônica significa agora a possibilidade de «um serviço de 1.224 capacidades telefônicas para a comunidade».

Em La Concepción foram reparadas a padaria, o ponto de venda de gás, o consultório médico, e foi dada manutenção a quatro edifícios do povoado; foram atendidas as mães com mais de três filhos, e foi totalmente reparado o recinto onde está a sede do Sistema de Atendimento à Família.

Por muitos dos locais que agora provocam admiração caminhou o presidente, quem em mais de uma ocasião insistiu na necessidade de que cada obra restaurativa se mantenha no tempo. E aos povoadores, em um dos diálogos que costumam se produzir entre o povo e ele, perguntou se há participação no que é feito: «Certo? Porque se não, isto não faz sentido: as pessoas veem que outros estão fazendo as coisas e que elas não estão participando, e que não as levam em conta para dar critérios, para controlar».

«O bairro está muito bonito», disse em algum momento o chefe de Estado, quem travou um diálogo com Saulo Serrano Serrano, um dos primeiros instrutores de arte formados na Revolução.

Saulo contou a Díaz-Canel que seu projeto já completa uma década; que ele leva as crianças ao workshop de artes plásticas e ali lhes ensina as técnicas criativas. Confessou que havia feito tudo «contra o vento e a maré», que um tempo antes «a erva chegava à altura das janelas, e estava apodrecendo aquele local. Desculpe a pouca modéstia», pediu o instrutor de arte, de 74 anos, ao presidente, para afirmar que teve a ideia de fazer um projeto no qual estivessem misturados a cultura e o esporte.

«É tamanha ideia» – considerou o presidente– «vincular cultura e esporte. Quantos valores podem desenvolver os garotos quando estão ligados à cultura e ao esporte? Tornamo-los mais cultos, mais responsáveis, mais coletivistas, ajudamo-los a enfrentar adversidades».

Saulo entregou a Díaz-Canel um galo crioulo pintado por ele; compartilhou sua alegria porque «há alunos que reconhecem que estão na arte graças a mim». E perante essa ideia, o presidente refletiu: «Você os aproximou da arte; fê-los melhores pessoas». Não terminou o encontro sem que antes o presidente lembrasse a Saulo, a propósito de que ele tenha lutado contra o vento e a maré: «todos os grandes projetos passam por incompreensões; e os adiantados, também».

A escola primária Pedro Lantigua, que conta com 50 trabalhadores, e onde estudam 404 estudantes, também foi visitada pelo primeiro-secretário do Comitê Central do Partido. «Que tenham um bom ano letivo», disse ao se despedir dos professores. E raciocinou perante os populares que lá estavam para cumprimentá-lo: «O que não podemos é deixar-nos vencer. Resistimos, mas criativamente».

DAS PEDRAS NASCEM MARAVILHAS

«Eu fui encorajada a fazer um projeto de desenvolvimento local; então, nisso estou, e agora o defendo: já que me fiquei convencida, agora eu estou convencendo». Assim falou Yoanka Estévez Salinas ao presidente, enquanto lhe explicava em que consiste um pequeno paraíso – chamado Yes ambientes – em El Bajo, pertencente à zona de Santa Fe, no município de Playa.

Após percorrer o local, o presidente valorizou a experiência como algo que merece ser generalizado e que não deve ter empecilhos: «Isto é desenvolvimento local», afirmou o presidente, «aqui há uma comunidade que pode viver deste projeto».

Yoanka havia explicado ao presidente que a essência de Yes ambientes é puramente social. Naturalmente, como ela disse, é vital um fundamento econômico, «e por isso tem a parte gastronômica, a agrícola, a artística –porque quase todos somos artistas –, e dentro de tudo isso o ecológico é fundamental».

Tudo começou em 2020, em meio à pandemia. O local, lembrou a empreendedora, «era uma lixeira gigante, e um assentamento de muitas pessoas que não tinham suas casas ordenadas legalmente. Viveram-se etapas de saneamento da área, de recuperação ecológica. E tem a satisfação de que, em meio de tanto trabalho, as pessoas que moram ali podem ter oportunidades de emprego, de participar e melhorando seus níveis de vida».

Naquele entorno feito a golpes de muito esforço e de bom gosto, o pai da Yoanka, Ricardo Estévez Praga, de 87 anos, pediu a Díaz-Canel para tirar-se uma fotografia com ele. O velho lutador, que guarda anedotas inesquecíveis com Fidel, expressou-lhe seu carinho, e lhe deu um abraço enquanto lhe dizia que o quer como um filho.

A EXCELÊNCIA E O BEM-ESTAR ABREM CAMINHO

No Vedado capitalino, exatamente na rua 15, entre 18 e 20, um cartaz anuncia que ali está «Dujo. Industria del mueble». Foi esse o terceiro local visitado pelo chefe de estado, quem percorreu os caminhos interiores da instalação.

Antonio García González, diretor da Indústria Cubana do Móvel, foi o principal anfitrião neste terceiro ponto da agenda presidencial: «Aqui estamos, respondendo a um compromisso, a um acordo que temos da segunda reunião de empresários com nosso presidente», explicou.

Disse acerca de Dujo que, além de ser líder na entrega de mobília aos hotéis de Cuba, o presidente os tinha convocado «a sair e a impactar positivamente de cara à população».

«Esta é a resposta», enunciou em clara alusão ao espaçoso recinto que antes estava sem uso: «Realizamos um processo de investimento; reabilitamos o hangar e o estamos convertendo em um armazém de vendas a retalho de móveis à população, em moeda nacional».

«Este projeto está hoje conciliando-se com o ministério da Economia, para precisar os temas de ligações financeiras que nos permitam a estabilidade e sustentabilidade da mobília».

Antonio García referiu que «aqui vão estar nossos designers, e vão interagir com o cliente, para que realmente venha procurar o que quer e saia satisfeito».

«Esta é a única loja, estamos iniciando aqui», disse o empresário, que contou acerca de uma projeção estratégica, já vista com as autoridades das províncias de Guantánamo, Las Tunas, e Villa Clara.

«É preciso continuar e não parar; avançar com isto», convocou Díaz-Canel aqueles que se propuseram levar o conforto e a beleza aos lares de Cuba.