Há 96 anos, Julio Antonio Mella foi assassinado no México e começou a sua sobrevida na esperança revolucionária
Pintura de Servando Cabrera Moreno
Era o dia 10 de janeiro de 1929: «Eles saíram à rua com apenas um café negro no estômago, porque o dinheiro de hoje seria gasto em um telegrama (...) às vezes, através da janela, Tina o olhava caminhando, com o chapéu na cabeça, um ponto negro que avançava depois do banco, até que de repente já não havia cabeça, já não estava mais...»
Assim escreve a narradora e jornalista Elena Poniatowska, em seu romance Tinísima, o fim da história de amor, pelo menos no plano físico, entre Tina Modotti e Julio Antonio Mella. Aquele foi o último dia na vida do revolucionário cubano, de 25 anos. Tina viu como caía crivado pelas balas seu parceiro. «Estou morrendo pela Revolução», disse agonizando.
A dor da mulher amada não estava sozinha. No próprio México, e lá em Cuba – a Ilha pela qual Julio Antonio respirava – seu assassinato provocou uma triste e exaltada comoção. Gerardo Machado, o ditador, após ter aniquilado seu poderoso adversário, não pode durante muito tempo mais esfregar as mãos: Mella acabaria se erguendo, determinante, entre sua geração e as posteriores.
Não renasceu como um herói romântico, nem um mártir frio; mas sim como uma esperança revolucionária: atrás e rumo ao futuro ficavam suas ideias renovadoras, recolhidas em seus artigos; e a forca de sua ação, anti-imperialista, valente, rebelde diante das supostas disciplinas que imobilizam.
«Aquele talento extraordinário, aquela vida fecunda», segundo Fidel Castro, «bandeira alentadora, exemplar, vitoriosa e invencível da Revolução socialista» havia fundado três instituições essenciais que chegam até hoje: o primeiro Partido Comunista de Cuba, a Federação Estudantil Universitária e a revista Alma Mater.
Da melhor maneira em que podem ser apanhadas as essências nos versos, Nicolás Guillém expressou essa maneira determinante em que Mella veio se assentar como ícone da juventude vulcânica, transformadora; e imagem de lutador que, a partir de sua luz, caminha para sempre:
Partiu depois com seu passo profundo / e uma música que ao porvir adverte, / Mella rumo ao meio-dia sem ocaso. / Seu sangue derribado é vinho forte / levantar, levantemos no rude copo / o sangue vitorioso de sua morte.
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