ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Os passos na atenção priorizada às duas contingências que atravessa o país serão comunicados de maneira permanente ao povo. Photo: Estudios Revolución

«Continuamos no combate, continuamos trabalhando na atenção a estas duas importantes situações que põem uma condição excepcional na vida das cubanas e os cubanos; e estaremos permanentemente em contato com nosso povo na mesma medida em que vamos avançando na atenção destes problemas».
 A frase, compartilhada na tarde da segunda-feira, 21 de outubro, pelo primeiro-secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, Miguel Diaz-Canel Bermúdez, tem a ver com as duas contingências que gravitam sobre o povo cubano: a emergência energética, e os impactos que deixou a passagem do fenómeno meteorológico Oscar.
 «Acabamos de realizar a reunião de análise que em dois momentos do dia estamos fazendo, como parte do acompanhamento à situação excepcional que vive nosso país, que como explicamos ontem à nossa população, é baseada em dois eventos fundamentais que estão colocando em uma tensão importante a vida das cubanas e os cubanos».
 Falou então de «a emergência elétrica que temos estado vivendo nos últimos dias», e das afetações provocadas pelo «furacão Oscar, que se converteu em uma tempestade tropical na sua passagem pelas províncias orientais».
 Sobre o primeiro tema, Díaz-Canel enunciou que «há um avanço notável nestes momentos; há mais de 36% do serviço restabelecido, funcionando com estabilidade, e se continuam dando passos, e nas próximas horas se incrementarão os níveis de serviço à população».
 «Já na cidade de Havana temos mais de 90% dos serviços trabalhados, e agora se busca incrementar os níveis de serviço no resto das províncias, e sobretudo atender com particularidade à problemática das províncias orientais».
 O presidente comentou que, com relação à emergência energética, vamos passar por dois momentos: «Um primeiro momento é que nas próximas horas vamos estar superando essa emergência do ponto de vista do evento da desconexão, e entraremos então em uma etapa de manuseamento dos déficits que vão restar – que era a situação que estávamos vivendo antes do primeiro processo de desconexão, e que aspiramos a que possamos ir trabalhando de uma maneira em que a disponibilidade de combustível, e todo um grupo de gestões que se estão fazendo com países amigos, nos permitam estar em melhores condições, para ir diminuindo gradualmente o déficit de geração».
 O presidente cubano alertou que se trata de «uma tarefa de envergadura nas
condições econômicas e financeiras que está vivendo o país, provocadas –repito, mais uma vez – pelo recrudescimento do bloqueio a Cuba, e pela inclusão de nosso país na lista de países terroristas».
 Relativamente ao evento ciclônico, o presidente declarou que já começaram a chegar as primeiras informações, depois de su a passagem pelo território da região leste. «Queremos informar a população que as afetações são severas nestes momentos na província de Guantánamo, com a qual temos mantido comunicação permanente. É preciso dizer que os municípios de San Antonio e Imías foram fortemente açoitados por este evento, e inclusive ocorreram grandes enchentes que não estavam historicamente registradas nestas duas zonas».
 «Infelizmente, pela informação preliminar que temos, ocorreu a perda de seis vidas humanas no município de San Antonio; e ainda se estão fazendo
trabalhos de resgate da população, de continuar avaliando os possíveis danos dos impactos, porque há zonas que estão totalmente alagadas, às quais ainda não se conseguiu acessar».
 O chefe de Estado destacou «o apoio que deram as Forças Armadas Revolucionárias e o ministério do Interior para conseguir salvar a população».
Elogiou que essas importantes instituições participaram das ações de salvamento e cuidado e proteção da população: «Portanto, nas próximas horas teremos notícias mais precisas sobre a situação destes dois lugares».
CUBA NOS BRICS
 O presidente expressou também que «queríamos dar uma informação adicional a nossa população, que tem a ver com a Cúpula dos Brics, que se vai celebrar durante os dias 23 e 24, na cidade russa de Kazan.
