Colóquio Pátria: a familia entranhável que vai crescendo
O presidente cubano trocou impressões com uma representação dos mais de 400 comunicadores que participaram do 4º Colóquio Internacional Pátria, «que vai crescendo como um espaço de reflexão, de análise crítica, de protesto»
Díaz-canel: «Vamos dar à rede Pátria uma estrutura formal, que permita seu funcionamento como uma comunicação direta entre todos. Photo: Estúdios Revolución
«Irmãs e irmãos desta família, contamos com vocês para continuar consolidando esta Pátria que é de todos». Tais palavras foram o encerramento da reflexão, que na tarde da quarta-feira, 19 de março, o presidente da República de Cuba, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, compartilhou com uma representação dos 400 comunicadores que participaram do 4º Colóquio Internacional Pátria.
O encontro foi a ante-sala do encerramento, que se produziu depois, à noite, na Universidade de Havana, instituição que foi o palco, nestes dias, desse importante encontro. «Eu acho que já formamos uma família com Pátria, que faz parte de uma plataforma anti-hegemônica; é uma família verdadeira; somos unidos por muitos sentimentos», expressou o presidente no anfiteatro da Faculdade de Direito, um local histórico no qual esteve sentado Fidel Castro, em seus tempos de estudante, atendendo a múltiplas disciplinas, e no qual, na quarta-feira, 19, teve lugar uma troca marcada pela inteligência, o compromisso e pelas emoções.
«Muitos de vocês já se tornaram amigos entranháveis, irmãos», disse o chefe de Estado aos seus interlocutores. E sublinhou: «a maneira em que o Pátria vai crescendo como um site de reflexão, de análise crítica, de protesto; porque no Pátria estamos fazendo muitas denúncias; no Pátria temos denunciado o genocídio contra a Palestina, no Pátria estão sendo defendidas as causas mais justas».
No começo da troca, a doutora em Ciências da Comunicação e jornalista cubana, Rosa Miriam Elizarde, agradeceu ao primeiro-secretário do Comitê Central do Partido «por ter estado conosco durante boa parte da sessão de trabalho». E pôs em destaque como tem vindo a aumentar o número daqueles que confluem no Colóquio. «Começamos com 18, e a conta foi crescendo», disse. E anunciou que a 5ª edição será dedicada ao centenário do Comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz.
«Agora o mais importante é preservar a memória do evento, que cada uma das plataformas possa ser socializada», comentou o presidente. A seguir, Rosa Miriam afirmou que «não existem muitos espaços no mundo que façam essa confluência de saberes quanto à comunicação contra a hegemonia».
«O Pátria tem sido um milagre, mas este ano mais», expressou a presidente da Telesur, Patricia Villegas, agradecendo pela possibilidade de realização deste evento e «pelos ensinamentos que nos deixa para todos». Quanto à realidade da Ilha, a experiente comunicadora disse que «nós todos sabemos a força de Cuba», que o tempo todo eles estão falando na Telesur dessa realidade, mas que outra coisa muito diferente é viver essa força, ir ao bairro, ir ao povo e caminhar em meio dessa experiência tão potente».
Os participantes fizeram várias perguntas ao presidente cubano, relativas ao quê fazer perante o gigantesco desafio de enfrentar as matrizes hegemônicas de comunicação, sobre como dar às novas gerações ferramentas para estender no tempo uma batalha que deve ser travada a partir da tecnologia já existente. Cuba, que suscita admiração e espanto, inspirou mais de uma ideia: Beto Almeida, do Brasil, garantiu que a Ilha é uma plataforma permanente de Revolução, «uma plataforma da qual estamos precisando para mudar o mundo». E Alina Duarte, do México, asseverou que o encontro em Havana foi belíssimo e inspirador, feito em um país que tem muito a ensinar, a partir da praxe.
Alguém perguntou a Díaz-Canel como fazer para ir mais além do Colóquio e avançar na ação. Entre outras ideias, Díaz-Canel referiu-se à unidade como a primeira premissa, enfatizando que a mesma se dá a partir da participação e da solidariedade: «Temos muitos espaços, os espaços que muitos de vocês lideram», afirmou. E depois ressaltou o valor de articular todas as forças. «Feito assim, não haverá ninguém que nos possa vencer na batalha comunicacional».
Foram muito comoventes as palavras de Wafica Medhi Ibrahim, diretora da plataforma pan-árabe Al Mayadeen em espanhol, a qual agradeceu, «em nome de todos nossos povos», que não encontram espaços onde contar a dor da guerra, que ao eles e sentirem como se não tivessem pais nos quais achar consolo, sentem em Cuba esse amparo, e em Fidel e em seu legado, esse pai.
