
Há um momento de solidão na prática séria do jornalismo: aquele momento, seja qual for o meio, em que as palavras são escolhidas, porque por trás delas estão as ideias, a hierarquia, os argumentos... Ninguém que tenha exercido essa profissão como uma tarefa digna e amorosa conseguiu escapar da responsabilidade que pesa e eleva.
Porque, mesmo nos momentos de diálogo consigo mesmo, quando ninguém pode substituir o repórter na interpretação do que viu, leu ou estudou, ele é sustentado por seus princípios, pelo respeito à verdade e a um povo a cujo bem-estar ele se deve, bem como por uma longa tradição de defender a Ilha, com orgulho.
O jornal com o nome mais luminoso possível: Patria, cuja data de fundação foi escolhida para celebrar o Dia da Imprensa Cubana, precisamente porque aspira a esse exercício de combate, compromisso, equilíbrio e beleza.
Muitos nomes poderiam ser citados ao lado de José Martí; a imprensa tem sido um instrumento de honra e beleza nesse pedaço de humanidade: Juan Gualberto, Mella, Pablo de la Torriente, Guillén, Carpentier, Fidel... Quantos homens e mulheres não contaram a história da Revolução por meio de um jornalismo ousado, incômodo, lúcido e, acima de tudo, ético?
Os próprios jornalistas foram os primeiros críticos da imprensa, assim como os motores de sua transformação, em busca da aspiração coletiva de que o país da mídia seja como o país real: com suas feridas e vitórias; e que a palavra jornalística alerte, proponha e sacuda.
Uma imprensa de altura estética, de profundidade analítica, de bondade e rigor, Cuba não merece menos: aí está a vigilância de um grêmio humilde, que persevera diante de muitos vendavais. Para repórteres, editores, diretores, cinegrafistas, fotojornalistas, designers... O jornalismo é uma paixão que pode ser sentida ou não, e pela qual sempre será preciso dar tudo de si.







