
Pensar, dedicar a inteligência aos principais assuntos que hoje desafiam a nação. Esse foi o convite essencial feito pelo primeiro-secretário do Comitê Central do Partido Comunista e presidente da República de Cuba, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, aos líderes juvenis e estudantis que na manhã da quarta-feira, 12 de junho, tiveram um encontro com a liderança do país.
«Vocês expuseram um grupo de temas que são muito interessantes, aos que é preciso dar um olhar e trabalhar em função deles», disse o chefe de Estado, que lembrou que este tipo de intercâmbio permite ver por onde andam os acordos dos dois últimos congressos da Federação dos Estudantes do Ensino Médio (FEEM), e da Federação de Estudantes Universitários (FEU).
«Continuamo-nos vendo; e estaremos nos vendo, como mínimo, todos os meses. Concordam?», expressou o presidente já no fim de mais uma sessão que se adiciona, com o mesmo estilo de incessantes intercâmbios mantidos pela liderança do país com organizações, instituições, entidades e cubanos que tornam possível a resistência na Ilha maior das Antilhas.
«Vocês fazem parte já do presente e do futuro do país, e estamos vivendo tempos muito duros, mas os tempos muito duros treinam, formam, fortalecem», disse o dignitário.
Díaz-Canel refletiu perante seus interlocutores – os quais já tinham tratado diversos temas que inquietam e mobilizam os cubanos do mundo juvenil e estudantil: «Os que vivamos tempos difíceis como estes, e saiamos na frente nestes tempos difíceis, vamos sair fortalecidos, vamos sair com mais capacidade para continuar defendendo a Revolução».
«Portanto, aproveitem este tempo, que é um tempo também dos jovens. E contribuindo, sintam depois o regozijo dos que defenderam a Revolução, dos que conseguiram defender a Revolução e manter a Revolução em um dos tempos mais difíceis, mais desafiantes, mais complexos».
Acerca dessa escolha de luta, o presidente cubano enfatizou: «Isso vai ficar em nós como uma satisfação para toda a vida, como um legado para toda a vida; e então vocês vão estar em muito boas condições para depois ocupar os cargos, as principais responsabilidades em todos os processos do país».
Assim foram as palavras, com firmeza e luz longa, até o final da manhã, que contou também com a presença do secretário de Organização do Comitê Central do Partido Comunista, Roberto Morales Ojeda; do vice-primeiro-ministro, Jorge Luis Perdomo Di-Lella; bem como da primeira-secretária do Comitê Nacional da União dos Jovens Comunistas (UJC), Meyvis Estévez Echavarría; do presidente da FEU, Ricardo Rodríguez González; da presidente da FEEM, Amanda Santos Viamonte; e de outros líderes juvenis e estudantis.
Foi uma troca marcada pela transparência e a inteligência, na qual os líderes juvenis e estudantis abordaram temas que lhes preocupam e ocupam, como a gravidez na adolescência; o consumo de drogas; as condições físicas e espirituais nas quais um estudante se abre passo em meio de suas tarefas docentes; a necessidade de identificar os contemporâneos que vivem em situações de vulnerabilidade; os modos de trabalhar em maior aliança com instituições a partir das quais os jovens possam ter melhor desenvolvimento; e arestas sociais que merecem um atendimento ágil e integral, como a do emprego estudantil.
Sobre esse último tema, aqueles que falaram coincidiram em que se trata de uma realidade destes tempos, quando não poucos jovens universitários adotam a decisão de incursionar no mundo trabalhista enquanto avançam em seus estudos, movidos pelo interesse de se ajudarem eles mesmos e a suas famílias.
Esse é um assunto que a FEU tem em sua agenda, organização que busca o ótimo nos índices acadêmicos, e ao mesmo tempo procura que os braços jovens não se envolvam em empregos sem ter garantias trabalhistas. Na reunião soube-se, por exemplo, que já na Universidade de Havana se produziram Feiras de Emprego Universitário, e isso é algo que vale a pena amplificar ao restante do país.
