ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Photo: Escalona Furones, Leonel

Duaba, Guantánamo.- «Nosso triunfo é um fato», proclamou o patriota Flor Crombet, tocando a areia úmida da Pátria, onde as ondas furiosas do Atlântico tinham acabado de jogar ele e seus companheiros, quase a ponto de naufragar.
 Flor Crombet proclamou isso quando nem ele, nem os irmãos Antonio e José Maceo, nem nenhum dos bravos membros da expedição sabiam o local exato onde haviam chegado. Um camponês lhes disse, pouco depois, que era a foz do rio Duaba.
 Mas desde o início eles todos sabiam que estavam em solo pátrio, e isso explica a certeza da proclamação: quanta luz emergiu das palavras ditas e assumidas por 23 homens que, ao amanhecer, pareciam silhuetas na escuridão impiedosa daquele 1º de abril!
 Brigas e diferenças pessoais foram deixadas de lado. Acima deles, a razão sagrada e capital: o compromisso com Cuba; um empreendimento maior: a liberdade, a independência, a dignidade plena de um povo merecedor que se preparava para conquistá-la.
 À frente estava a guerra – necessária, mas dura, como todas as guerras – perseguição, sofrimento, dificuldades, sacrifícios, cercos, cansaço, emboscadas, mortes..., um caminho «cheio de espinhos e cardos», anunciado por Antonio Maceo semanas antes.
 Na carta cheia de amor, dirigida à sua esposa, na qual predizia tal realidade, junto com o nome de María Cabrales, o nome de Cuba também poderia aparecer como destinatário e, da mesma forma, como remetentes no último caso, os outros patriotas e o povo da amada Ilha.
 Cento e trinta anos se passaram. A liberdade e a independência, então desejadas, agora são conquistas. Mas perseguidos, caluniados, ameaçados. E isso representa uma luta igual, necessária, embora em circunstâncias diferentes.
 O mesmo dever que nos ordenou a «sacudir o jugo», agora nos ordena a impedir que as correntes do passado retornem. O compromisso exige o exemplo diante de dificuldades que somente a virtude pode superar. «Quão importante é o dever dos homens honestos», parece repetir o Titã de Bronze.
 É provável que, agora, com o aval da história, José Martí tivesse levantado a mesma mensagem: «o bonito é que chegamos onde estamos sem uma única reserva, ocultação ou duplicidade».
 E quem duvida que também o galante Flor, de Duaba, a caminho de Cuba, com a dignidade flamejante no peito que pertence a seu povo, repetiria a certeza: «nosso triunfo é um fato».