
A capacidade da ciência cubana e do sistema de saúde cubano de usar produtos que já provaram sua eficácia e valor, como os interferons, para uso preventivo e o enfrentamento inicial de novas doenças, foi destacada pelo primeiro-secretário do Comitê Central do Partido Comunista e presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, na reunião desta semana com especialistas e cientistas da área de saúde.
Nesta terça-feira, 26 de setembro, o intercâmbio se concentrou nos resultados do uso de interferons cubanos no Protocolo de Ação Nacional para a Covid-19, uma apresentação que foi, de acordo com o chefe de Estado, outra «validação de que temos robustez em um grupo de medicamentos que desenvolvemos».
A doutora em Ciências Marta Ayala Ávila, membro do Bureau Político e diretora geral do Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia (CIGB), disse que mais de 40 anos depois de Cuba ter conseguido produzir os primeiros interferons, as novas gerações da ciência e da saúde pública continuam defendendo um projeto promovido pelo Comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz.
Ao destacar o interesse renovado no mundo em relação aos interferons, Ayala Ávila ressaltou a organização de nosso sistema de saúde para seu uso e a capacidade de usar e colocar ferramentas que devem continuar sendo avaliadas e posicionadas diante do surgimento de novas pandemias, um critério que é compartilhado por grande parte da comunidade científica internacional.
Cuba foi um dos países pioneiros na produção de interferons, obtendo o interferon leucocitário em 1981, um dos primeiros do mundo. É um desenvolvimento que teve, ao longo dos anos, várias formulações, e um de seus pontos altos foi seu amplo uso no combate e controle da pandemia da Covid-19.
O doutor em ciências Hugo Nodarse Cuní, chefe do Departamento de Pesquisa Clínica do CIGB, lembrou que o primeiro uso de interferons no tratamento dos infectados pelo novo coronavírus foi na China, no início da epidemia, e foi utilizado um medicamento criado por cientistas da Ilha e produzido pela joint venture sino-cubana ChangHEBER.
O especialista destacou que, como a Covid-19 foi administrada e controlada em Cuba com base na ciência e na inovação, o interferon foi o medicamento mais utilizado na fase de pré-vacinação.
Ressaltou que esse é um produto da nossa biotecnologia, que foi usado há 40 anos na epidemia hemorrágica da dengue e, 40 anos depois, contribuiu decisivamente para o principal desafio da saúde pública cubana, a pandemia da Covid-19.
«O interferón é um antiviral sólido que enfrentou uma nova doença, o que demonstrou na prática o potencial dos produtos biotecnológicos cubanos», disse Nodarse Cuní.
Em um relato sobre os resultados do uso desse medicamento no tratamento da Covid-19, o cientista lembrou que o Interferon tipo I já havia sido usado anteriormente no tratamento do coronavírus, mas no caso do vírus COV-2 da SARS ele se mostrou mais sensível.
O especialista analisou os resultados dos estudos clínicos para a avaliação do efeito e da segurança dos interferons cubanos HeberFERON versus Heberon Alfa R, bem como o uso deste último em pacientes com Covid-19.
Relatou que entre 11 de março de 2020 e 12 de abril de 2021, período anterior ao início da imunização em massa com vacinas contra a Covid-19, também inteiramente cubanas, mais de 88.000 indivíduos participaram de um teste clínico com a aplicação de interferons, incluindo mais de 10.000 pacientes pediátricos, incluindo o uso de uma formulação liofilizada em cerca de 2.000 crianças com mais de três anos de idade.
Entre os resultados dos estudos, observou que o tratamento com Interferon Alpha-2b em pacientes com Covid-19 contribuiu para a recuperação, independentemente da presença de sintomas respiratórios clínicos; foi associado à redução da necessidade de tratamentos intensivos e reduziu significativamente o risco de morte.
Na reunião, que também contou com a presença dos vice-primeiros-ministros Inés María Chapman Waugh e Jorge Luis Perdomo Di-Lella, o cientista discutiu em detalhes a formulação farmacêutica do Interferon Alfa 2b humano recombinante, em solução para administração nasal.
Nos estudos realizados, o agora icônico Nasalferon, outro fruto da ciência cubana durante o enfrentamento da pandemia da Covid-19, demonstrou, por exemplo, sua potência para o efeito antiviral nasofaríngeo, bem como seus efeitos sustentados e prolongados. Sua segurança e efeito profilático permitiram que obtivesse a Autorização de Uso Emergencial da autoridade reguladora cubana.
«O Nasalferon, um produto genuíno da biotecnologia cubana, nasceu», enfatizou o dr. Nodarse Cuní, «como um produto profilático e se tornou uma ferramenta terapéutica».
No final da apresentação, o especialista relatou, na ordem regulamentar, alguns marcos dos interferons cubanos que foram deixados pelo trabalho realizado por cientistas e profissionais de saúde na luta contra a Covid-19:
• Autorização de Uso Emergencial para Nasalferon.
• Registro sanitário da indicação COVID-19 para Heberferon.
• Registro sanitário da indicação COVID-19 para Heberferon Alfa R.
• Em avaliação pelo Cecmed, um teste clínico de fase II/III com Nasalferon em infecções virais respiratórias agudas (IRA) em adultos.
• Preparação do dossiê para registro sanitário do Nasalferon para IRA.
• Coordenação da distribuição do Nasalferon em farmácias comunitárias.







