
Los Palacios, Pinar del Río.— «Fico muito contente após ter estado aqui», disse na fazenda Tierra Brava, na manhã da quinta-feira, 21 de novembro, o presidente da República, Miguel Díaz-Canel. E tinha razões compreensíveis para compartilhar a expressão nesse universo produtivo do município de Los Palacios, em Pinar del Río.
Essa fazenda – que pertence à cooperativa de créditos e serviços (CCS) Niceto Pérez – não foi o primeiro local no itinerário da visita do chefe de Estado a Los Palacios; mas, sem dúvida, foi um exemplo muito inspirador visto nesse dia, e portanto Díaz-Canel disse: «É preciso que esta experiência se estenda a todos os produtores da província».
Acompanhado do secretário de Organização e integrante do Bureau Político, Roberto Morales Ojeda, o presidente comentou que não é difícil levar aos demais produtores até essa fazenda: «Traze-los até aqui para que vejam como foram manuseados os créditos, como eles procuraram financiamento internacional. É preciso que esta experiência seja conhecida em todo o país».
Em Tierra Brava, onde há variedade de culturas e predomina a banana, mandioca e frutas, nem sempre as coisas marcharam bem.
Contudo, os resultados de hoje são bem tangíveis, pois ali contam com um rico banco de sementes; diversificaram as produções, têm um alcance social notável, além de exportarem especiarias e de quererem fazer o mesmo com frutos secos.
«Fizeram isso no momento mais complicado», reconheceu o presidente, afirmando que diante de experiências como a dessa fazenda «a gente pode dizer que a partir das crises se geram as soluções».
«Em meio da crise conseguiram isto, e esse é o modelo de agricultura de que estamos precisando, eu está ao alcance de nós, onde a ciência é a que, mais uma vez, fornece as respostas à inovação, onde são aplicadas novas tecnologias». O presidente destacou a forma em que ali «é aproveitado o processo de 'bancarização', é aproveitado o crédito bancário, as pessoas melhoram sua vida e os jovens são atraídos».
O produtor Onay Marínez vem liderando todo esse processo em Tierra Brava. Ele comentou ao presidente seu conceito de que «se a cooperativa é a proprietária das sementes tem uma fortaleza; por isso, em vista de recuperar a cooperativa tínhamos que recuperar as sementes, e trabalhamos com os centros de pesquisas e com as variedades que temos estado identificando em qualquer lugar, que sejam as mais resistentes».
AMIGOS VIETNAMITAS NO LOCAL
«Há um compromisso de que no menor tempo possível Cuba possa se auto abastecer de arroz, a partir de assimilar as técnicas e o conhecimento de vocês, com a cooperação de vocês», disse o presidente a um grupo de vietnamitas que estão empenhados, no município de Los Palacios e junto a produtores cubanos, em um projeto experimental de investimento que a Ilha maior das Antilhas está implementando com uma empresa daquele país asiático.
«Nós viemos aqui para apoiar a Pátria cubana», disse a Díaz-Canel uma jovem vietnamita, quando o presidente chegou à unidade de negócios de base (UEB) Semillas Cubanacan, que pertence à Empresa Agroindustrial de Grãos Los Palacios, na qual se vem desenvolvendo esse projeto experimental.
Os amigos asiáticos determinaram fazer uma estrutura experimental, de 16 hectares, que hoje está plantada. No que resta do ano deverão plantar uns 300 hectares; e se prevê que na mesma zona, no ano próximo, sejam plantados 1.000 hectares – uma parte com sementes cubanas e outra parte com sementes vietnamitas.
«É preciso estudar bem o comportamento de casa semente que vamos utilizar», comentou o presidente. E advogou que haja uma interação sistemática e direta entre os produtores de ambas as nações, para que os amigos, com ampla experiência, exponham todas as suas preocupações.
O chefe de Estado fez questão de lembrar aos integrantes da UEB a importância de que uma estrutura produtiva como essa tenha resultados e possa reverter qualquer ineficiência: «Vocês estão inseridos em um programa prioritário do país, em cooperação com o Vietnã. Esse é um dos caminhos fundamentais que nós temos para conseguir a soberania alimentar».
