
Somente o trabalho da vida torna possível que a morte não seja um adeus definitivo, mas sim um trânsito. Quem fez seus e próprios os sonhos coletivos e trabalhou de maneira incansável para o bem dos demais primeiramente, não morre nunca totalmente, porque há pegadas tão profundas que podem encarar o tempo, sem medo de perder a batalha contra sua passagem implacável.
Por isso é impossível falar de Vilma Espín em passado, fazê-lo como se não estivesse, como se tivesse partido; porque foi tão prolífica a sua existência, tão colorida de outrem, tão humana, tão revolucionária, que não há um instante de evocação em que não nos pareça vê-la de cara às tarefas de cada dia, ao sentir da mulher cubana, aos desafios mais prementes da Pátria.
Aquela garota, de juventude multifacetada, que uma vez que determinou o curso de sua vida já jamais o curvaria, tem o mérito de ter conseguido entender o papel determinante da mulher no pleno crescimento de toda obra. Ao mesmo tempo, ela entendeu a necessidade de que esse crescimento também fosse no individual, a partir da inclusão, a equidade, as oportunidades, a não-discriminação por razões de gênero, a superação, e outras tantas conquistas que têm na raiz o adubo de seu desempenho infatigável.
Vilma Espín Guillois, fundadora e líder da Federação das Mulheres Cubanas, fez da organização um pilar da unidade em torno da Revolução e dos seus líderes, sobretudo de Fidel, que a viu sempre como próxima colaboradora, e que assumiu sonhos junto a ela.
Muito devemos à visão preclara que sempre a acompanhou, e lhe permitiu ser artífice de profundas transformações, de programas sem precedentes, de imprimir uma perspectiva de gênero aos conceitos de justiça social. Foi artífice, inclusive, daquilo que não pôde ser materializado, e que hoje fazemos tremular boa parte graças a ela.
Por isso, este é um dia de evocação, de lembrança, de homenagem, não é um dia de lágrimas. E se todas as razões expostas até aqui não bastassem para asseverá-lo, bastará fechar os olhos um instante, trazê-la ao pensamento, e seu sorriso imperecedouro de mulher iluminada nos fará entender que Vilma Espín ainda está aqui, também com o pé no estribo, fazendo Revolução.







