
Evocar José Martí, em qualquer uma das formas que nós, cubanos, aprendemos a fazê-lo, é um exercício delicado e respeitoso de consciência, pensamento e amor. É trilhar um caminho sóbrio de princípios.
José Martí sempre aparece para nós como aquela árvore boa cuja sombra inspira e energiza a alma quando a estrada apresenta desafios que ameaçam diminuir a força de alguém, se não tivermos clareza sobre as convicções e os propósitos que impulsionam a jornada.
O Apóstolo sempre volta, e não precisamos de um maio ou de um janeiro como pretexto para encontrá-lo novamente. Sua presença se tornou necessária e muito mais indispensável e certa, como a daquele gigante visionário e sereno que agora o acompanha desde a imensidão do eterno.
Dos Ríos não apagou a chama, ele a espalhou. Daquele peito rachado por balas, o sonho libertário brotou em torrentes, e cada gota de sangue que sulcou o vento foi uma semente de esperança, adormecida no solo desta terra até seu centenário, quando todas germinaram em uma avalanche imparável de juventude.
Chega-se a José Martí com o otimismo de quem procura um pai e sabe que em seus conselhos encontrará as verdades necessárias para enfrentar as armadilhas da vida. Chega-se a José Martí com a mente pronta, com a alma aberta, com os olhos no futuro, porque voltar atrás nunca será o caminho a seguir, como nunca foi para ele.
Em tempos de ameaças incessantes, de ataques disfarçados e nus, de ocultação e distorção das verdades, aqueles que amam e fundam são reconhecidos como o Apóstolo, todos os dias correndo o risco de dar a vida por seu país e seu dever.
Por isso, José Martí é compromisso, força e esperança, uma vontade constante de fazer, um argumento irrefutável para defender nossa história, nossas decisões soberanas, nossa independência e nossa paz.
Nessas datas, o menino da Rua Paula volta a ser professor, pela exemplaridade de seu legado, pela profundidade de seu ideal, pelo realismo e sensibilidade de seus textos, pelo caráter visionário de um pensamento que se renova com o tempo e enriquece as experiências e o aprendizado de cada dia em Revolução.
Em maio, trocamos o luto pelo respeito eterno e nos recusamos a chorar, porque a memória que pulsa no privilégio de ter tido José Martí, de tê-lo, vale mais.







