
«O Partido resume tudo. Nele estão sintetizados os sonhos de todos os revolucionários ao longo de nossa história; nele estão concretizadas as ideias, os princípios e a força da Revolução; nele desaparecem nossos individualismos e aprendemos a pensar em termos de coletividade; ele é nosso educador, nosso professor, nosso guia e nossa consciência vigilante quando nós próprios não sejamos capazes de ver nossos erros, nossos defeitos e nossas limitações; nele nós todos nos juntamos e entre todos fazemos de cada um de nós um soldado espartano da mais justa das causas e de todos juntos um gigante invencível; nele as ideias, as experiências, o legado dos mártires, a continuidade da obra; os interesses do povo, o porvir da pátria e os laços indestrutíveis com os construtores proletários de um mundo novo em todos os recantos da terra são garantidos...»
Neste excerto do Relatório Central que Fidel, em sua condição de primeiro-secretário, apresentou prante o 1º Congresso do Partido Comunista de Cuba (PCC), em dezembro de 1975, são definidos vários dos elementos que fundamentam a solidez moral que precede a essa autoridade legal que a Constituição da República concede ao PCC, como «força política dirigente superior da sociedade e do Estado».
Como tudo aquilo legítimo que identifica e representa a Revolução Cubana, o Partido é o resultado dessa frágua histórica que reúne eventos relevantes do processo de emancipação, vários dos quais neste ano de 2025 comemoram aniversários que nos fazem lembrá-los com especial ênfase.
OS GLORIOSOS PRECURSORES
Em 16 de agosto vão se completar cem anos do momento histórico em que vários agrupamentos comunistas locais, como o de Havana, Guanabacoa, San Antonio de los Baños e Manzanillo – 17 pessoas no total – se reuniram para deixar constituído o primeiro partido marxista-leninista, o qual recebeu o nome de Partido Comunista de Cuba.
Duas figuras brilhavam naquele coletivo: o combativo líder estudantil Julio Antonio Mella, que tinha fundado em 1922 a Federação Estudantil Universitária e liderou seu primeiro congresso; e o patriota Carlos Baliño, amigo pessoal e colaborador de José Martí na fundação e na organização do Partido Revolucionário Cubano. A eles se juntou, depois, o intelectual e reconhecido poeta Rubén Martínez Villena, na época assessor legal da recentemente constituída Confederação Nacional Operária de Cuba (Cenoc).
Este núcleo de avançados iniciou o caminho difícil de uma entidade que, em pouco tempo, chegou a se converter em uma força política impossível de ignorar, por seu desempenho e influência.
RUMO A UMA NOVA ETAPA
Nos dias 30 de setembro e 1º e outubro de 1965 tiveram lugar reuniões preparatórias importantes, que encerraram no dia 2, nas quais o primeiro-secretário – em nome da Diretoria Nacional – informou acerca dos acordos adotados que marcavam o futuro do Partido Comunista de Cuba como força dirigente superior da sociedade e do Estado, sua nova estrutura e funções.
No próprio dia 2 foi constituído o primeiro Comitê Central, que efetuou a sua primeira reunião, e no dia seguinte, em um ato público no teatro Chaplin – hoje Karl Marx – seria a apresentação desse Comitê Central, do Bureau Político, do Secretariado, das comissões de trabalho e do secretário de Organização, como novos órgãos de liderança partidarista.
Informou-se da fusão dos jornais Hoy e Revolución, no que seria a partir desse momento o jornal Granma, órgão oficial do Partido, com um nome que é símbolo e expressão da expedição do iate no qual vieram navegando, desde México até a região do leste do país, 82 combatentes, com Fidel no comando.
Aquela reunião de 3 de outubro também teve mais dois momentos de extraordinária solenidade, significação e repercussão histórica: um deles foi a leitura, por parte de Fidel, da memorável carta de despedida do Comandante Ernesto Che Guevara, cuja letra – tal como afirmou o primeiro-secretário -- «explica-se por si só», e tornou aquela carta um documento paradigmático e substancial para todos os revolucionários e Cuba, da América Latina e do Caribe, bem como para a causa internacionalista em qualquer recanto do mundo.
Outro evento extraordinário e profundo foi a mudança do nome do Partido. Ali mesmo, perante a solicitação de Fidel, os presentes coincidiram e aprovaram que o Partido Unido da Revolução Socialista de Cuba (Pursc) mudasse o nome e começasse a ser chamado de Partido Comunista de Cuba, em correspondência com os objetivos e tarefas da construção socialista, sua ideologia e estrutura organizativa e seu papel dirigente na nova sociedade.
Dessa forma, essa data, cujo 60º aniversário será comemorado neste ano, qualifica como um dos acontecimentos mais importantes depois do triunfo revolucionário.
«Este passo significa muito, significa um dos passos mais transcendentais na história de nosso país, significa o momento histórico em que a forças unificadoras foram superiores às forças que dispersavam e dividiam, significa o momento histórico em que todo o povo revolucionário se uniu estreitamente, em que o senso do dever prevaleceu sobretudo, em que o espírito coletivo triunfou acima de todos os individualismos, em que os interesses da Pátria prevaleceram amplamente e definitivamente sobre todo interesse individual ou de grupos; significa ter atingido o mais alto grau de união e de organização com a mais moderna, a mais cientifica, e ao mesmo tempo a mais revolucionária e humana das concepções políticas», sublinhou o Comandante-em-chefe.
UNIDADE E CONTINUIDADE
Após mais de 15 anos de estado provisional revolucionário, em 26 de julho de 1974, Fidel anunciou que, no segundo semestre do ano próximo, seria efetuado o 1º Congresso do Partido. Cumprido o Programa do Moncada, promulgadas as leis fundamentais da Revolução e implementadas as mudanças mais urgentes, proclamado o caráter socialista da Revolução nos dias prévios à vitória de Playa Girón, e decorridos «os dias luminosos e tristes da Crise de Outubro», a liderança revolucionária considerou que tinha chegado o momento de dar mais um passo na organização do Partido e abrir o caminho rumo à institucionalização do Estado e do Governo, incluída uma nova Constituição, que daria ordem ao sistema legislativo, eleitoral e jurídico do país.
Em 10 de abril de 1975, foi tornada pública a convocatória ao 1º Congresso, que se tornou pública em 16 de abril, em forma de um chamamento divulgado no jornal Granma, como homenagem ao 14º aniversário da vitória em Playa Girón.
O processo de organização do Congresso foi liderado pela Comissão Preparatória Central, como Fidel como presidente e Raúl como vice-presidente, e formada por 13 membros. O Congresso encerrou com um gigantesco ato de massas na Praça da Revolução, no qual o povo, erguendo os braços, confirmou os acordos adotados.
Entre os mais de 20 acordos e resoluções aprovadas se encontravam o Relatório Central, a Plataforma Programática, os Estatutos e outros relativos à vida interna da organização, aspectos econômicos, sociais e culturais do país.
Também ficou expresso o apoio à colaboração militar com o Movimento Popular para a Libertação de Angola (MPLA) e às tropas internacionalistas cubanas que lá estavam.
O 1º Congresso ratificou o caminho de unidade e continuidade, como sua missão principal e primeira, porque dela depende a existência de Cuba como país, da Revolução como propósito, e do Partido como organização condutora.
Assim foi reafirmado por parte da liderança do país em várias ocasiões. O Partido Comunista de Cuba, como Partido dos humildes, pelos humildes e para os humildes, e vanguarda ativa, combatente e laboriosa do povo trabalhador, é hoje não somente o Partido da nação cubana, é a alma da Revolução.







