ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Entre as prioridades do setor aparecem gerar novos produtos de exportação, e agregar valor aos atuais. Foto: Ismael Batista

Apesar das tensões internas e eternas que continuam gravitando sobre a economia nacional, Cuba projeta para 2025 ações encaminhadas a reduzir, paulatinamente, as distorções da macroeconomia e incentivar a recuperação dos principais processos produtivos.

Ao apresentar o comportamento deste indicador no presente ano e as metas para o próximo calendário, o ministro da Economia e Planejamento, Joaquín Alonso Vázquez, disse que a crise multidimensional em nível global e as sérias complexidades no entorno nacional, como a insuficiente captação de divisas, as restrições financeiras externas e as afetações ao Sistema Elétrico Nacional (SEN), entre outras, incidiram em uma notável redução das produções e as exportações de bens e serviços.

No caso dos bens, detalhou o ministro, apenas se atingiu 92,5%, com os principais descumprimentos concentrados no níquel, o rum, o açúcar e a lagosta, entre outros. Entretanto, os serviços, embora chegassem a 101,6% do cumprimento (com maior incidência dos serviços médicos), também não conseguiram os resultados esperados, tendo em conta que o turismo (76,6%) e as comunicações (84%) descumpriram seus planos.

«Dessa maneira, esclareceu, os ingressos em divisas mostram um comportamento desfavorável com relação ao plano, afetando a disponibilidade de divisas, com 900 milhões menos». 

Alonso Vázquez indicou, ainda, que as produções agropecuárias também não honraram seus compromissos, com os maiores descumprimentos registrados nos legumes, carnes e hortaliças, sendo que a safra açucareira também não conseguir chegar às metas propostas.

Relativamente ao balanço energético, informou que se produziu uma redução da geração elétrica, tanto pelo déficit na capacidade de geração, como pela insuficiente disponibilidade de combustíveis, o que impactou negativamente no desempenho da economia.

Da mesma maneira, explicou que a produção de aço foi nula, enquanto que o cimento apenas chegou a 43,2% e a madeira atingiu 17,6%.

«A insuficiente disponibilidade de divisas, com impacto nos combustíveis e os balanços materiais, afetou a execução do processo de investimentos e as manutenções na construção», sublinhou.

QUAIS CAMINHOS SERÃO PERCORRIDOS EM 2025? 

Tendo em conta que as exigências das entidades ultrapassam as capacidades materiais da economia, para o próximo ano se preveem variantes encaminhadas a reduzir o déficit de divisas e conseguir um nível que seja gerenciável.

«O programa econômico nesse sentido deve ser coerente, sob o preceito de manejar a crise, mitigar os impactos da guerra econômica e avançar ainda mais nessas condições», significou o ministro.

Para isso vão se estabelecer algumas prioridades, entre as quais estão gerar novos produtos de exportação, e agregar valor aos atuais, além de promover exportações baseadas no conhecimento e a alta tecnologia, bem como recuperar os serviços turísticos e dinamiza outros, juntamente com os fluxos de investimento estrangeiro direito.

Precisou que se requer gerir maior captação das remessas e outras fontes de financiamento, avançar na transformação da estrutura das importações a favor das matérias primas e insumos para poder produzir no país, e reduzir as importações de produtos terminados para a comercialização direta.

«Também será preciso retomar esquemas de autofinanciamento em divisas que permitam dispor de um número indispensável de recursos para sua atividade», apontou o titular do ramo econômico.

«Quanto aos alimentos se percebe a tendência dos ano anteriores ao incremento dos preços, o que acarreta um aumento na importação destes produtos em volumes físicos, e ainda que se prevejam incrementos nas principais produções agropecuárias do país, esta não serão suficientes para satisfazer a procura.

Isso não significa que não existam municípios que se possam sustentar com determinados produtos, «pois é um processo evolutivo, na medida em que se vão gerando nosso recursos e novas capacidades», destacou. 

Acerca da indústria açucareira precisou que, se bem estão planificados níveis de produção superiores ao real da safra anterior, este ainda são insuficientes para cobrir toda a procura, incluída a cesta básica subsidiada.

Acrescentou que a produção de açúcar mascavo prevê 299.800 toneladas e a de açúcar branco 22 mil toneladas – o dobro as produzidas no ano passado – das quais serão destinadas 30 mil toneladas à exportação, o que permitirá concluir os compromissos que já estão vencidos.

RECUPERAÇÃO DO SEN E OUTRAS PERSPECTIVAS ECONÔMICAS   

Por seu impacto na economia nacional e na qualidade de vida do povo, o sustento do Sistema Elétrico Nacional (SEN) continua sendo uma prioridade para o desenvolvimento do país, em linha com o Programa do Governo, aprovado para a sua recuperação, que deve contribuir para melhorar a situação em 2025. 

Nesse sentido, se estima gerar 18,606 gigawatts hora (GWH), o que representa mais de 158,73 GWH a respeito deste ano; e deles, 1,734,6 devem ser gerados a partir das fontes de energia renovável, de forma a atingir 9,3% da matriz energética. 

Alonso Vázquez afirmou que «outra prioridade é incrementar as capacidades de produção para abastecer o mercado nacional, para o qual se prevê injetar um total de 273 bilhões de pesos para a circulação retalhista.

 Igualmente, para o ano de 2025 se planeja um crescimento do Produto Interno Bruto de 1%, e de acordo com o titular de Economia e Planejamento, este comportamento vai sustentado, principalmente, nas projeções de recuperação dos ingressos dos principais itens de exportação, a reanimação das atividades produtivas e industriais, bem como dos serviços sociais à população.

Quanto à inflação, Alonso Vázquez expôs que a projeção é continuar sua desaceleração, com uma estimativa de entre 25% e 30%.

Quanto ao transporte, disse, está projetada uma gradual recuperação, «pois a carga a transportar chega a 36,7 milhões (37.707.601) de toneladas e os passageiros a serem transportados é da ordem de 1,063 bilhão (1.063. 50.000)».

Também se projeta um maior aproveitamento das capacidades industriais, tendo em conta o melhor emprego da disponibilidade tecnológica instalada, em função do respaldo financeiro para matérias primas e peças de reposição.

«Para ter maior efetividade nesse item deve ser conseguida uma eficiente integração e sinergia entre o setor estatal e os atores econômicos não-estatais, que permita atingir maiores produções cooperadas e ligações, com preços mais acessíveis para a população», apontou o ministro.  

Relativamente ao plano de investimentos, disse que se prevê um orçamento total de 148,3 bilhões (148.370.000.000) de pesos, que serão destinados para a produção de alimentos, o programa hidráulico, a produção de biopraguicidas, as telecomunicações, entre outras áreas com impacto na economia nacional.

Alonso Vázquez acrescentou que, como parte do programa de descentralização de competências para os municípios foi proposto que o Decreto-Lei da Descentralização de competências e recursos seja submetido à aprovação em junho do ano próximo, com o propósito de realizar um maior processo de consultas.