Com emoção e sabedoria, falou Victor Hugo Morales, jornalista e locutor uruguaio, de muito prestígio. Para ele – e assim o deixou claro – «a dose de Cuba, como vacina contra tantas mazelas, nos permite enfrentar a peste atroz do capitalismo selvagem que se espalha pelo mundo». Com muita ênfase, agradeceu que a Ilha caribenha «continue sendo o exemplo de resiliência, de sustento das ideias humanistas nas quais qualquer ser humano tem que acreditar».
«Vemos que vocês têm dificuldades, mas também vemos que no coração dos cubanos está muito firme a Revolução». Qualificou a Ilha de «a bandeira de que vale a pena lutar pelo ser humano». E foi rotundo: «Ao fim de tantos anos, como nunca, está muito claro que Cuba tinha razão». Disse isso porque, segundo a sua opinião, «o mundo é um verdadeiro desastre», em declive, enquanto Cuba entranha o esperançador e o «humanismo que todos necessitamos».
Graciela Ramírez, do Resumen Latinoamericano, ressaltou a resistência tão heróica de um evento realizado em circunstâncias muito difíceis; reparou em que «aqui estamos em uma etapa complexa da humanidade»; e ressaltou por isso a resistência de «nossos povos, de nossos intelectuais, deste povo heróico».
O ESPAÇO MADURO DO PÁTRIA
Em suas palavras, que encerraram a sessão, no anfiteatro, o presidente Díaz-Canel falou sobre a satisfação que deve nascer pelo fato de que «temos criado realmente uma plataforma que nos integra para defender a posição de que um mundo melhor é possível». A seguir, valorizou que «já o Pátria é um espaço maduro».
Disse que «daqui em diante, o importante é buscar os modos de continuar alimentando este tipo de espaço, cujo poder de convocatória é crescente». Díaz-Canel lembrou o legado de José Martí, sua sentença de que «Pátria é humanidade». E essa reflexão deu passagem a uma explicação detalhada sobre a Cuba de hoje, essa que sofre duas estratégias imperiais: a da asfixia econômica e a da intoxicação na mídia.
Os presentes puderam escutar dados eloquentes sobre a guerra que está sofrendo a Ilha maior das Antilhas; e também sobre estratégias que o Governo Revolucionário adota para fazer face a uma investida que persegue quebrantar a resistência do povo.
Sobre o espaço que ocupam os jovens dentro da sociedade cubana, e como a Revolução os convoca, o presidente compartilhou com os comunicadores experiências como os esforços normativos que se fazem para que uma política destinada à juventude seja o mais abrangente e profunda possível. Igualmente, contou sobre as recentes experiências de encontros com a história, a partir de visitar locais sagrados para a Revolução.
O presidente trouxe à baila o artigo Vindicação de Cuba, escrito por José Martí enquanto preparava a Guerra Necessária de 1895, porque então era urgente defender a Ilha e os cubanos. Nesse sentido, comentou sobre a convocatória feita pela Revolução aos seus jovens, de vindicar a Pátria, todos os dias, a partir das redes sociais, a partir desses espaços onde os ataques imperiais não param e representam um tremendo desafio ideológico.
Outro caminho da comunicação política – «dar a cara» em tempos difíceis – foi explicado pelo presidente aos seus interlocutores, com detalhes do que consiste um sistema de trabalho que começou em janeiro de 2024, y que se sustenta na visita da liderança do país a todos os municípios. «Já no primeiro turno, foram visitados todos os pequenos territórios, e se trata de uma experiência que nos dá aprendizagens, porque vemos as boas experiências, porque serve para tomar decisões, e porque afinca na certeza de que vamos superar o bloqueio», disse.
Uma longa explanação deu o presidente sobre o tema da Inteligência Artificial, como resultado da aproximação que ele teve a esse tema. E em sentido geral, no relativo às novas tecnologias cujos trilhos são monopólio do capitalismo hegemônico, falou sobre as potencialidades que tem o pensamento da esquerda para a criação, e sobre a importância de no subestimar «nunca o talento de nossos compatriotas».
O presidente falou de formar um front antiimperialista, um front antihegemônico que esteja em capacidade de enfrentar a investida simbólica dos centros de poder que buscam apagar identidades e anular o pensamento crítico dos seres humanos. E enunciou «Vamos dotar a rede do Pátria de uma estrutura formal que permita seu funcionamento como uma comunicação direta entre todos».
Finalmente, Díaz-Canel destacou «dois momentos importantes do Colóquio»: a comemoração dos 20 anos da Telesur – «plataforma criada por Fidel, por Chávez, contra a hegemonia, que no tem deixado passar nenhum dos acontecimentos mais importantes de nossos povos do Sul...»; e «o gesto que tiveram os organizadores» de prestar homenagens ao legado da Revolução Cubana, ao excepcional jovem cubano Julio Antonio Mella, bem como aos gigantes José Martí e Fidel Castro.
Esse é um projeto que proporciona soberania tecnológica, uma vez que, em caso de obsolescência, quebra ou bloqueio, soluções rápidas podem ser fornecidas, pois se trata de uma interface desenvolvida no país