ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Photo: Roberto Chile

Talvez seu lugar vital sempre esteve no futuro. Por isso ele sabia desenhar o caminho, desmatar o trilho, construir um porvir. Inclusive, quando pensei que tinha errado em alguma solução, segundo uma percepção ancorada à altura do meu nariz, o tempo, esse juiz sábio, acabou lhe dando a razão.

Homens como ele nascem uma vez em cada mil anos. Amado por muitos, respeitado inclusive por seus inimigos, levava o casaco de sua moral, a vocação de trabalhar pelos pobres deste mundo. Tinha um magnetismo especial. Era preciso vê-lo na televisão, espantando ciclones para que não tocassem sua Ilha, falando do humano e do divino, adiantando-se sempre ao seu momento e à compreensão tão finita dos simples mortais.

Quando a biotecnologia era uma novidade nos países do primeiro mundo, já Fidel apostava em desenvolvê-la nesta faixa de terra, que com singular silhueta, flutua no Mar do Caribe. Desde o passado, estava salvando seu povo da pior pandemia desta geração.

Era como o pai que sonhava à grande para seus filhos. Sabia que a educação e a ciência constituíam o caminho para uma sociedade melhor. Estava ao alcance de um abraço. Cada cubano o sentia tão próximo, cálido, humano.

Às vezes, sinto falta dele. Sinto saudades do sorriso amplo de quem sempre sabia vencer, a sua sabedoria, a capacidade de saber de tudo, como um homem enciclopédia do Renascimento.

Nunca teve medo. Ter a certeza em Cinco Palmas de que acabariam vencendo a guerra, depois dos reveses e em meio da incerteza, constituiu um dos maiores atos de resiliência e coragem de nossa história.

Chegou a e converter em um dos líderes mais importantes de seu tempo; contudo, não tinha espaço para o orgulho. Continuava sendo do povo e para o povo.

Sua vida foi tão profunda, que ninguém pode deixar de se empolgar diante de sua imagem. Fidel nasceu com uma estrela. Talvez já estava predestinado a um espaço sempiterno. Por isso não morreu. Como vai morrer, se sua morada tem sido sempre no futuro, no espaço imaterial do eterno?