Como ação, em termos militares, o ataque ao quartel Moncada, em 26 de julho de 1953, não teve o sucesso para o qual foi concebido. De imediato, não poucos chegaram a considerá-la, inclusive, uma verdadeira loucura.
Desde então, o planeta Terra já completou 71 voltas em torno do Sol e não sei quantas vezes eu me perguntei duas coisas: O que teria sido de Cuba sem o Moncada? E: O que nos deixou aquele ataque audacioso, protagonizado por um grupo de jovens, sem mais formação ou preparação militar do que a recebida em um brevíssimo espaço de tempo?
Aquela ação começou a catalisar algo que Cuba estava precisando havia muito tempo: unidade entre as forças contrárias ao regime e um bom abalo social, condicionante do papel e da ação que deve marcar a todo povo, necessitado de independência… se em verdade ele próprio se respeita.
Aquele dia 26 em Santiago de Cuba e Bayamo, totalmente distinto a todos os vividos desde a comunidade primitiva nesta ínsula, foi simplesmente a semente de rebeldia que, nascida de igual fruto, plantaram Fidel e os atacantes para toda a posteridade.
Não tiveram que ir muito longe – no tempo e no espaço – para buscar um referente histórico, os milhares de jovens que, desafiando o perigo que significavam os bandos contrarrevolucionários nas montanhas, avançaram com o lampião e a cartilha na mão, para ensinar a ler e a escrever a pessoas de todas as idades que jamais tinham visto um lápis.
Isso foi muito válido para aqueles que limparam de tal engendro as montanhas de Escambray, a cordillheira em Pinar del Río e outras zonas do país; aqueles que plantaram na terra algo mais que seus pés nos dias decisivos da Crise dos Mísseis, em outubro de 1962; aqueles que arriscaram a vida própria pelo futuro de todos na areia de Playa Girón, e inclusive em outras terras do mundo.
O Moncada foi, é e não acho que deixe de ser nunca, a mais cândida expressão histórica de como o sadio espírito de revolta pode estar dentro do peito de gerações jovens, inteiras, de uma a outra.
Caso contrário, não estaríamos dispostos a continuar enfrentando esta complexa situação que atravessa o país, nem estaríamos repetindo o ataque ao Moncada, ano após ano, a cargo de crianças, adolescentes e jovens, lá na que hoje é a fortaleza escolar 26 de Julho, nem motivo para que milhares e milhares de cubanos acordem cedo e se concentrem nas praças de todas as províncias, julho após julho, como acabam de fazer os moradores de Sancti Spiritus, para comemorarem o Dia da (permanente) Rebeldia Nacional ou, tal como expressa uma bela música: o dia mais alegre da história.