 «Este é um importante evento, ao qual os países membros do Brics têm convocado mais de 30 nações, para potencializar todo esse preceito fundacional que têm os Brics de ampliar a cooperação com o Sul. Quer dizer, há uma orientação deste bloco de integração para os países do Sul».
Diaz-Canel valorizou que, «para Cuba representa uma altíssima honra poder participar desta Cúpula. Já havíamos participado da Cúpula da África do Sul, representando o Grupo dos 77 mais a China, no qual ocupávamos naquele momento a presidência pro tempore. Mais uma vez, o presidente da Rússia, Vladímir Putin – que é quem preside neste momento os Brics – convidou Cuba para que estivesse presente neste encontro.
 «E significa uma enorme oportunidade, uma importante oportunidade que Cuba participe da mesma, tomando em conta as relações históricas que mantemos com os países do Brics».
 O presidente se referiu à recente solicitação que Cuba fez, em sua «aspiração de ser aprovada como país parceiro dentro dos Brics». E acrescentou que nesse bloco «sentimos um ambiente muito favorável».
 Um país como o nosso, sublinhou, «que esteve constantemente assediado pela política imperial, suportando um bloqueio recrudescido, uma inclusão em uma lista espúria de países que supostamente apoiam o terrorismo, encontra nos Brics um ambiente de inclusão, um ambiente de igualdade, um ambiente de cooperação e de colaboração, um ambiente de solidariedade, com base em projetos que se desenvolvem entre os países do Brics e os países do Sul».
Ao falar de Cuba como nação incluída dentro desse Sul, e no marco dos Brics, o presidente falou do país caribenho dentro de um contexto «em condições de benefício mútuo e com uma projeção realmente inclusiva, donde são defendidos aspectos do multilateralismo e também a aspiração de mudar a injusta ordem econômica internacional que prevalece hoje no mundo, e que responde aos interesses das potências imperialistas».
Aludindo aos propósitos deste importante bloco, o presidente falou de um esforço «sobre a base de ir criando uma estrutura econômico-comercial de cooperação, que não maneje como moeda o dólar, que tenha em conta as complementariedades que possam existir entre os diferentes países, e que possam ser aproveitadas todas as potencialidades.
«Quer dizer, um espaço no qual também o presidente Xi Jinping, da China, convocou cinco iniciativas que têm a ver com a construção de uma comunidade global de futuro compartilhado, de uma comunidade global de segurança, de uma comunidade global também para compartilhar os avanços da ciência e a inovação, entre outros aspectos. Portanto, era um evento do qual íamos participar ao mais alto nível do país».
O presidente Díaz-Canel explicou os repórteres que, «ao se apresentar esta situação de emergência elétrica, e o alarme ciclônico, temos decidido não participar e permanecer aqui no país, para estar à frente, junto à liderança do governo, junto ao restante da liderança do Partido e a todo o esforço que nosso povo realiza para enfrentar tanto a situação de emergência elétrica como a recuperação dos danos que está ocasionando o furacão Oscar».
Pôs ênfase em que «vamos estar dignamente representados», porque «a delegação cubana está liderada pelo nosso chanceler, o ministro das Relações Exteriores, membro do Bureau Político, o camarada Bruno Rodríguez Parrilla.
«Este é um evento onde íamos ter, ainda, a chance de nos encontrarmos e termos entrevistas, encontros de trabalho com importantes líderes em nível mundial – como são os estimados presidentes da Federação da Rússia, Vladímir Putin; o presidente e secretário-geral do Partido Comunista da China, Xi Jinping»; bem como «os líderes das delegações do Vietnã e de outros países amigos, incluindo os países do Brics».
O presidente cubano assegurou que «se poderá realizar uma parte  importante» desses intercâmbios; e «que a participação de Cuba também vai ter um impacto importante e uma transcendência neste evento».