Em sentido geral, o espírito foi o de traçar estratégias a partir das organizações juvenis e estudantis, as quais fortaleçam vínculos com todos os espaços da aparelhagem social, a partir dos quais sejam tomadas decisões que gravitem positivamente nas novas gerações.
VOZES DOS NOVOS
Após concluído o encontro, os repórteres pudemos recolher o sentir de líderes que participaram em nome dos jovens e dos estudantes. Meyvis Estévez destacou o valor da troca, e aludiu a processos internos das organizações, e falou, também, sobre aspirações e «projetos de vida de nossos jovens».
Por seu lado, Amanda Santos destacou a transcendência de preparar vocacionalmente os futuros estudantes universitários, falou de trabalhar cada vez mais coesamente com a FEU, e pôs ênfase na projeção social, «e tudo o que o presidente nos está pedindo nesse sentido».
«Nem todos os jovens no mundo têm a possibilidade de conversar frente a frente com o presidente da República, com o líder da nação», sublinhou Ricardo Rodríguez, quem valorizou que, «no caso da Federação Estudantil Universitária, depois de realizado o 10º Congresso da organização, o presidente manteve, como esquema de trabalho, um acompanhamento dos acordos».
PALAVRAS A PESSOAS CRUCIAIS
Como em uma aula bem preparada, com o tom que pode ser empregado no coração de uma família, o presidente Díaz-Canel falou aos jovens sobre a importância de «entender o mundo em que vivemos», como premissa para tomar posições.
Disse que «é um mundo cheio de incerteza, doente de um consumismo que atenta contra a espécie humana; é um planeta no qual – raciocinou – o capitalismo, em 200 anos, não conseguiu resolver os problemas mais prementes».
Sobre a paz ameaçada, o chefe de Estado lamentou que «no mundo atual tudo se resolve com guerra», que o imperialismo as atiça, e que o que prevalece são os duplos padrões que mostram preocupação por um conflito na Europa, mas que obvia episódios de extermínio como o da Palestina.
«Há uma necessidade de mudar a ordem econômica internacional» – disse aos jovens o presidente – «e isso tem que fazer parte das inquietações de vocês. Por isso temos princípios de solidariedade, de altruísmo, de internacionalismo. São muito importantes na formação para compreender este mundo, e para compreender então que a alternativa é o socialismo».
Aos seus valiosos interlocutores, o chefe de Estado lhes disse: «Em Cuba o socialismo não tem fracassado. Acontece é que nosso caminho foi sendo obstaculizando a partir do momento em que quisemos construir esse socialismo».
Bloqueio acirrado; estratégia imperial; a necessária cultura geral integral da qual falou Fidel; o importante de «ter um pensamento crítico» perante toda a realidade; prioridades atuais do país, o valor do Homem Novo, esse modelo guevariano. Sobre tais temas conversou o presidente. E disse: «Minha maior paixão, minha maior aspiração nos momentos atuais é que nós, todos, sejamos capazes de superar o bloqueio recrudescido, e ir rumo a uma melhor situação como país».
Em outro momento do encontro, definiu que «a construção do socialismo é uma batalha de ideias, é uma batalha de defesa das ideias, e de consciência; e a aspiração é que as pessoas não se distingam pelas propriedades materiais que tenham nem pela suas riquezas, mas que as pessoas destaquem pelo conhecimento, por sua cultura, e por suas contribuições; e no caso dos estudantes, que sejam jovens humanistas, revolucionários, que compreendam a situação do mundo, que sejam solidários, que compreendam a situação do país, que participem, que contribuam».
«O que nós dizemos de vocês?», perguntou Díaz-Canel Bermúdez. E compartilhou esta ideia como resposta: «Que é preciso tratá-los como as pessoas tão importantes que são em nossa sociedade».
Depois de compartilhar diversos conceitos, o presidente falou sobre continuar as trocas, porque o objetivo é «continuar fortalecendo a unidade entre nós, continuar demonstrando que o país e a Revolução escutam os jovens, escutam os estudantes», sem os quais, disse, não se tomam decisões, não se concebem leis ou políticas que não os incluam e tenham presentes.







