
Em meio a emoções e firmeza, o residente da República de Cuba, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, fe zum convite aos delegados reunidos no 4º Congresso da Associação Hermanos Saíz (AHS): «Não podemos deixar que nossa alma ou nossos sentimentos sejam dilacerados, nem percamos a confiança em nossa identidade nem desistamos da nossa identidade porque os tempos são difíceis».
A expressão foi precedida de um raciocínio do chefe de Estado, segundo o qual o maior contributo que a AHS pode dar hoje, «no meio deste mundo que vivemos, no meio do cotidiano complexo, é a procura para o pensamento crítico que nos leva a resolver contradições, a propor soluções».
Sobre o atual momento histórico, o dignitário destacou que «os tempos não são difíceis porque há uma Revolução em Cuba; os tempos estão difíceis porque o império não quer que haja uma Revolução em Cuba. E se não houvesse Revolução os tempos seriam piores em Cuba. E com a Revolução sabemos que há uma saída, mesmo que haja quem não a veja».
O presidente afirmou que com a Revolução e com o socialismo «sabemos que há futuro, que há soberania e que há independência. Mas se a Revolução estiver perdida, não haverá nada disso».
«Contribuir criativamente para desenvolver um ataque à colonização cultural que nos tentam impor; trabalhar em comunidades; resolver problemas de cada município; defender o orgulho de ser cubano pela cultura e pela forma como podemos apreciar sentimentalmente, emocionalmente ligados às nossas raízes, a criação artística e literaria». O presidente falou de tais ideias; e apelou aos jovens «para amarem Cuba em tempos tão difíceis, para contribuírem para a pátria, a nação, a Revolução e o socialismo».
Em seu discurso, Díaz-Canel também argumentou sobre o valor de se chegar a um consenso; sobre a crise multidimensional que o planeta sofre; sobre a existência de «um grande bloco ideológico que quer manter a hegemonia mundial; da guerra suja que está sendo travada contra Cuba, com muito dinheiro para financiar a subversão ideológica». E refletiu:
«Aqui temos duas alternativas: Resistir criativamente e, como dizem no bom cubano, mostrar coragem e avançar com nosso esforço, com nosso talento – que acho ser o mais digno, é o mais revolucionário; e a outra seria desistir. Chamou essa última opção de anexionista e de perda de dignidade. Díaz-Canel destacou que o caminho para as soluções está em trabalhar, criar riqueza e distribuí-la com a maior justiça social: «Não existe uma medida única», alertou sobre a complexidade do cenário atual.
Em um outro momento do seu discurso referiu-se à cultura como uma essência, como um processo amplo que permite, de forma crítica e com a participação de todos, encontrar soluções no meio das contradições. «E a questão não é apenas sobre a vanguarda, mas sobre puramente a maioria», afirmou.
UM RELATÓRIO DIFERENTE
Em códigos atrativos, a partir de uma proposta audiovisual, o presidente Nacional da AHS nesta etapa recente, Rafael González Muñoz, compartilhou um conjunto de ideias com os delegados, em 6 de novembro, à tarde. Sua mensagem fez com que se reunissem as vozes dos criadores, em cujo som havia preocupações e propostas para uma Cuba mais espiritual e emancipada.
Gónzalez Muñoz dedicou parte de suas palavras ao holocausto sofrido pela Palestina. Lembrou-se em outro momento, à maneira martiana, que criar é lutar; e que criar é vencer. E também discutiu a importância de redefinir a arte na era da inteligência artificial; sobre a relevância de colocar um contrapeso cultural àqueles que optam pelo ter em vez do conhecimento; e sobre a importância do diálogo – cada vez mais necessário – para avançar em meio às adversidades.
A respeito da resistência cubana, Rafael González expressou: «Resistimos porque criamos a epopeia do nosso tempo». E também definiu, lindamente, que onde há sonho sempre há um caminho; que sonhar é fácil, mas que o desafio está justamente em torná-lo real.
VOZES DOS CRIADORES
«Junte-se ao desafio» tem sido o slogan de um Congresso que começou no domingo, 5, e no qual não faltaram emoções. Na tarde da segunda-feira, 6 de novemro, os delegados usaram da palavra para expressar, entre outros conceitos, que a Ilha atravessa um momento difícil, cheio de complexidades, e que nessas circunstâncias a existência da AHS assume um papel muito valor especial.
Eduardo Pinto, da filial da AHS em Santiago de Cuba, falou sobre os jovens «que ficaram sem âncoras na identidade nacional e no sistema de valores que defendemos. É uma realidade diante da qual a organização não fica de braços cruzados».
O delegado lembrou que o trabalho na consciência dos adolescentes e jovens começa na formação geral, desde a escola primária, desde a infância; e partilhou a sua opinião de que «os processos de colonização cultural, aqueles que tencionam a mudança de comportamentos de estilo de vida, vêm de várias latitudes. É um fenômeno global que tem múltiplas influências. Mas antes do exposto, o grande potencial que vive na cultura cubana pode ter precedência. Temos que ir às raízes, às pessoas», enfatizou.
A gratidão aos mestres da arte, para fornecer soluções, para buscar caminhos de autogestão, para enfrentar a apatia, para acompanhar os artistas, para que as instituições acompanhem os jovens criadores, e vice-versa, também foi discutida no conclave. O que há de mais valioso na Ilha, dizia-se, é não «sentir-se só e não perder de vista o papel ideológico que a cultura tem».
No dia de encerramento, a primeira-secretária da União dos Jovens Comunistas (UJC), Aylín Álvarez García, afirmou que o Congresso tem sido «um encontro de criação, esperança e futuro, com elevado espírito crítico e construtivo».
Um encerramento emocionante do encerramento esteve no reconhecimento do trabalho realizado nestes anos pelos dirigentes da AHS, e na eleição do novo presidente do Conselho Nacional da organização: Yasel Toledo Garnache, jovem jornalista, ensaísta e narrador, que disse aos presentes: «Vamos revolucionar a arte jovem, para a AHS, e deixar tudo ser a favor do nosso país».