SANTA MÓNICA, UMA COMUNIDADE SADIA
Com uns 450 populares e 245 casas, a comunidade Santa Mónica, em Los Palacios, viveu mudanças que que repercutiram para bem. Esse local é um daqueles que é conhecido nestes tempos como bairro em transformação, e onde há consultório médico (antes inexistente), loja de gêneros, padaria (também de nova aquisição) e uma cooperativa cuja atividade fundamental é a agricultura.
Segundo contou a Díaz-Canel o vereador do 22º círculo eleitoral de Paso Real, Emilio Fernández Prieto, na comunidade teve lugar uma reunião de prestação de contas, na qual vieram à tona como principais preocupações dos populares temas como o transporte, o fornecimento de água e o estado de uma das pontes mais próximas.
Em algum momento, o presidente quis conhecer acerca das pessoas que estão sem trabalhar, e se o alcoolismo e o consumo de drogas estão afetando ali. Quanto a esses últimos, alguém garantiu que esses fenômenos negativos não estão prejudicando a comunidade de Santa Mónica. Diante de tamanha realidade, Díaz-Canel enunciou com satisfação que se trata de uma «comunidade sadia».
«ESTAS ESCOLAS SÃO UM ENCANTAMENTO»
Um encontro especial teve lugar na escola rural Clara Zetkin, na comunidade de Santa Mónica, onde o presidente falou com as crianças, no ensejo do Dia Mundial da Infância: «Vocês todos foram convocados, agora, para ter um debate nos destacamentos», comentou-lhes Díaz-Canel.
E acrescentou: «Então nessas assembleias vocês têm que ver como esses direitos estão sendo protegidos, e onde vocês achem que haja uma violação desses direitos também têm que o denunciar; e os professores, as instituições, têm que ajudar a resolver esses problemas».
O presidente quis conhecer se ali contam com os meios audiovisuais, se têm computadores, se o televisor funciona, se chegaram os livros novos.
As professoras comentaram que os textos são muito bonitos, muito instrutivos. Nesse ponto do diálogo, o presidente disse às crianças: «Quando eu visito escolinhas deste tipo, peso muito que minha mãe foi professora do primário, em escolas rurais, que foram mais de 25 anos como professora, e sempre trabalhou em centros de múltiplos graus».
Reconheceu, ainda, que «o esforço dos professores rurais é muito louvável, e onde quer que a gente vá, em qualquer recanto da geografia do país, tem escolas como esta, lindas e ordenadas. Estas escolinhas são um encantamento».
PALAVRAS AO POVO DE LOS PALACIOS
«Todos os meses, em cada província, visitamos um município diferente», explicou Díaz-Canel aos populares de Los Palacios, perante os quais explicou que «o fazemos baseados na ideia de que, perante as situações atuais, que são muito complexas, temos que ser capazes de sair em frente».
Acerca de um tema de especial sensibilidade, como o do serviço elétrico, o chefe de Estado disse: «Esta situação é muito complexa. Ontem foi um dia muito difícil quanto à eletricidade, o nível do apagão no país foi altíssimo».
A esse respeito, referiu-se «à situação que estamos apresentando com o deterioro das usinas elétricas». E falou de projetos alentadores, como o emprego das fontes renováveis de energia.
QUINTA-FEIRA À TARDE EM ARTEMISA
A província de Artemisa foi o segundo local ao qual o presidente dedicou sua agenda de visitas da quinta-feira, 21. O primeiro ponto, no município de Guanajay, foi o conselho popular número um, na comunidade de Cayao, onde uma brigada de eletricitários da província de Camaguey trabalha na restauração das instalações do serviço elétrico.
Quando o presidente chegou ao território, acompanhado de Roberto Morales Ojeda, a primeira-secretária do Comitê Provincial do Partido em Artemisa, Gladys Martínez Verdecia, deu informação atualizada à liderança do país acerca do andamento do processo de recuperação. Segundo ofereceu com detalhes, os municípios mais atrasados são os de Caimito, Alquízar, Mariel e Guira de Melena. Ao terminar a quinta-feira, 21, quanto ao estado do serviço de energia elétrica, o restabelecimento era estimado em 80% aproximadamente.
O hospital pediátrico José Ramón Martínez – local que sofreu os embates do furacão Rafael – foi o segundo ponto da agenda da visita a Artemisa. Ali se trabalha forte para restaurar tudo aquilo que foi deteriorado pela passagem do fenômeno atmosférico, como também se faz hoje no gabinete e trâmites da Zona de Defesa Tres, aonde também chegou o presidente, no município de Guanajay.







