ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Na delicada situação atual do sistema elétrico nacional, a contribuição da Energas Varadero é uma garantia valiosa. Foto: Cortesia dos entrevistados. 

Matanzas.– A vida do engenheiro Julio César Betancourt está intimamente ligada ao destino da usina Energas Varadero.

 Este jovem empreendedor é especialista em processamento e conhece cada centímetro do local onde o gás proveniente do campo de Varadero é processado e limpo.

 Para sua equipe é um líder, tendo surgido «de baixo para cima» graças às suas conquistas pessoais.

 Capacetes, luvas e macacão azul com debrum amarelo adornam elegantemente seu escritório de trabalho, juntamente com diplomas e reconhecimentos conquistados pelo centro em quase 25 anos de trabalho.

 Em local de destaque, há uma foto de Fidel, juntamente com a ideia que enfatizou em 17 de dezembro de 2000, na cerimônia oficial de inauguração da usina. «Vocês foram os pioneiros, a vanguarda operária do caminho que devemos seguir».

 Em pouco tempo, e em várias fases, Boca de Jaruco e Puerto Escondido surgiram, formando a Joint Venture Energas S.A., formada pela empresa canadense Sherritt e pelas empresas cubanas União Elétrica (UNE) e Cubapetróleo (CUPET).

 Júlio César Betancourt admite que não passa um dia sem pensar na mensagem contida na ideia, enfatizada pelo líder histórico da Revolução, de que, a partir de então, a questão das emissões nocivas estaria resolvida e, ao mesmo tempo, poderiam gerar energia para o país; sem dúvida, uma estratégia bem-sucedida de desenvolvimento petrolífero.

 «Embora fosse meu dia de folga, eu estava lá como os demais colegas na cerimônia de abertura. Foi a primeira vez que vi Fidel, tão de perto. Foi muito emocionante, impactante, e sua presença e o que ele disse acabaram sendo palavras inspiradoras para todos»

 O jovem engenheiro tinha acabado de completar 28 anos. «Não tinha nada aqui; era parte de uma fazenda de cana-de-açúcar. Comecei como operador de processo, depois passei para a área de Segurança Industrial, depois para Supervisor de Operações e, por fim, para diretor, a partir de 2018. A Energas é a minha vida; Eu a vi nascer e crescer».

UM NASCIMENTO EM CIRCUNSTÂNCIAS ESPECIAIS

 

Seu profundo conhecimento em processamento de gás credencia Julio César Betancourt como um líder no enclave Photo: Jesús de Ventura García

Olhando de um lado a outro da Energas Varadero, o observador tem a impressão de que cada detalhe é pensado para criar uma imagem adequada. Pouco ou nada paira no ar. É um lugar dominado pelo silêncio, com apenas um leve cheiro de gás.

 A qualidade mais apreciável é a limpeza e a ordem. O respeito ao meio ambiente é evidente em todos os espaços. «O esforço para manter tudo limpo, pintado e com boa aparência é contínuo», afirma Lázaro Bofill, um dos quatro membros da Brigada Anticorrosiva, que também é responsável por toda a pintura do local.

 Tubos de vários tamanhos e diâmetros predominam em meio a diversos contêineres e outras construções que servem como escritórios e apoio para diversos fins, principalmente a exploração de gás de petróleo.

  É o que se conhece como Energas Varadero, nascido da circunstância especial de proteger o turismo, um setor que vinha decolando desde meados da década de 1990 e destinado a se tornar o motor da economia cubana.

 «O boom do petróleo não poderia crescer sem o turismo nesta região», afirma o diretor. «Éramos obrigados a proteger o meio ambiente a todo custo».

 Especialistas reconhecem que, para compatibilizar o desenvolvimento da exploração petrolífera com o desenvolvimento da indústria do turismo, o tratamento do gás associado era necessário. Caso contrário, a indústria do turismo na região estaria em risco.

 «Foi com o tratamento do gás associado», enfatiza Julio César Betancourt, «que as emissões para o meio ambiente foram reduzidas. Mas houve outros benefícios».

 A Energas Varadero é composta por três unidades de processamento de gás, duas unidades de refrigeração para obtenção de gás combustível, uma unidade de fracionamento para produção de líquidos (GLP e nafta) e um centro de produção de enxofre. Além disso, possui três turbinas a gás com capacidade nominal de geração de 30 megawatts (MW) cada, e uma usina de ciclo combinado de 70 MW.

 Segundo especialistas, devido à queda no desempenho dos poços do campo, a usina recebe atualmente menos de 50% do gás que a acompanha, o que significa que apenas duas turbinas a gás e o ciclo combinado estão em operação.

 «A instalação foi projetada para processar 1,5 milhão de metros cúbicos de gás por dia e, atualmente, recebemos 650.000 metros cúbicos, conforme o planejado», explica o diretor.

 Especialistas afirmam que esta é a melhor maneira de manter a relação gás-óleo e, assim, evitar o esgotamento do campo, permitindo a continuidade da extração.

A ENERGIA MAIS BARATA PRODUZIDA EM CUBA

 A energia gerada pela Energas é a mais barata produzida em Cuba, combinando o ciclo de turbina a gás Brayton com o ciclo de superaquecimento a vapor Rankine.

 Por muitos anos, o gás de hidrocarbonetos foi lançado na atmosfera, sem uso e com um impacto ambiental lamentável devido às suas emissões poluentes. O tecnólogo Ángel Tápanes Ramírez, engenheiro termoenergético com mais de 20 anos de experiência, comenta que com o lançamento da Energas Varadero passou-se a utilizar o subgás de petróleo, o que foi uma decisão acertada.

 «As usinas termelétricas de ciclo combinado transformam a energia térmica do gás natural em eletricidade por meio da operação combinada de uma turbina a gás e uma turbina a vapor».

 Para ilustrar que esta é a forma de energia mais eficiente e barata gerada pela Energas, Tápanes Ramírez destaca que «a eficiência de uma usina termelétrica, devido ao seu ciclo termodinâmico, não ultrapassa 35%, no qual 65% da energia química armazenada no combustível é rejeitada no condensador».

 «No entanto, ao combinar os dois ciclos anteriores (Brayton e Rankine) e utilizar turbinas a gás Frame 6, a eficiência da unidade aumenta para 45%».

 Eduardo Suárez Sotolongo, formado em Energia Elétrica e operador de ciclo combinado, deixa isso claro ao enfatizar que a geração de eletricidade a partir do uso de gás é a mais eficiente do país; no chamado ciclo combinado, utilizam-se os gases de escape da turbina a gás e do ciclo a vapor para obter mais energia e com maior eficiência.

ENERGAS VARADERO A TODO O PODER

 Após a manutenção de um compressor de gás e o reparo do rotor da turbina número 3, a usina é capaz de gerar 90 megawatts, algo muito necessário nestes meses de verão.

 O diretor Julio César Betancourt explica que a condição mais importante para atingir esses níveis é a entrega diária de 750.000 metros cúbicos, o que permite que as três máquinas estejam em plena capacidade e os queimadores complementares das caldeiras a vapor operem, gerando 30 megawatts na turbina a vapor.

 «Este é o compromisso que assumimos, diante da tensão atual no cenário energético nacional», afirma.

 O coletivo Energas Varadero está ciente disso e orgulha-se de ser pioneiro deste projeto estratégico; a primeira usina a gerar a eletricidade mais barata do país e a impulsionar o turismo.