Cuba continua procurando alternativas para desenvolver o Programa de luta contra o câncer
Foi financiada a aquisição de um novo equipamento para produzir citostáticos, o que vai permitir incrementar a disponibilidade destes medicamentos
.. Para o sistema nacional de Saúde, o incremento da sobrevivência dos pacientes com câncer é e continuará sendo uma prioridade. Photo: Estúdios Revolución
O primeiro-secretário do Comitê Central do Partido e presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, liderou, em 16 de março, um encontro de trabalho com especialistas e cientistas da Saúde, no qual se falou acerca do andamento do Programa Integral para o controle do câncer.
Se bem as carências econômicas que afetam o desenvolvimento do setor sanitário – geradas pelos efeitos do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelo governo dos Estados Unidos – impediu destinar a esse programa todos os recursos materiais, insumos e medicamentos de que precisa, em Cuba se continuam procurando alternativas que permitam manter ações nos três patamares de atenção do Sistema Nacional de Saúde.
O doutor Luis Eduardo Martín Rodriguez, diretor do Instituto Nacional de Oncologia e Radiobiologia (Inor) expôs que é um problema complexo a abordagem do câncer em Cuba, pois requer de um trabalho em que intervêm múltiplos fatores, não somente por parte das diferentes estruturas das Saúde Pública, mas também de muitas outras, entre elas governamentais e da indústria.
Após um breve reconto acerca do impacto dessa doença no mundo, que afeta milhões de pessoas, Martín Rodriguez referiu que na Ilha 60% dos pacientes estão concentrados nas províncias de Havana, Matanzas, Villa Clara, Camaguey, Holguín e Santiago de Cuba.
A partir dos primeiros anos da Revolução foram implementadas várias ações para desenvolver e fortalecer as estratégias de prevenção, controle e enfrentamento a uma doença que constitui, atualmente, a segunda causa de morte entre a população cubana.
Além de contar com o Programa Integral para o controle do câncer, o qual permitiu melhor organização em todos os patamares de atendimento do Sistema Nacional de Saúde, destacou com uma fortaleza a existência de uma Rede Nacional de Oncologia, integrada por hospitais especializados, unidades oncológicas, serviços oncológicos em hospitais provinciais, departamentos de radioterapia e serviços de atendimento de oncopediatria.
Ao se referir à ações implementadas, destacou as que estão associadas à prevenção, a detecção precoce, o diagnóstico e tratamento, bem como os cuidados paliativos, todas elas essenciais para o controle da doença, em meio das enormes complexidades, pela carência de recursos materiais, incluída a disponibilidade de fármacos oncológicos.
Assegurou que «para o Sistema Nacional de Saúde, o incremento da sobrevivência dos pacientes desta doença é e continuará sendo uma prioridade, e seu atendimento é realizado através de equipes multidisciplinares de especialista, o que permite uma avaliação e tratamentos integrais a cada um deles».
Ainda que nem todas as soluções estejam à mão para o alívio, o ministério da Saúde Pública (Minsap) não tem deixado de fomentar alianças com a indústria biofarmacêutica e o ministério da Ciência, Tecnologia e Meio ambiente (Citma), à procura de soberania e sustentabilidade no fornecimento e na produção de remédios.
De acordo com a explicação da chefa do Departamento de Serviços Farmacêuticos e Ópticas, do ministério da Saúde Pública, Mailín Beltrán Delgado, são múltiplas ações que estão sendo implementadas para, apesar do ferrenho bloqueio, continuar contornando obstáculos no tratamento dessa doença.
Como parte dessas ações, e do financiamento que é alocado, o vice-primeiro-ministro, Eduardo Martínez Díaz, comentou a aquisição, por parte da entidade BioCubaFarma, de um novo equipamento para a produção de citostáticos, o que vai permitir incrementar a disponibilidade destes medicamentos.
O presidente Díaz-Canel insistiu na importância de continuar desenvolvendo a ciência e a inovação em todos os processos referidos à especialidade oncológica.
Nesse sentido, a doutora Ileana Morales Suárez, diretora de Ciência e Inovação Tecnológica, do Minsap, reafirmou que esse é um tema prioritário para o setor, sobre o qual há pesquisas sólidas e vários testes clínicos.
Ente outros itens desenvolvidos pela ciência cubana, o doutor Carlos Alberto Martínez Blanco, chefe da secção para o Controle do Câncer, no ministério da Saúde Pública, falou da produção da vacina cubana contra o vírus do papiloma humano, causa principal do câncer cérvico-uterino, e sobre o qual foram dados passos importantes.
Esse é um projeto que proporciona soberania tecnológica, uma vez que, em caso de obsolescência, quebra ou bloqueio, soluções rápidas podem ser fornecidas, pois se trata de uma interface desenvolvida no país